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BYD entra e sai da lista suja do trabalho escravo em menos de três dias

10 de abril de 2026
14:00

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A BYD, uma das maiores montadoras de carros elétricos do mundo, entrou — e saiu —  da lista suja do trabalho análogo ao escravo brasileira em uma semana. Na verdade, em menos de três dias.

Na segunda-feira, 6 de abril, a montadora chinesa apareceu junto a outros 168 nomes na classificação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que reúne pessoas e empresas responsabilizadas por trabalho escravo.

A lista traz apenas quem já foi autuado, teve direito à defesa administrativa e o processo passou por duas instâncias no ministério. Quem entra na lista fica nela por 2 anos, e o nome é retirado caso não apareçam novos casos e a situação seja regularizada junto à fiscalização.

A BYD, contudo, ficou menos de três dias na lista. A empresa entrou com um mandado de segurança na Justiça para sair do cadastro. Na noite de quarta-feira, 8 de abril, o juiz Luiz Fausto de Marinho Medeiros, da 16ª Vara do Trabalho de Brasília, entendeu que não ficou comprovada a existência de vínculo direto entre a BYD e os trabalhadores, e concedeu o pedido para retirada do nome.

“Não é possível vislumbrar a existência da subordinação estrutural, quando se percebe que o objeto social da impetrante é a fabricação de veículos, e o auto de infração menciona que os trabalhadores foram contratados para atuar na construção e instalação da fábrica da BYD no Brasil, o que afasta, em princípio, a inserção destes na estrutura organizacional da empresa”, escreveu o magistrado na decisão.

A reportagem procurou a BYD para se manifestar sobre a situação, que ainda não respondeu. O espaço segue aberto e caso haja manifestação, o texto será atualizado. 

Fábrica da BYD na Bahia: Pública revelou denúncias de maus tratos a funcionários chineses

As denúncias de infrações trabalhistas na BYD surgiram primeiro na Agência Pública, em uma reportagem de novembro de 2024. Na época, a Pública mostrou como quase 500 funcionários estariam em condições degradantes na construção da primeira fábrica de carros elétricos do Brasil, celebrada pelo governo baiano e pelo federal.

Os relatos e registros apontavam agressões físicas, alojamentos sujos, banheiros imundos e operários atuando sem equipamentos de proteção individual, com rotinas de 12 horas por dia, de domingo a domingo. A reportagem apontou que a BYD havia contratado cerca de 470 operários chineses através de três empresas do país asiático.

Em 2024, menos de um mês após a denúncia, o Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 163 operários chineses que estariam sendo submetidos a condições análogas à escravidão. 

No ano seguinte, a empresa foi processada pelo MPT por trabalho escravo e tráfico de pessoas junto às empresas terceirizadas que atuavam na instalação da fábrica. No início de 2026, a BYD fechou um acordo com o MPT, junto às terceirizadas, com o pagamento de R$ 40 milhões em danos morais individuais e coletivos.

Após a primeira denúncia da Pública, nova reportagem mostrou que a empresa teria instalado câmeras de filmagem nas áreas administrativas e nos galpões de obras para vigiar os funcionários. Além disso, segundo a denúncia, foi instalado um programa de computador que cria uma marca d’água com nome de cada funcionário para identificar de que máquina partiu materiais compartilhados com o público externo.

Procurada na época, a BYD disse, em nota, que “medidas relacionadas à proteção de segredos industriais são práticas comuns e essenciais em indústrias de ponta, especialmente para empresas líderes em inovação tecnológica” e que “essas ações refletem a responsabilidade de proteger ativos estratégicos e são adotadas de forma consistente, respeitosa e dentro da lei em todas as unidades de negócios do grupo”.

Edição:
MTE/Divulgação

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