Buscar
Nota

Licenciamento: deputados ambientalistas querem tempo para pautar novo projeto

30 de maio de 2025
13:10
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Em uma tentativa de ao menos desacelerar o ritmo intenso imposto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que levou à rápida aprovação do projeto de lei do licenciamento ambiental na Casa, a Frente Parlamentar Ambientalista trabalha para postergar que o tema seja pautado na Câmara – última etapa antes de ir para sanção ou veto presidencial.

Em reunião com o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) e também em ofícios enviados a ele, deputados ambientalistas fizeram coro a um pedido que já tinha sido feito pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para que o texto não seja colocado em votação antes que haja o “tempo necessário” para que ele seja debatido.

“O projeto recém-aprovado pelo Senado representa um dos maiores retrocessos socioambientais da história e desmonta as regras do licenciamento ambiental no Brasil. Diante da relevância e da complexidade dos impactos envolvidos, entendemos que a matéria não deve ser pautada neste momento”, aponta um dos ofícios.

“É fundamental que haja uma concertação política de alto nível, envolvendo todos os Poderes, para que os riscos e as consequências dessa proposta possam ser debatidos com a atenção e a responsabilidade que o tema exige”, continua o documento. Motta, ao menos a princípio, sinalizou que não vai pautar o PL a toque de caixa.

Depois de ser aprovado originalmente em 2021 na Câmara dos Deputados, então sob o comando de Arthur Lira (PP-AL), o texto, já na época considerado um desmonte por ambientalistas, parou no Senado, mas ganhou tração neste ano e acabou sendo aprovado em uma tramitação relâmpago, por empenho de Alcolumbre, com trechos considerados ainda piores do que a versão que tinha saído da Câmara. Por causa das modificações, o projeto precisa voltar para a casa legislativa original.

À Agência Pública, o deputado Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da frente ambientalista, admitiu que nessa altura do trâmite parlamentar, não tem muito como alterar os textos que já estão colocados. A Câmara pode aceitar ou não as mudanças propostas pelo Senado ou ainda retomar a versão original da Casa, mas não pode mais incluir coisas novas ou mudar a redação. “Por isso estamos apresentando uma saída política institucional”, disse.

A saída, segundo ele, seria abrir a possibilidade de construir um novo texto, abandonando esse PL e começando tudo outra vez, com um novo projeto ou medida provisória. “Uma nova oportunidade para construir um texto que enfrente os gargalos do processo de licenciamento, mas sem retrocesso ambiental”, complementou.

A frente ambientalista argumenta que o projeto, nos termos em que saiu do Senado, “tem potencial de agravar a degradação ambiental, representando grave ameaça a direitos humanos fundamentais”. 

Eles destacam que vários trechos são claramente inconstitucionais, o que deve criar “um cenário de insegurança jurídica que tende a gerar, como um dos seus principais efeitos, uma enxurrada de judicializações”.

Entre o que eles listam como elementos mais preocupantes do texto está, por exemplo, a possibilidade de Licença por Adesão e Compromisso (LAC) para empreendimentos de médio porte e potencial poluidor, o que já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF); a dispensa generalizada de licenciamento para o agronegócio e o esvaziamento do papel das entidades como Funai e ICMBio no processo de licenciamento.

Os parlamentares ambientalistas destacam também como problemática a criação da Licença Ambiental Especial, proposta por Alcolumbre. Pelo PL, projetos considerados como “estratégicos” pelo Conselho de Governo, órgão político vinculado à Presidência da República, teriam um rito muito mais rápido e simplificado. 

“Na prática, cria uma instância paralela de decisão que permite que interesses políticos ditem o ritmo e o conteúdo das análises, atropelando critérios técnicos e prejudicando empreendedores que aguardam o devido trâmite de seus processos. A proposta institucionaliza o favorecimento político”, escrevem.

Edição:
Reprodução Leonardo Aragão / Ass. Deputado Nilto Tatto

Notas mais recentes

PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras


Prevenção sem repressão: Fóruns populares levam pauta de segurança pública a candidatos


Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições

Resgates de pessoas em condição de escravidão caem no Brasil, mas disparam em SP, diz CPT

|

Em 6 meses de 2026, o estado teve mais pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão que em todo o ano passado

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA

Como a caça conservadora ao voto feminino alimenta a violência contra a mulher

|

Fragilidade, hormônios e até intelecto: movimento tenta reduzir papel da mulher em ação violenta que começa no discurso

Com auxílio-reclusão restrito, famílias de encarcerados gastam R$ 4 bi por ano em visitas

|

Enquanto uma visita a presídio chega a custar mais de mil reais, Lei Antifacção diminui o acesso a benefício

Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun

|

Órgão agora cobra análise de 20 comunidades ignoradas e quer suspender licença retomada na Justiça em fevereiro de 2026
Imagem mostra ícones dos aplicativos de redes sociais da Meta em celular

Meta usa influenciadores para direcionar debate sobre proteção a crianças nas redes

|

No Brasil, empresa promove ideia de que as suas ferramentas são melhor que leis que proíbam o acesso dos mais jovens

Eleitores gerados por IA fazem campanha no TikTok e põem em xeque regra do TSE

|

Vídeos criados com IA em que eleitores declaram seus votos para presidente têm 7,4 milhões de views no TikTok