Buscar
Nota

PL Rafael: Projeto proíbe “comissão” por perdas em bets e responsabiliza influenciadores

10 de julho de 2026
16:05

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Esta reportagem é parte de uma investigação especial da Agência Pública financiada pelos nossos Aliados, sem nenhum dinheiro de bet. Apoie mais reportagens como essa clicando aqui.

Após o relato de Vânia de Souza Borges sobre a morte do filho Rafael emocionar leitores em todo o Brasil, a história da professora inspirou um projeto de lei para responsabilizar diretamente influenciadores que divulguem bets e para proibir no Brasil o modelo de negócios que os permite lucrar em cima dos valores perdidos por apostadores que cliquem em seus links.

O PL Rafael, Projeto de Lei 3.613/26, em alusão ao jovem de Uberlândia (MG) Rafael Borges Amaral, que morreu aos 26 anos pressionado por seu vício em apostas online, foi protocolado pela deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), conterrânea de Vânia e Rafael. O texto, apresentado na última quarta-feira (8), fundamenta a proposta a partir da história contada pela Agência Pública no especial Jogo Perigoso: O Brasil das Bets, que pode ser conferida aqui.

O projeto propõe a responsabilização solidária de toda a cadeia de divulgação de apostas – o que inclui influenciadores, afiliados, anunciantes, operadores e plataformas – por eventuais danos causados ao consumidor. Além disso, tenta proibir o modelo de contrato que prevê comissões aos influenciadores e permite remuneração proporcional às perdas registradas por seus seguidores que clicarem em seus links de divulgação, o chamado revshare (Revenue Share Agreement), que a Pública explica nesta reportagem.

“Quanto mais o consumidor perde, mais o influenciador lucra. Nosso projeto quer acabar com esse incentivo perverso. […] Quem ganha com a indicação também deve responder por ela”, declarou a deputada Dandara.

A morte de Rafael não é um caso isolado, é o retrato mais doloroso de um problema que atinge uma geração inteira de jovens brasileiros. O Estado não pode mais tratar isso como problema individual. É uma questão de saúde pública.
Deputada federal

Na terça-feira (7), a parlamentar também apresentou um outro projeto motivado pela história da professora Vânia, o PL 3.563/26, que propõe a obrigatoriedade das plataformas de apostas de notificarem a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, sempre que forem identificados padrões de risco por parte dos apostadores em atividade.

A ideia é que haja um bloqueio preventivo temporário do usuário por um mínimo de 60 dias e disparos obrigatórios de recomendações de busca por apoio psicológico e tratamento para esse usuário, assim que o comportamento for detectado. O projeto ainda não contempla detalhamento de quais seriam esses padrões de risco e os limites do que seria aceitável.

Informada pela Pública sobre os projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados, Vânia se disse muito feliz com a dimensão tomada pela história de sua família. “Eu sei que ainda é apenas é um projeto, mas é por meio dessas atitudes que alguma medida efetiva será tomada. Vamos torcer para que o projeto seja aprovado e torne-se uma lei”, disse a professora.

MJSP e Ministério Público acionados para investigarem influenciadores

Antes de falar com a Pública, a professora Vânia buscou a CPI das Bets, cujo primeiro relatório foi o primeiro a ser arquivado em 10 anos no Senado, para relatar sua história e como ela não havia conseguido auxílio junto à Polícia Civil de Minas Gerais e ao Ministério Público do estado. Após a repercussão da reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) foi acionado, também pela deputada federal Dandara.

A solicitação do documento MJ – SEI 08001.003232/2026-69 é para que seja aberta uma investigação sobre a atuação de influenciadores digitais, agências de publicidade e afiliados na promoção de plataformas de apostas, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), para verificarem indícios de publicidade enganosa e abusiva, práticas digitais predatórias e falhas de proteção ao consumidor.

A parlamentar também acionou o Ministério Público de Uberlândia (MPMG – SEI 9990000001.008466/2026-87) para verificar o andamento da notícia de fato aberta junto às promotorias de defesa do consumidor e saúde, para verificar as medidas adotadas e solicitar que a Defensoria Pública de Minas Gerais preste suporte no caso.

A Pública entrou em contato com o MJSP e o MPMG na sexta-feira (10) para verificar os encaminhamentos sobre os pedidos. Segundo o MJSP, a solicitação encontra-se “em análise pelas áreas técnicas competentes, observados os trâmites e procedimentos administrativos aplicáveis”. Por outro lado, o MPMG alegou que após “detida análise do promotor de Justiça responsável, constatou-se que a matéria não versa sobre o escopo de atuação especializada da promotoria de defesa da saúde” e disse ainda esperar resposta da promotoria de defesa do consumidor.

Sobre os desenvolvimentos de seu relato na Câmara e também no seu estado, a professora Vânia foi sucinta e resumiu: “Graças a Deus está surtindo efeito”.

Notas mais recentes

Hospitais do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e a acusação de Lula na Band


Às vésperas do 2° turno, governo tenta votar PEC da Segurança Pública no Senado


Locais de votação alterados e abstenção: estigma afasta eleitores da Maré das urnas


Fim da escala 6×1 vai a votação no Senado, mas aliados de Flávio tentam barrar


Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Quem aprovou o crédito de Flávio? BRB silencia, e três diretores da época são alvo da PF

|

Três diretores investigados pela PF integravam a cúpula do BRB quando Flávio Bolsonaro obteve financiamento de mansão

‘Leilão às avessas’: vitória de Flávio consolidaria interferência dos EUA no Brasil

|

Terras raras, combate ao tráfico e Congresso mais à direita favorecem dominação dos EUA de Trump sobre América Latina

Deputado detido após atingir jornalista com um tiro defendeu liberação de armas em 2017

|

Marcelo Aguiar apresentou Projeto de Lei para revogar Estatuto do Desarmamento quando esteve no Congresso Nacional

Aluno da UFRN espancado em protesto envolvendo Girão: “Não tem alternativa senão a luta”

|

Estudante foi alvo durante "Protesto UFRN Anti-Lula", de grupo ligado a secretário de gabinete do deputado bolsonarista
Imagem do presidente Lula como alvo em clube de tiro em São Paulo

Homens praticam tiro contra imagem de Lula em clube de São Paulo

|

Gravação aconteceu em clube de tiro que já foi alvo de ação policial; vereador já foi condenado por prática semelhante
Colagem com as fotos de Rodrigo Cataratas e Alexanfre Ramagem

Foragido, líder do garimpo ilegal Rodrigo Cataratas tem empresas e bens de luxo nos EUA

|

Condenado por garimpo na terra Yanomami ajudou na fuga de Alexandre Ramagem e, por isso, também está foragido da Justiça

Ministério Público encurrala Meta para barrar bloqueios e restrições nas eleições

|

Ação quer impedir que algoritmos barrem conteúdos; Pública mostrou que grupos pró-Lula foram acusados de terrorismo

Políticos têm rede ‘paralela’ na Meta sem declarar ao TSE

|

Flávio Bolsonaro tem mais de sete perfis de apoio não declarados; Janones, um; Campopiano e Pavanato também têm rede
Colagem com as fotos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e do cantor Gusttavo Lima

Bolsonarista, Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões

|

Cantor que declarou apoio a Flávio Bolsonaro propôs a dono do Master fornecer maquininhas em MG: "Vamos trabalhar, bb"

Flávio Bolsonaro & família: as perguntas que a Pública já respondeu e você precisa saber

|

Rumor? Exagero? Mentira? Reunimos um guia de questionamentos que estão na cabeça do eleitor para nossas investigações