Buscar
Nota

Trabalhadores de apps como iFood aumentaram quase 50% no Brasil

31 de março de 2025
10:00
Este artigo tem mais de 1 ano

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A quantidade de trabalhadores que atuam em plataformas digitais cresceu quase 50% no Brasil entre 2021 e 2024, de acordo com pesquisa da Clínica de Direito do Trabalho da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente 2,3 milhões de pessoas são ligadas a essas empresas, diz o levantamento, que aponta para a urgência na regulação do setor. 

Nesta segunda-feira (31), entregadores de aplicativo reivindicam direitos em uma paralisação nacional chamada de “Breque Nacional dos Apps 2025”, que deve durar até a terça-feira, 1o de abril, até às 22h. Os trabalhadores pedem que todas as empresas, especialmente o iFood, que detém quase 90% do mercado de entregas no país, segundo a UFPR, ofereçam melhores condições de trabalho e reajuste nas tarifas pagas pelas entregas.

Eles querem o aumento da remuneração para R$ 2,50 a cada quilômetro rodado; taxa mínima de R$ 10 por corrida; um limite de um raio de 3 quilômetros para entregas feitas em bicicleta; e o pagamento integral por corrida mesmo quando pedidos são agrupados na mesma rota. 

De acordo com Alexandre Santos, um dos líderes da organização nacional dos entregadores, a mobilização está confirmada em 200 cidades, em todos os estados do país. Em São Paulo, os protestos vão acontecer na frente da sede do iFood, que fica na Vila Yara, em Osasco. A concentração vai ser no estádio do Pacaembu, na capital paulista.

“Nossa luta não é por remuneração, é por dignidade do trabalho. Quem trabalha 12 horas porque quer enriquecer? Até quando vamos morrer para sobreviver de maneira minimamente digna”, diz Santos, que é entregador do iFood e coordenador do movimento em Santa Catarina.

Quem sente bem isso na pele é Bolaxa, como é mais conhecido o entregador do iFood Gabriel Machado. Ele trabalha, em média, de 12 a 14 horas por dia, de segunda a sábado, em Curitiba e na região metropolitana. “A empresa tem receita de R$ 7 bilhões ao ano, enquanto eu recebo R$ 1,50 por cada quilômetro rodado”, disse à Agência Pública. Em 2023, a plataforma chegou a movimentar R$ 97 bilhões no Brasil.

A pesquisa da UFPR aponta também para um aumento da desigualdade social, que já havia sido evidenciada em 2022, quando o primeiro perfil nacional dos entregadores foi publicado pela universidade. Na época, 1,4 milhão de trabalhadores utilizavam as plataformas, metade atuando no transporte de passageiros. A maioria eram homens negros da periferia, principalmente na faixa de 22 anos, com ensino médio completo.

Hoje, o perfil sociodemográfico permanece o mesmo, de acordo com Sidnei Machado, advogado trabalhista e professor de direito da UFPR, que conduziu a pesquisa. “Quando uma empresa [o iFood ] detém quase todo poder de mercado, não há concorrência do setor. Ou seja, extrai o máximo do trabalhador, se apropria da esfera pública sem pagar ao Estado por isso e contorna as leis trabalhistas. Em suma, a empresa enriquece porque a vida do trabalhador empobrece”, explicou.

Edição:

Notas mais recentes

Hospitais do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e a acusação de Lula na Band


Às vésperas do 2° turno, governo tenta votar PEC da Segurança Pública no Senado


Locais de votação alterados e abstenção: estigma afasta eleitores da Maré das urnas


Fim da escala 6×1 vai a votação no Senado, mas aliados de Flávio tentam barrar


Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Ministério Público encurrala Meta para barrar bloqueios e restrições nas eleições

|

Ação quer impedir que algoritmos barrem conteúdos; Pública mostrou que grupos pró-Lula foram acusados de terrorismo

Políticos têm rede ‘paralela’ na Meta sem declarar ao TSE

|

Flávio Bolsonaro tem mais de sete perfis de apoio não declarados; Janones, um; Campopiano e Pavanato também têm rede
Colagem com as fotos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e do cantor Gusttavo Lima

Bolsonarista, Gusttavo Lima pressionou Vorcaro por acordo para movimentar R$ 23 bilhões

|

Cantor que declarou apoio a Flávio Bolsonaro propôs a dono do Master fornecer maquininhas em MG: "Vamos trabalhar, bb"

Flávio Bolsonaro & família: as perguntas que a Pública já respondeu e você precisa saber

|

Rumor? Exagero? Mentira? Reunimos um guia de questionamentos que estão na cabeça do eleitor para nossas investigações
Imagem aérea de local desmatado em Rurópolis

Segundo turno das eleições será referendo sobre futuro da Amazônia

|

Volta a índices de desmatamento do governo Bolsonaro podem aproximar floresta de ponto de não retorno
Willer Tomaz de Souza, empresário e advogado brasileiro, proprietário do escritório de advocacia Willer Tomaz Advogados Associados em Brasília

Empresa ligada a Willer Tomaz foi administrada por diretor da Polícia Civil do DF

|

Diretor de TI da PCDF administrou empresa de advogado investigado no Caso INSS; lei proíbe administração por policiais
Diretor do Instituto Sivis, Jamil Assis, durante audiência pública no Senado sobre regulação de redes sociais com foco em moderação de conteúdo e remoção de contas de usuários.

Departamento de Estado dos EUA financia ONG que questiona liberdade de expressão no Brasil

|

Instituto Sivis recebeu aporte de R$ 150 mil. Entidade negou ingerência externa e diz ter autonomia

‘Dark Horse da Shopee’: 2º filme sobre Bolsonaro teve convite a Vorcaro e é alvo da Ancine

|

Agência apura custo declarado de apenas R$ 4,5 mil de ‘A Colisão de Destinos’, que pode ter contado com grana de emendas

Sem educação, clima ou fome: O dito e não dito na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro

|

Discurso de guias que foram ao ar na TV mostra aposta em "medo" e "mulheres" e ignora temas como educação, fome e clima

Quando o patrão pede voto

|

Desde setembro, foram 24 denúncias diárias de assédio eleitoral no trabalho; 99% dos casos são apurados, diz MPT