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Amigo de Eduardo, enviado de Trump que visitaria Bolsonaro questionou eleições: “trapaça”

13 de março de 2026
04:00
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Em 2022, logo depois do primeiro turno eleitoral, o hoje conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil do Departamento de Estado do governo Trump, Darren Beattie, que visitaria o país na próxima semana, participou do podcast de Steve Bannon para comentar a eleição brasileira e concordou com suspeitas infundadas sobre o resultado.

Na ocasião, o ex-redator de discursos da Casa Branca disse que havia muito em jogo no pleito brasileiro, definido por ele como uma competição entre um “representante exatamente do tipo de nacionalismo que todos nós queremos e apoiamos”, Jair Bolsonaro, e “a versão mais destrutiva e corrosiva” do comunismo, representada por Lula.

Beattie ainda disse “reforçar” as suspeitas levantadas pelo jornalista americano Matthew Tyrmand sobre o resultado do primeiro turno, como mostrou reportagem da Agência Pública, que à época acompanhava o podcast War Room, criado por Bannon, ex-estrategista de Trump e amigo da família Bolsonaro, para entender como a extrema direita americana estava tratando o pleito brasileiro.

“Houve fraude lá, definitivamente houve fraude lá”, disse Tyrmand, sem apresentar nenhuma prova, apenas citando como indicativos o fato de que as primeiras urnas apuradas naquele primeiro turno deram vantagem a Bolsonaro e os resultados das eleições para o Senado, em que o partido do ex-presidente fez a maior bancada. “Eu quero ecoar e reforçar a excelente análise do nosso amigo Matthew Tyrmand”, disse Beattie na sequência.

Para ele, a eleição brasileira era “crucial” e um possível “ponto de virada” para a política global dependendo do vencedor. No podcast, Beattie afirmou ainda que o pleito do Brasil tinha dinâmicas similares às dos Estados Unidos: “de trapaças até a censura promovida pelas big techs”. Na ocasião, Tyrmand citou a análise conduzida pelo Ministério da Defesa sobre as urnas eletrônicas. Em novembro daquele ano, após o segundo turno que deu vitória a Lula, a pasta entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório no qual não apontou a existência de fraude ou inconsistência nas urnas e no processo eleitoral.

Darren Beattie teve visita a Bolsonaro aprovada pelo STF mas cumpre agenda no Brasil sem agenda com o Itamaraty

A Pública questionou o Departamento de Estado do governo americano sobre os objetivos da visita de Beattie e qual seria o motivo do encontro com Bolsonaro. O órgão se limitou a responder que Beattie viajará ao Brasil para “avançar a agenda de política externa America First [EUA em 1º lugar, em tradução livre]”. “America First” é uma diretriz do governo Trump de priorizar os interesses do país em decisões políticas internas e externas. Entre os eventos que Beattie participaria está um evento sobre minerais críticos na quarta-feira (18) em São Paulo.

Visita suspensa por suspeita de interferência

Quase quatro anos depois, Beattie marcou uma visita ao Brasil a partir de segunda-feira (16) com o objetivo de entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, como noticiou a Folha de S.Paulo. Após um pedido da defesa de Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes havia autorizado a visita de Beattie ao ex-presidente na prisão, na próxima quarta-feira (18), mas voltou atrás na decisão nesta quinta-feira (12) e revogou a autorização.

Na quinta (12), Moraes pediu informações ao Ministério das Relações Exteriores questionando se Beattie teria agenda diplomática no Brasil e se ele havia feito solicitação para visitar o ex-presidente na prisão. Segundo o UOL, um pedido de agenda diplomática só foi feito após o pedido de visita feito por Bolsonaro, por meio da embaixada dos Estados Unidos.

O pedido de Moraes por mais detalhes veio depois de reportagem da Folha revelar que, até a quarta (11), Beattie não havia solicitado nenhuma reunião com o Planalto ou com o Itamaraty. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também disse que não recebeu nenhum pedido de reunião com o conselheiro de Trump, ainda que pessoas ligadas a Eduardo Bolsonaro tenham dito antes ao jornal que Beattie teria agenda com o TSE.

O ministro Mauro Vieira defendeu ainda que a visita “de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, em resposta a Moraes, que decidiu por suspender a autorização da visita.

Já nesta sexta (13), porém, o presidente Lula disse que Beattie só poderá visitar o Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, for autorizado a entrar nos Estados Unidos. “Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse o presidente em um evento no Rio de Janeiro. Logo depois, o Itamaraty revogou o visto que permitiria a visita de Darren Beattie ao país na próxima semana. A Casa Branca ainda não se manifestou sobre o assunto.

Bolsonaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”. Ele foi condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Nota atualizada em 13 de março às 8h42 e às 14h46.

Edição:
The White House/reprodução

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