Agência de Jornalismo Investigativo

Na Comunidade da Paz, os moradores convivem com a falta de luz, água, saneamento básico e a ameaça de despejo por conta das obras para a Copa do Mundo. A Grão Filmes foi até lá conversar com eles.

28 de março de 2013
13:52
Este texto foi publicado há mais de 9 anos.
Especial: Copa Pública

A equipe da Grão Filmes, produtora audiovisual vizinha da Pública na Casa de Cultura Digital, inspirou-se nas histórias da Comunidade da Paz publicadas no Copa Pública e foi a Itaquera, na zona Leste de São Paulo, ouvir os moradores sobre as transformações que os atingem, provocadas pelas obras da Copa – é ali que está o estádio programado para receber a abertura do megaevento.

A ideia do video produzido a partir de horas de conversas com os moradores – e que você pode assistir ao final dessa matéria – é ampliar o debate público em torno das decisões que afetam os habitantes de São Paulo, como a questão habitacional.

Alice Riff, uma das sócias da Grão, explica: “Estamos acompanhando a preparação do país para receber a Copa e vendo que, ao invés de usar esse evento para obras que tenham como objetivo amenizar as desigualdades sociais e territoriais, quem tem se favorecido são apenas as construtoras. A Copa tem passado por cima das comunidades, de pequenos comércios, do Museu do Índio na semana passada no Rio, e tudo às custas de dinheiro público.”

Sobre o que mais marcou a equipe durante a visita, Alice diz:
“Para todos os moradores que conversamos, a Copa assim tão próxima não é a solução dos problemas, mas agora eles tem um certo poder para negociar. Viver sem segurança, sem água, sem luz e sem saneamento básico é a realidade destas famílias há anos, e esses problemas sempre foram ignorados. Mas como agora eles representam um obstáculo para a Copa, para o Parque Linear Rio Verde e para o Polo Institucional de Itaquera, de alguma maneira, a situação terá que ser resolvida. E há articulação política por parte da comunidade para conseguir o melhor para eles. Propor um plano urbanístico alternativo ao oficial (c0m0 eles fizeram) mostra a clareza dos moradores em relação aos seus direitos.”

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Precisamos te contar uma coisa: Investigar uma reportagem como essa dá muito trabalho e custa caro. Temos que contratar repórteres, editores, fotógrafos, ilustradores, profissionais de redes sociais, advogados… e muitas vezes nossa equipe passa meses mergulhada em uma mesma história para documentar crimes ou abusos de poder e te informar sobre eles. 

Agora, pense bem: quanto vale saber as coisas que a Pública revela? Alguma reportagem nossa já te revoltou? É fundamental que a gente continue denunciando o que está errado em nosso país? 

Assim como você, milhares de leitores da Pública acreditam no valor do nosso trabalho e, por isso, doam mensalmente para fortalecer nossas investigações.

Apoie a Pública hoje e dê a sua contribuição para o jornalismo valente e independente que fazemos todos os dias!

Mais recentes

Saiba quem é e o que disse o policial legislativo do Senado investigado por atos golpistas

3 de fevereiro de 2023 | por

Alexandre Hilgenberg é servidor desde 1996; no dia 8 de janeiro ele pediu apoio a invasão do Congresso em suas redes

Parlamentares participam de sessão na Câmara dos Deputados

As igrejas que dominam a nova ala evangélica na Câmara

2 de fevereiro de 2023 | por

Assembleia de Deus, Batista e IURD reúnem 58% dos 93 parlamentares evangélicos empossados na atual Legislatura

Agricultor Neri Gomes de Souza mostra sua plantação no assentamento Roseli Nunes

Agrotóxicos colocam em risco produção agrofamiliar em assentamento no Mato Grosso

2 de fevereiro de 2023 | por e

Relatório aponta contaminação da água de rios, poços, chuva e até caixa d'água da escola por 10 tipos de agrotóxicos