Agência de Jornalismo Investigativo

Presidente da Câmara pode usar pedidos de impeachment contra a presidente Dilma para desviar a atenção sobre denúncias de que tem contas na Suíça

11 de outubro de 2015

A semana se inicia sob a expectativa de o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), analisar todos os pedidos de impeachment que tramitam contra a presidente Dilma Rousseff. A retomada dos pedidos do afastamento da presidente parecem ainda mais próximos de serem resgatados agora, como estratégia de desvio de atenção sobre denúncias que recaem nas costas de Cunha.

Na semana passada, o peemedebista foi alvo de sucessivas acusações de possuir contas bancárias no banco suíço Julius Baer. Segundo inquérito do Ministério Público da Suíça, já encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR), Cunha é o beneficiário final de duas contas na entidade financeira, abertas por meio de offshores – empresas em paraísos fiscais utilizadas para lavagem de dinheiro. A desconfiança sobre possível origem ilícita dos cerca de US$ 2,4 milhões depositados nas contas foi o estopim da investigação europeia.

Para desviar o foco da denúncia e evitar ter que falar sobre o assunto, Cunha poderá passar a bola para Dilma e usar o pedido impeachment do ex-petista Hélio Bicudo como uma cortina de fumaça. Enquanto isso, o parlamentar mantém a estratégia de dizer que está sendo ‘execrado’ por colegas parlamentares e que sofre perseguição política do PT. Em cenário político em que a presidente possui baixíssima aprovação popular (10% consideram seu governo ótimo/bom, segundo última pesquisa do Ibope), o deputado fluminense tenta aproveitar essa rejeição para tentar se manter no cargo.

Fora dos cômodos subjacentes da Casa legislativa, o plenário deverá se ocupar com a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 395/14, que versa sobre a gratuidade do ensino público superior. A proposta estabelece que só cursos regulares de graduação, mestrado e doutorado em instituições públicas serão gratuitos. Se aprovada, cursos de extensão e especialização serão excluídos do princípio constitucional de gratuidade.

Na terça-feira (13), chega ao Senado texto que tornou mais profunda a divisão entre deputados ligados aos direitos humanos e movimentos sociais e os de linha mais conservadora. O projeto de lei da Câmara 101/15 pretende tipificar o que é crime de terrorismo. Com os deputados, ficou definido que terrorismo é ato praticado por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião que oferece perigo a pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.

Recente

CNJ decide se abre processo contra juízes por conduta em redes sociais durante as eleições

6 de dezembro de 2018 | por

Na próxima terça-feira, o CNJ vai apreciar 11 pedidos de providências instaurados contra magistrados que teriam manifestado apoio – ou mesmo críticas – a candidatos durante as eleições, principalmente nas redes sociais

Seis respostas sobre como combater o Escola Sem Partido

6 de dezembro de 2018 | por

Manual de Defesa traz estratégias para que profissionais da educação se protejam de ameaças e perseguições; leia a entrevista

Mudança de estratégia nas candidaturas evangélicas ajudou a eleger Bolsonaro

5 de dezembro de 2018 | por

Em entrevista à Pública, a professora Christina Vital da Cunha, do programa de pós graduação em Sociologia da UFF e colaboradora ad hoc do ISER comenta pesquisa inédita sobre candidaturas evangélicas nas eleições de 2018

Do cofre

Integrantes da Lava Jato vivem na “mesma bolha”, diz pesquisador da UFPR

9 de maio de 2018 | por

O sociólogo Ricardo Oliveira, que pesquisou as biografias de magistrados, procuradores e advogados da operação, diz que eles têm as mesmas origens, às vezes se conhecem desde a infância e por isso atuariam em rede

As conversas da Vale com os EUA sobre a China

5 de julho de 2011 | por

Segundo documento, Agnelli disse que governo chinês estaria à frente dos norte-americanos na "batalha por acesso às commodities"

Hélio Costa garantiu adoção de padrão dos EUA de rádio digital como "consolação"

30 de junho de 2011 | por

Ex-ministro das Comunicações garante que versão de documento da embaixada norte-americana não é verdadeira