Buscar
Da Redação

Mulheres kaiowá e guarani defendem repórter ameaçado por denunciar intolerância religiosa

Autor de vídeo de projeto de microbolsas para repórteres indígenas recebeu ofensas e ameaças por celular

Da Redação
29 de outubro de 2022
13:38
Este artigo tem mais de 3 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
Auá Mendes/Agência Pública

No último dia 27 de outubro, comemoramos a publicação da primeira videorreportagem do Projeto Microbolsas Indígenas – um concurso de pautas, realizado há dez anos pela Agência Pública, em que os vencedores recebem bolsas e o apoio de um editor e de outros profissionais da Pública para fazer as reportagens propostas. Pela primeira vez, neste ano, fizemos um concurso destinado exclusivamente a comunicadores indígenas – jornalistas, documentaristas, coletivos de comunicação – interessados em mentoria de jornalismo investigativo.

Uma das cinco pautas escolhidas no processo de seleção coordenado pelo antropólogo e jornalista Spensy Pimentel, resultou, ao cabo de seis meses de trabalho, no vídeo “Pyaegua – o povo Kaiowa e Guarani reage à intolerância religiosa”, de autoria de Luan Iturve e Valdineia Aquino. Trata-se de uma reportagem com imagens e depoimentos fortes sobre a perseguição que sofrem as religiões indígenas na região de Dourados e Amambai no Mato Grosso do Sul.

Vítimas de intolerância religiosa e familiares de rezadeiras (nhandecy) e rezadores (nhanderu) perseguidos e dois pastores indígenas evangélicos narram no vídeo como foram e são afetados pelas entrada das igrejas neopentecostais e falam do “racismo religioso, esse mal que percorre os territórios indígenas”, como o descreve a Kuñangue Aty Guasu, a maior assembleia de mulheres Guarani Kaiowá, que há seis anos registra violências nos territórios Guarani e Kaiowá no Cone Sul de MS, incluindo a queima de casas de rezas, também retratadas no vídeo de Luan e Valdineia. Segundo um relatório publicado neste ano pela Aty Guasu, durante a pandemia no governo Bolsonaro, os crimes de ódio religioso se multiplicaram.

Assim que publicamos o teaser do vídeo e um convite de Luan para que as pessoas vissem a reportagem nas redes sociais, entre muitos elogios, começaram a pipocar comentários negativos por parte de membros de uma das igrejas evangélicas. O que gerou a reclamação foi menos de um minuto de imagens gravadas durante um culto, sem câmera oculta ou qualquer tipo de artifício, em que não há denúncias ou acusações.

Por isso, conversamos com os repórteres e mantivemos o vídeo no ar até que as ameaças começaram a chegar diretamente no celular de um deles. Alertamos o Ministério Público Federal e retiramos o vídeo do ar para garantir a segurança de ambos, pelo menos até que o caso seja esclarecido.

Ontem, no fim da tarde, a Kuñangue Aty Guasu enviou uma nota detalhada sobre intolerância religiosa – que será alvo de novo relatório, a ser lançado em novembro, em parceria com a ONU Mulheres – e em defesa do trabalho e da segurança de Luan Iturve e Valdinéia Aquino. “É uma situação que se agrava em todos os territórios indígenas Kaiowá e Guarani e tem impactos violentos em nosso modo de ser, costumes e tradições, demonizando os mesmos e, como consequência, acontecem as violências, queima de casas de rezas, perseguições, e outros fatos denunciados nos documentos divulgados. É, acima de tudo, um projeto do Estado brasileiro para seguir com suas políticas coloniais e de morte contra os povos indígenas. Repudiamos qualquer ameaça, perseguição e violência aos nossos comunicadores indígenas”

Clique aqui para ler a íntegra da nota da Kuñangue Aty Guasu.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 234 “STF em ponto de não retorno” – com Eloísa Machado de Almeida

Coordenadora do grupo de pesquisa Supremo em Pauta analisa a crise do STF e os desafios da recuperação de credibilidade

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Com pai, marido e irmão presos, Natália Vorcaro Zettel segue à frente de 54 empresas

|

Irmã de Daniel Vorcaro é alvo de representação no MPF por suspeita de lavagem de dinheiro

Recordar é votar: 13 investigados pela CPI da Covid disputam eleições neste ano

|

Apontados pelos senadores por diversos crimes durante a pandemia concorrem a cargos – de deputado estadual a presidente

Pessoas negras são alvo da maioria dos gastos com prisões em 25 estados e DF, diz estudo

|

Para advogada do Justa dado demonstra seletividade penal e políticas estaduais com lógica punitivista

Esposa de Ramagem usa verba de campanha para ex-assessora e irmã de Allan dos Santos

|

Candidata a deputada federal exilada nos EUA repassou R$80 mil a empresa de ex-assessora de Ramagem em agosto

Policiais candidatos fazem autopromoção no YouTube e podem lucrar com violência e machismo

|

Estudo estima monetização de 15 influenciadores; agente eleito não pode se apresentar como policial, diz governo de SP

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça

|

Contas no Instagram trocam de nome para enaltecer juiz e simular apoio popular — prática conhecida como ‘astroturfing’

Mãe que perdeu o filho para as bets pede proibição em encontro com Lula

|

Professora mineira foi ouvida pelo presidente após reportagem da Pública motivar projetos de lei e investigação no MPF

Câmeras, IA e repressão unem candidatos dos estados com polícias mais letais do país

|

Esquerda, direita e extrema direita propõem mais tecnologia e inteligência na segurança, mas ignoram violência policial

Ministra Cármen Lúcia dá o tom do dia no STF: “não garantimos o rigor que deveríamos”

|

Sessão do Supremo para avaliar se Alexandre de Moraes seria investigado acaba com pedido de vista e troca de farpas