Buscar
Nota

Caso Fábio Escobar: Justiça cria colegiado para proteger juíza que mandou prender 10 PMs

18 de outubro de 2023
16:57
Este artigo tem mais de 2 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A Justiça de Goiás criou um colegiado de três juízes a fim de proteger a juíza de primeira instância de Anápolis (GO) que determinou, em setembro, a prisão temporária de dez policiais militares da ativa no estado. Eles estão sob investigação da Polícia Civil por suposta participação no assassinato de oito pessoas, incluindo uma mulher grávida e o representante comercial e militante político de direita Fábio Alves Escobar Cavalcante, de 38 anos, que atuou na coordenação da campanha do governador Ronaldo Caiado (União) em 2018 no município de Anápolis. A partir de agora, os três juízes ou juízas são os responsáveis pela condução do inquérito com o objetivo de diluir pressões contra o andamento do processo.

Na decisão tomada no último dia 11, a juíza criminal de Anápolis apontou, ao instaurar o colegiado, que “há indícios que indicam a prática do delito tipificado” na lei das organizações criminosas. Ela considerou que “há necessidade de cautela na condução singular do processo, razão pela qual se faz necessária e razoável” a aplicação da lei nº 12.694/2012, que dispõe sobre o processo e o julgamento colegiado em primeiro grau de jurisdição de crimes praticados por organizações criminosas “nos casos em que há indícios de riscos pessoais na condução do processo em relação ao julgador, de modo a resguardar a independência do juiz durante a persecução penal nestes casos”.

O colegiado de três magistrados, que serão definidos por sorteio, incluirá a juíza natural do caso. A decisão cita o parágrafo 1º da lei: “O juiz poderá instaurar o colegiado, indicando os motivos e as circunstâncias que acarretam risco à sua integridade física em decisão fundamentada, da qual será dado conhecimento ao órgão correicional”. A Justiça de Anápolis informou a instauração do colegiado ao Tribunal de Justiça e à Corregedoria do órgão, em Goiânia (GO).

A Agência Pública indagou ao Tribunal de Justiça que tipo de risco à integridade física tem sofrido a juíza responsável pelo caso que levou à prisão dos 10 PMs. Também solicitou que fosse indagado à magistrada se ela está sofrendo ameaças pela sua atuação no inquérito. Mas o órgão respondeu apenas que “o processo corre em segredo de justiça, por esse motivo, não podemos passar nenhuma informação sobre o caso”.

Conforme a Pública informou no último dia 27, o assassinato de Escobar, ocorrido a tiros por desconhecidos em 23 de junho de 2021, é um crime que assombra a política, em especial o campo da direita, em Goiás. De 2019 até sua morte, Escobar gravou e divulgou vídeos com denúncias sobre membros do partido de direita na cidade. Em uma das gravações, Escobar disse que, após as denúncias, passou a sofrer uma campanha de difamação em redes sociais.

Após dois anos sem divulgar avanço nas investigações, a Polícia Civil desencadeou a Operação Terasac com as prisões e buscas e apreensões contra os dez PMs. De acordo com o inquérito policial, um grupo de policiais militares matou sete pessoas que, de alguma forma, poderiam levar a investigação à autoria dos tiros contra Fábio Escobar.

Na última terça-feira (17), a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, teve uma conversa com José Escobar, pai de Fábio e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Anápolis. José disse à ministra que teme ser perseguido e morto, a exemplo do que ocorreu com o filho, e pediu audiências com os ministros Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) e Silvio Almeida (Direitos Humanos).

Edição:

Notas mais recentes

Fim da escala 6×1 pode ir a votação no Senado, mas aliados de Flávio tentam barrar


Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições


Aposta online: 12 dos 17 parlamentares da Bancada das Bets seguem mais 4 anos no Congresso


Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

|

Os dez candidatos mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com anúncios na Meta; os da esquerda, R$ 2,6 milhões
Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado
Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas
Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado