Buscar
Nota

ONU: IA pode ampliar desigualdade entre países e já afeta o desenvolvimento humano

6 de maio de 2025
17:10
Este artigo tem mais de 1 ano
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) global voltou a crescer timidamente após a pandemia, e o crescimento global do desenvolvimento humano projetado neste ano deve ser o menor em 35 anos. O relatório de Desenvolvimento Humano de 2025, divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), afirma que “a distância entre países com IDH muito alto e muito baixo, que vinham diminuindo há décadas, voltaram a se ampliar nos últimos quatro anos”.

“A IA muda o jogo no campo do desenvolvimento. Se ela for vista apenas como uma extensão turbinada das tecnologias digitais anteriores, voltadas à automação do trabalho, o trabalho humano tende a ceder ainda mais espaço às máquinas, corroendo as opções de desenvolvimento”, afirma o documento. O futuro, descreve o estudo, vai depender das escolhas políticas, da infraestrutura e da capacidade dos países de absorver e implementar essa tecnologia.

Entre os possíveis benefícios da tecnologia citados no documento estão a melhoria de diagnósticos médicos por meio da análise de grandes volumes de dados; a personalização de sistemas educacionais; e o aumento da produtividade em setores como agricultura e energia, com uso de sensores inteligentes e algoritmos de otimização.

O relatório destaca a desigualdade no acesso à pesquisa e ao desenvolvimento, no qual os países de alta renda concentram a maior parte das publicações científicas e das inovações tecnológicas em IA. Além disso, as maiores capacidades de computação em nuvem — fundamentais para treinar e operar modelos avançados de IA — estão concentradas em um pequeno número de potências, como Estados Unidos, China e Reino Unido.

A desigualdade digital é também um entrave. Dados recentes da União Internacional de Telecomunicações (ITU – International Telecommunication Union, em inglês) apontam que cerca de 68% da população mundial tem acesso à internet, mas que 32% seguem desconectados.

O documento defende que o avanço da inteligência artificial ocorre em um cenário já marcado por incertezas globais, como crises climáticas, tensões geopolíticas e retrocessos democráticos. O desequilíbrio no acesso à tecnologia se soma a esses desafios, criando o que o relatório chama de “dualidade de incertezas”. O relatório da ONU demonstra preocupação com uma criação de “dois mundos”, apenas um deles com acesso às inovações tecnológicas.

Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2024, 29 milhões de brasileiros não acessam a internet. Desses, 82,7% vivem em regiões urbanas, 59% são pretos ou pardos, 55% pertencem às classes D e E, e 55% são mulheres. Quase metade dos desconectados tem mais de 60 anos. 

De acordo com a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano (UDH) do PNUD Brasil, Betina Ferraz, apesar do Brasil ainda ter um grande caminho a percorrer, o país não se encontra no “patamar dos desertos”: “O avanço de novas tecnologias sempre pode ser um vetor que acirre as desigualdades, mas os países estão atentos a esses fatores. […] O Brasil já tem praticado conhecimento e inteligência artificial para determinados setores que são chave para o Brasil, como saúde e educação.”

Edição:

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 226 Michelle Bolsonaro e o voto das mulheres conservadoras – com Jacqueline Teixeira

Antropóloga Jacqueline Teixeira analisa a atuação das mulheres conservadoras na política

0:00

Notas mais recentes

Estudantes brasileiros são ameaçados de morte após Argentina perder a Copa


Corrida eleitoral: partidos já podem oficializar candidaturas; vice de Flávio é incógnita


Caso Rafael: Após morte, MPF instaura investigação criminal contra plataformas de bets


MP do Pará apura denúncias de perseguição de delegado contra casal de policiais lésbicas


Proposta sobre Big Techs será tema na Câmara e governo corre para negociar 6×1 no Senado


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Flávio Bolsonaro chora em conveção do PL

As lágrimas de Flávio Bolsonaro e o aceno eleitoral do filho de Jair às mulheres

|

Com menos apoio no eleitorado feminino que Lula, Flávio destaca esposa em meio a tensões com Michelle

Letalidade policial na Baixada Fluminense dispara em 2025, mesmo com queda nas operações

|

Região com 13 municípios foi alvo de 5.298 operações policiais em cinco anos, segundo pesquisa; 282 pessoas foram mortas
Viatura da Polícia Militar da Bahia está parada em via pública.

As duas faces das mortes violentas no Brasil: feminicídios e ações policiais

|

Uma em cada seis mortes violentas foram causadas por policiais; Nordeste concentra as 10 cidades com maiores índices

Tarifaço: Como a medida de Trump divide trabalhadores e empresários do setor de calçados

|

Sindicatos contestam pessimismo de entidades patronais, mas dados mostram desafios que ultrapassam Estados Unidos

Jornalistas e imprensa sofreram 204 ataques em 2025, aponta relatório da Abraji

|

Tipo mais comum de ataques foram insultos verbais, escritos e digitais, seguidos por agressões físicas
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante missa em homenagem à padroeira do Brasil

Por que a imagem de Jair Bolsonaro com evangélicos não cola em Flávio

|

Católico, Jair conseguiu ser visto como enviado de Deus, mas o filho sofre resistência dos evangélicos

Ludopatia: O longo caminho da ajuda na visão de quem lida profissionalmente com as bets

|

Como saber quando o jogo é um problema, o desafio do tratamento e o influenciador que divulgou (e se viciou) em bets