Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Artigo

| De olho | Cunha vai acionar o STF contra cassação

Na volta do recesso parlamentar, deputado afastado tenta deixar análise do seu caso no plenário da Câmara para depois das eleições municipais; Senado retoma processo do impeachment

Artigo
31 de julho de 2016
18:00
Este artigo tem mais de 10 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou à presidência da Câmara.

Na volta do recesso parlamentar, a situação do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua como ameaça à pauta de votações da Casa. Apesar de o seu sucessor na presidência, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmar que pretende pautar a cassação do parlamentar afastado ainda na segunda semana de agosto, Cunha prepara um novo ato para tentar atrasar, mais uma vez, a decisão do plenário.

Desta vez, o advogado Marcelo Nobre vai protocolar um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) apontando falhas procedimentais na análise do processo de quebra de decoro parlamentar contra Eduardo Cunha, no Conselho de Ética e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Os pontos questionados são os mesmos defendidos pela equipe de defesa do deputado na CCJ, em junho.  À época, Cunha alegou impedimento do relator do Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO), e reclamou da votação feita com chamada nominal na sessão que aprovou o parecer pela perda de mandato. A alegação é que o procedimento causava o chamado “efeito manada”, no qual a declaração de votos influenciaria nas demais decisões.

Quando acionado em decisões anteriores, o STF preferiu se manter afastado e não interferir no andamento das questões da Casa. Entretanto, como não existem mais recursos possíveis para recorrer na Câmara, Cunha aposta no pedido de intervenção judicial para evitar que sua cassação seja votada neste mês. A ideia do parlamentar é prorrogar a votação para depois das eleições municipais.

Combate à corrupção

A comissão especial que analisa o projeto com medidas de combate à corrupção (PL 4850/2016) pretende ouvir o juiz federal Sergio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato em primeira instância, na quinta-feira (4). O relator das proposições, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e o presidente do colegiado, Joaquim Passarinho (PSD-PA), estiveram em Curitiba, no Paraná, na última semana e fizeram questão de entregar o convite a Moro pessoalmente.

Apesar da expectativa de receber o juiz, antes, na terça-feira (2), a comissão vai se reunir para apresentação do roteiro de trabalho proposto pelo relator; para eleger o 2º e o 3º vice-presidentes e deliberar sobre os requerimentos entregues à Secretaria do colegiado. Seis deles pedem o convite ao juiz federal. O procurador Deltan Dallagnol, também da força-tarefa da Lava Jato, vai participar de audiência pública promovida pela comissão em 9 de agosto.

De acordo com o relator, é imprescindível a participação de outras entidades envolvidas no tema. Lorenzoni afirma que vai “buscar todos que possam contribuir para que o Brasil possa enfrentar essa guerra contra a corrupção”. “Precisamos ter armas suficientes para fazer do Brasil um país onde cada cidadão, por mais poderoso ou mais simples que seja, saiba que o limite é a lei”, destacou o deputado à Agência Câmara.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, antecipou que entre as prioridades da Casa no retorno do recesso parlamentar estão a votação do projeto de renegociação das dívidas dos estados (PLP 257/16) e a proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para os gastos públicos (PEC 241/16).

A reunião de líderes, normalmente realizada no início da tarde das terças-feiras, será antecipada para esta segunda-feira (1º), com o objetivo de que seja alcançado um acordo sobre a pauta de votações. A intenção do presidente é que aconteçam sessões deliberativas na segunda, terça e quarta-feira de manhã.

Impeachment

No Senado, as reuniões da comissão que analisa o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff terão continuidade. Na terça-feira (2), o relator Antônio Anastasia (PSDB-MG) vai fazer a leitura do parecer. Na quarta (3), senadores iniciam a discussão do relatório para que, na quinta-feira (4), seja realizada a votação do texto pelo colegiado.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) já confirmou que aliados da presidente afastada vão apresentar votos em separado para contestar o relatório final. Ela disse ainda que vai apresentar dois requerimentos antes da leitura do parecer. De acordo com a senadora, há fatos novos que precisam ser considerados.

A ideia é que na sexta-feira (5) o relatório seja lido no plenário da Casa, encerrando a fase de pronúncia do impeachment. Caso a decisão seja a favor da continuidade do processo, Dilma Rousseff será submetida ao julgamento final pelo Senado.

Esse rito, se acontecer, será comandado pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Se o entendimento de 54 senadores, no mínimo, for de que a presidente cometeu crime de responsabilidade, ela será afastada do cargo em definitivo e ficará inelegível para mandatos públicos por oito anos. Se os 54 votos não forem alcançados, a presidente reassume o cargo e o processo é arquivado.

Agenda Brasil

No Senado, as pautas prioritárias envolvem, principalmente, a análise das propostas da Agenda Brasil, apresentada pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) em setembro de 2015. Entre elas está a legalização dos jogos, matéria pronta para votação em plenário desde junho.

Também está na ordem do dia do Senado o projeto (PRS 84/2007) de autoria do ministro José Serra (PSDB-SP) que estabelece limite para a dívida consolidada da União, assim como já existe para estados e municípios.

Outras duas propostas de emenda à Constituição (PEC) esperam análise do plenário: uma delas (PEC 46/2013) disciplina a instituição de consórcio público, com personalidade jurídica de direito privado, constituído mediante iniciativa da União e adesão voluntária dos estados e do Distrito Federal, com o objetivo de atuar exclusivamente no âmbito do Sistema Único de Saúde e na atenção básica à saúde. A segunda (PEC 110/2015) estabelece percentuais máximos de cargos em comissão. De acordo com Aécio Neves (PSDB-MG), autor do texto, a PEC tem o objetivo de reduzir a máquina pública e torná-la mais eficiente e qualificada tecnicamente.

Foto em destaque: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 231 Lula e Trump: entre a crise e a negociação – com Celso Amorim

Ex-chanceler e Assessor especial da Presidência analisa a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA

Como a caça conservadora ao voto feminino alimenta a violência contra a mulher

|

Fragilidade, hormônios e até intelecto: movimento tenta reduzir papel da mulher em ação violenta que começa no discurso

Com auxílio-reclusão restrito, famílias de encarcerados gastam R$ 4 bi por ano em visitas

|

Enquanto uma visita a presídio chega a custar mais de mil reais, Lei Antifacção diminui o acesso a benefício

Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun

|

Órgão agora cobra análise de 20 comunidades ignoradas e quer suspender licença retomada na Justiça em fevereiro de 2026

Imagem mostra ícones dos aplicativos de redes sociais da Meta em celular

Meta usa influenciadores para direcionar debate sobre proteção a crianças nas redes

|

No Brasil, empresa promove ideia de que as suas ferramentas são melhor que leis que proíbam o acesso dos mais jovens

Eleitores gerados por IA fazem campanha no TikTok e põem em xeque regra do TSE

|

Vídeos criados com IA em que eleitores declaram seus votos para presidente têm 7,4 milhões de views no TikTok

O método: como a extrema direita ataca professores para engajar eleitores

|

Gravações clandestinas e ataques online evidenciam como docentes são explorados politicamente desde 2022