Buscar
Nota

Pressão em Motta, elogio a Fux e vice do DF em selfies marcam ato bolsonarista por anistia

8 de maio de 2025
12:54
Este artigo tem mais de 1 ano

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Apesar da exaltação do pastor Silas Malafaia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux e das críticas do senador Magno Malta (PL-ES) contra a Suprema Corte – chamada por ele de “consórcio do mal” e “cooperativa da maldade” –, o ato em defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro em Brasília, nesta terça-feira (7), se voltou a pressionar a Câmara dos Deputados para acelerar a pauta, em especial o presidente Hugo Motta (PP-PB).

A reportagem da Agência Pública acompanhou a manifestação e ouviu, por exemplo, o senador Márcio Bittar (União-AC) dizer, em um caminhão de som, que “brasileiros estão sendo condenados por um crime que não cometeram” – ignorando as evidências reunidas pela Polícia Federal contra os acusados por invadirem e depredarem as sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023 na capital federal.

Imagem mostra Bolsonaro em trio elétrico durante ato pró-anistia para os condenados pelo 8 de janeiro
Bolsonaro confirmou presença horas antes do início do ato, que se concentrou em frente à Torre de TV em Brasília no fim da tarde de 7 de maio.

Na ocasião, nenhum familiar ou associação representante dos presos falou ao microfone, apenas políticos e pastores. Breves, os discursos antecederam a fala de Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe desde março. O ex-presidente agradeceu a presença dos apoiadores e clamou pela anistia dos presos, que também pode beneficiá-lo. Bolsonaro confirmou presença horas antes, menos de uma semana após ter recebido alta hospitalar de uma cirurgia intestinal.

“A anistia é um ato político e privativo do parlamento brasileiro. O parlamento votou, ninguém tem que se meter em nada: tem que cumprir a vontade do parlamento, que representa a vontade da maioria do povo brasileiro”, afirmou o ex-presidente.

Nas ruas, amontoaram-se pessoas usando trajes militares, camisetas personalizadas com a bandeira do Brasil ou dizeres a favor do agronegócio e manifestantes com camisetas da seleção brasileira de futebol, além de casais de aposentados e assessores dos parlamentares presentes. Um dos participantes usou um macacão verde amarelo com bordados do estado de Mato Grosso do Sul e uma máscara do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde a concentração no gramado logo em frente ao Eixo Cultural Ibero-Americano, no Eixo Monumental em Brasília, a organização do evento – a cargo do pastor da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia – pedia aos manifestantes que dispersassem ao término do ato, antes do cair da noite na capital federal. “Isto aqui não é uma manifestação”, dizia o locutor ao microfone.

Vice do DF posou para selfies e abraçou parlamentares

Ao fim do ato, a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que também participou do ato pró-anistia de abril em São Paulo, posou sorridente para selfies com manifestantes. Ela estava ao lado de policiais armados que protegiam a avenida José Sarney, que separa a Esplanada dos Ministérios do Congresso Nacional.

À Pública, Leão reforçou sua posição a favor da anistia, mas se disse “contrária a qualquer tipo de violência”. Logo após, disse que “ninguém é a favor da impunidade”: “a maioria da população condenou a invasão, mas uma parte considera as penas injustas.”

Ato pró-anistia para os condenados pelo 8 de janeiro
Frases personalizadas e fantasias evidenciaram o apoio dos manifestantes a Donald Trump e o foco nas eleições do próximo ano.

A vice-governadora também abraçou parlamentares da extrema direita que saíam do evento em direção ao Congresso Nacional, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) – ovacionado durante sua breve fala cobrando que Hugo Motta faça o projeto da anistia avançar.

Parlamentares isentam Senado

Presente no ato, o deputado federal Eliéser Girão, o General Girão (PL-RN), disse à Pública que “não iria se calar”, criticando o Judiciário pelo processo que o condenou a pagar R$2 milhões, e citou a Anistia Geral de 1979, promulgada pela ditadura militar – “aquela anistia serviu para os dois lados… o país precisa ser pacificado”. Girão foi condenado pela Justiça Federal por danos morais coletivos por incentivar atos antidemocráticos durante a crise golpista de 2022.

“Muitos dos que estão aqui hoje também estavam no 8 de janeiro, fazendo a ‘movimentação’, mas tiveram sorte de ir dormir em casa, ao contrário de muitos que não eram daqui e foram dormir no QG [Quartel General do Exército] e acabaram presos”, disse Girão.

Ato pró-anistia para os condenados pelo 8 de janeiro
Frases personalizadas e fantasias evidenciaram o apoio dos manifestantes a Donald Trump e o foco nas eleições do próximo ano.

À Pública, o senador Jorge Seif (PL-SC) disse que a bancada bolsonarista na Casa aguarda uma solução. “É um problema da Câmara. Quando for problema nosso, lá no Senado, aí sim a gente discute”, afirmou. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), seguiu a mesma linha: “não conheço o projeto que está sendo gestado. Quando ele for apresentado, a gente se pronuncia”.

Edição:
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública
Caio de Freitas/Agência Pública

Notas mais recentes

Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições


Aposta online: 12 dos 17 parlamentares da Bancada das Bets seguem mais 4 anos no Congresso


Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas


Morta por PMs, juíza Patrícia Acioli “humilhava policiais”, disse Flávio Bolsonaro em 2011


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado
Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas
Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar
Imagem feita com auxílio de IA mostra o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) e o cartaz do Filme Dark Horse

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

|

A Hollywood-style film about Jair Bolsonaro is wrapped up in Brazil’s biggest bank fraud probe