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Irã: EUA e Israel atacam país por ordens de Donald Trump

28 de fevereiro de 2026
11:51

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O sábado, 28 de fevereiro, começou com um ataque conjunto dos Estados Unidos (EUA) e de Israel ao Irã. A operação tem um nome com a ‘assinatura’ de Donald Trump: “Fúria Épica”. O próprio presidente descreveu a ação como um combate em larga escala contra “o regime iraniano, um grupo cruel de pessoas muito duras e terríveis” e disse que o objetivo é “defender o povo americano”, afirmou em vídeo publicado neste sábado.

Os bombardeios atingiram instalações militares iranianas. A apuração do New York Times apontou que edifícios do governo iraniano também teriam sido atingidos. Ao fim do dia, o governo iraniano confirmou a morte do líder iraniano aiatolá Ali Khamenei. Outros líderes do país também foram mortos, como o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh. Os ataques também causaram pânico entre os moradores da capital. Reportagem do The Guardian aponta que, de acordo com a mídia estatal, um ataque a uma escola para garotas em Minab, no sul do país, matou quase 150 pessoas.

No vídeo, Trump justificou o bombardeio, citando ataques do Irã contra bases e grupos militares dos EUA desde os anos 2000. Ele também citou vítimas do país entre os atingidos pelos ataques do Hamas contra Israel em 2023, associando o grupo ao governo iraniano.

No mesmo pronunciamento, Trump diz aos militares iranianos, às forças policiais do país e à guarda iraniana que “baixem suas armas e terão imunidade completa ou, na alternativa, encarem morte certa. Então, baixem suas armas, vocês serão tratados justamente, com total imunidade, ou irão encarar morte certa”. Depois, Trump diz ao povo iraniano que, quando os EUA estiverem terminando os ataques, deverão tomar o poder.

Os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações do Irã em junho do ano passado. Na época, o governo Trump afirmou que os ataques haviam “obliterado” o programa nuclear iraniano. Apesar disso, há semanas Trump tem dito que atacaria o país caso o programa nuclear não fosse abandonado. “Eles nunca poderão ter uma arma nuclear”, disse Trump no vídeo publicado hoje, afirmando que irão “obliterar” novamente a força militar do país, citando a indústria de mísseis e a marinha iraniana.

Em 2025, quando Israel atacou o Irã, o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, estava buscando, sem sucesso, convencer Trump a se juntar aos ataques. “Antes de atacar o Irã, Netanyahu havia estado duas vezes em Washington, onde tentou, sem sucesso, obter apoio irrestrito da Casa Branca para um ataque ao país. Trump não só se mostrou evasivo, como, na sequência, engatou uma viagem ao Golfo Pérsico para conversar com os países árabes da região, à revelia de Israel”, analisou João Paulo Charleaux na Agência Pública em junho. “Israel decidiu puxar a pistola”, escreveu.

Em nota, o governo do Brasil afirmou que “condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã”. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região” e acrescentou que o “Embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, a fim de transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança”.

Em editorial, o New York Times lembrou a promessa eleitoral de Trump, há dois anos, de que ele terminaria guerras, não as começaria. E também que o presidente não teria envolvido o Congresso nessa decisão de hoje, que chamou de “imprudente” e de desrespeito às leis nacionais e internacionais de guerra.

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