Buscar
Nota

Jorge Messias no STF acena para evangélicos, mas levanta dúvidas sobre direito ao aborto

20 de outubro de 2025
18:00
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O direito ao aborto é uma das principais dúvidas que recaem sobre o posicionamento do provável novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Rodrigo Araújo Messias. Ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) e próximo de Lula (PT), ele é evangélico batista, embora seja considerado uma figura “de esquerda”.

Antes de se aposentar, no dia 17 de outubro, o ex-ministro do STF, Luís Roberto Barroso, deixou o segundo voto a favor da descriminalização do aborto voluntário nas primeiras 12 semanas de gestação, que ainda não tem maioria formada na Corte. Apesar de que o substituto de Barroso está impedido de votar neste julgamento, ainda há outros processos em andamento que tratam do direito ao aborto.

Um deles é a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 989, que estava sob relatoria de Barroso, no qual quatro entidades da sociedade civil pedem ao Supremo que determine a adoção de providências para garantir o aborto em hipóteses permitidas pelo Código Penal e no caso de gestação de anencéfalos.

Discreto, Messias não costuma fazer declarações sobre temas que levantam polêmicas. Porém, à frente da AGU, agiu contra a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proibia a assistolia fetal [um procedimento para interromper a gravidez]. Em junho do ano passado, um ofício assinado por ele e enviado ao STF, afirmava que a resolução era inconstitucional. “A indução de assistolia fetal é o procedimento recomendado para a realização do aborto legal, especialmente nas gravidezes com tempos gestacionais avançados”, dizia o texto. A Agência Pública pediu um posicionamento de Messias sobre a descriminalização do aborto, por meio da AGU. A reportagem será atualizada quando a resposta for recebida.

Messias, que é diácono da Igreja Batista Cristã de Brasília, é visto como alguém que tem boa interlocução com setores mais conservadores. Tanto que foi destacado para participar, como representante do governo Lula, da Marcha para Jesus, em junho deste ano. O evento é organizado em São Paulo pelo Apóstolo Estevam Hernandes e a Bispa Sônia, da Igreja Renascer em Cristo, que são muito próximos do ex-presidente Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com Jorge Messias no STF.

Se assumir a vaga no STF, ele será o segundo ministro evangélico na Corte, ao lado de André Mendonça, que é presbiteriano e foi indicado por Bolsonaro. Para a pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), Lívia Reis, a possível dobradinha evangélica “é um sinal dos tempos”. “Temos 30% da população do país evangélica. Então, isso acaba alcançando todos os estratos da sociedade”, considera.

Para ela, uma indicação de Messias é também “um claro movimento político de resgate com o campo evangélico”. “É um sinal de uma tentativa de Lula para indicar à população evangélica que ele está atento a isso, porém, colocando uma pessoa que tem posicionamentos mais conectados com o campo progressista. Isso faz parte também de uma disputa sobre o que é ser evangélico na sociedade hoje, porque o evangelicalismo é lido necessariamente como um conservadorismo. Então, colocar uma pessoa evangélica mais ligada com pautas progressistas é também ressignificar esse lugar.”

Edição:
Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

Notas mais recentes

PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras


Prevenção sem repressão: Fóruns populares levam pauta de segurança pública a candidatos


Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Contando com memória curta do eleitor, candidatos antes cassados voltam às urnas em 2026

|

Políticos cassados no passado tentam reconquistar votos beneficiados por leis, decisões da Justiça ou até pelo tempo

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições

Resgates de pessoas em condição de escravidão caem no Brasil, mas disparam em SP, diz CPT

|

Em 6 meses de 2026, o estado teve mais pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão que em todo o ano passado

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA

Como a caça conservadora ao voto feminino alimenta a violência contra a mulher

|

Fragilidade, hormônios e até intelecto: movimento tenta reduzir papel da mulher em ação violenta que começa no discurso

Com auxílio-reclusão restrito, famílias de encarcerados gastam R$ 4 bi por ano em visitas

|

Enquanto uma visita a presídio chega a custar mais de mil reais, Lei Antifacção diminui o acesso a benefício

Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun

|

Órgão agora cobra análise de 20 comunidades ignoradas e quer suspender licença retomada na Justiça em fevereiro de 2026
Imagem mostra ícones dos aplicativos de redes sociais da Meta em celular

Meta usa influenciadores para direcionar debate sobre proteção a crianças nas redes

|

No Brasil, empresa promove ideia de que as suas ferramentas são melhor que leis que proíbam o acesso dos mais jovens