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Os desafios de Teresa Leitão, primeira mulher líder do governo no Senado

26 de junho de 2026
15:02

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A primeira mulher eleita senadora pelo estado de Pernambuco, também se tornou a primeira mulher líder do governo no Senado Federal. Teresa Leitão (PT-PE) foi escolhida por Lula ao cargo deixado por Jaques Wagner (PT-BA) na última quarta-feira, 24 de junho. Wagner é alvo de uma operação da Polícia Federal sobre o banco Master. Além de contornar o desgaste político das investigações envolvendo o antecessor, a nova liderança tem o papel de articular o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 – matéria parada no Senado há dois meses.

Junto com a representatividade feminina – grande cobrança da base social petista -, a senadora acumula outros pontos estratégicos ao governo: está no meio do mandato de oito anos e não concorrerá à reeleição em 2026. Por isso, teria mais tempo para atuar nas pautas governistas sem tanta preocupação com possíveis desgastes à imagem dela.

“Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros”, anunciou Lula por meio da rede social X (antigo twitter).

O fim da 6×1 e a resistência de Alcolumbre

A senadora é considerada figura com bom trânsito no parlamento e de postura conciliatória. Um perfil classificado como crucial nos corredores do Congresso Nacional diante da resistência do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-Amapá), em avançar com a PEC que põe fim à jornada de trabalho 6×1.

A discussão na Câmara intensificou-se nos últimos dois anos até a aprovação final do texto, no dia 28 de maio, em dois turnos, mas a proposta inicial foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O tempo de tramitação foi base da justificativa de Alcolumbre, que declarou publicamente ser necessário mais tempo para debater a pauta no Senado e que, por isso, não pode acelerar o processo de votação tanto nas comissões quanto no plenário.

Vários interesses, no entanto, envolvem a decisão do senador amapaense. Entre eles, o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O setor industrial é contrário à PEC e a favor de um texto alternativo que estabeleça uma jornada por hora trabalhada a partir da negociação entre empresa e funcionário.

Outro fator determinante é a campanha de reeleição à presidência do Congresso. Para se reeleger, Alcolumbre precisa do apoio de senadores contra a matéria, a exemplo de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa e coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

A estagnação da proposta também está ligada aos desgastes entre o Governo Federal e a presidência do Senado. Mesmo com indicações em cargos estratégicos do Executivo, como o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, Davi Alcolumbre atuou intensamente para a rejeição no Senado, em 29 de abril, do nome do Advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Messias foi uma escolha pessoal de Lula, que viu – apontam correligionários do petista – o resultado como um sinal de rompimento de relações.

Nesse contexto, a missão de intermediar uma possível reconciliação foi sinalizada por Teresa Leitão numa publicação no X: “Atuarei para fortalecer a articulação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares, especificamente os líderes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contribuindo para a construção de consenso e para o avanço das pautas de interesse do governo e do povo brasileiro”, frisou ela.

O senador Paulo Paim (PT-RS) acredita que uma articuladora diferente pode facilitar nas pautas que estão travadas no Senado. “Falei com ela ainda hoje sobre a importância de conversamos com o presidente Lula sobre a 6 por 1 e ela disse que na segunda-feira estará na pauta esse assunto. (…) não dá para negar que o [senador] Jaques [Wagner] é um bom articulador também. Agora, a partir do momento que deu aquele impasse com o Messias, meio que complicou a vida dos articuladores do governo com o próprio Davi. E ficou uma situação complicada que ninguém entendeu muito o que aconteceu e criou um certo desgaste geral. E ela [Teresa Leitão] entra nessa hora como alguém que tem uma visão clara do que é a democracia”, destacou o colega de bancada.

PT foi primeira e única filiação

Teresa Leitão tem 74 anos e é formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Sua primeira e única filiação política aconteceu em 2000, quando passou a integrar o PT. Com o apoio da legenda, foi eleita em 2002 para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e reeleita por cinco mandatos até a eleição ao Senado, em 2022.

Na atuação estadual, ficou conhecida por defender pautas progressistas, como protagonismo feminino na política e educação pública de qualidade. Durante o tempo na Alepe, participou das comissões de Educação e Cultura; Direito da Mulher; Administração Pública; Ciência; Tecnologia e Informática.

A atuação em favor da educação seguiu no mandato de senadora. Desde 2023, Leitão protocolou, como autora e coautora, 25 projetos de lei e 18 PECs. Entre as iniciativas, está o PL 4.414/24, que estabelece concurso público específico a professores de educação indígena, do campo e quilombola. O texto foi aprovado em sessão terminativa na Comissão de Educação do Senado – sem a necessidade de apreciação em plenário – e aguarda a deliberação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) para virar lei.

Texto atualizado em 26/06/2026 às 17h44 para inserir uma fala do senador Paulo Paim (PT-RS) à Pública.

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