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Violência policial contra negros matou mais de 8 pessoas por dia em 2025, aponta estudo

2 de julho de 2026
11:08
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Entre as 4.330 vítimas da letalidade policial de 2025 em nove estados brasileiros, 3.104 eram negras, ou seja, 71,7%. O número total de vítimas é 6,4% maior na comparação com 2024, quando a violência policial causou 4.068 mortes no total. Os registros são do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Isso significa que, na média, pelo menos 8 pessoas negras foram mortas pela polícia nesses estados no ano passado. 

A faixa etária mais atingida, considerando a soma dos nove, é dos 18 aos 39 anos, com 79% do total, e concentração entre os 18 aos 29, com 57,6%. As vítimas são “em sua imensa maioria” do gênero masculino, segundo o relatório “Pele Alvo” elaborado pela Rede de Observatórios da Segurança. Um exemplo é o Estado do Amazonas que em 2025 registrou 100% de vítimas homens.  

O relatório acompanha os mesmos estados desde 2019 e, segundo seus pesquisadores, não é possível falar em avanço. “Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas”, afirma Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança.

Em 2025, 312 crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos de idade foram atingidos pela violência policial nos estados monitorados pelo estudo. Duas delas, no Rio de Janeiro, tinham entre 0 e 12 anos. O número aponta um crescimento de mortes entre crianças e jovens, uma vez que em 2024 o total foi de 298 vítimas, uma entre 0 e 12 anos, também atingida por operação policial no Rio de Janeiro. 

“Chamamos atenção para a perversidade com que o Estado, da forma mais diretamente violenta, tem incidido sobre as juventudes negras periféricas. Quando colocamos em perspectiva a definição de “mortes decorrentes da intervenção policial” — casos em que civis morrem em confrontos com policiais — e há duas vítimas de 0 a 11 anos registradas, por exemplo, constatamos que o modelo de segurança, o contexto em que essas mortes são orquestradas, como são encaradas e investigadas, precisam urgentemente de uma mudança efetiva”, afirma o relatório assinado pela rede que reúne diversas entidades de pesquisa em segurança pública.

Em números absolutos, a Bahia teve o maior número de mortes em 2025, 1.243, mais de três vítimas negras da violência policial por dia. Na sequência estão o Rio de Janeiro, com 588 mortes, o Pará, com 516 e São Paulo, 499 vítimas. A taxa de crescimento, na comparação com 2014, foi maior no Maranhão, que passou de 14 mortes em 2024, para 59 no ano passado. Nos estados em que a taxa caiu, os números seguem altos. A Bahia, por exemplo, registrou 1.298 vítimas em 2024, ou seja, ocorreu uma diminuição nas mortes. 

Cresce o número de vítimas jovens na Bahia e no Rio de Janeiro 

A Bahia também foi o estado que apresentou o maior aumento de mortes entre pessoas negras de 18 a 29 anos. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 409 mortes em 2025, superando as 363 mortes em 2024. Outros que tiveram aumentos nessa faixa etária foram Maranhão, Pernambuco, e São Paulo.

A diferença de como a violência policial afeta pessoas negras, idependente da idade, é evidenciada no relatório pela diferença entre a proporção de negros que foram mortos pela polícia em 2025 e o número de pessoas negras na população geral. O Rio de Janeiro é o estado, entre os monitorados pelo estudo, onde essa diferença entre vítimas (88,55%) e população (57,8%) é maior, com uma diferença de praticamente 31 pontos percentuais. Na sequência vem Pernambuco, com 94,4% das vítimas negras e 65,3% da população, uma diferença de 29 p.p. 

“Com base nas taxas de mortes decorrentes de intervenção policial por 100 mil habitantes, calculadas separadamente para a população negra e branca, observou-se que, na média dos estados monitorados, pessoas negras sofrem quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que as pessoas brancas”, destaca o relatório. 

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