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Reportagem

O banco HSBC e seu papel controverso no Egito de Mubarak

O HSBC está sendo acusado de ter ajudado a enriquecer autoridades e empresários egípcios hoje investigados por corrupção

Reportagem
1 de junho de 2011
17:36
Este artigo tem mais de 15 anos

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Mais de uma dúzia de ex-aliados do presidente deposto, Hosni Mubarak, estão sendo investigados pela justiça, por conta de alegações de que terras e indústrias estatais foram vendidas a preços irrisórios num processo de privatização descrito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como pouco transparente.

Uma pesquisa feita pelo centro de jornalismo investigativo Bureau concluiu que o HSBC:

■ arrecadou mais de £450 milhões de libras (mais de 1,2 bilhão de reais) para dois dos maiores e mais controversos empreiteiros egípcios – hoje, investigados na justiça por escândalos de corrupção;

■ era o banco de investimentos europeu mais ativo no Egito durante o regime Mubarak;

■ tinha no seu quadro de diretores para o Egito dois membros que em 2004 se tornaram ministros de Mubarak, encarregados de supervisionar as privatizações.

O envolvimento do banco com esses magnatas egípcios levanta questões sobre o papel do seu ex-presidente, Lorde Green, que em janeiro foi nomeado ministro de comércio e investimento do Reino Unido pelo primeiro-ministro conservador David Cameron.

Negócios obscuros

O HSBC foi inclusive fiador de uma das empresas de desenvolvimento imobiliário mais controversas do Egito, a Palm Hills Developments. As ações oferecidas arrecadaram £77 milhões de libras (cerca de 193 milhões reais) em março de 2010.

O ex-ministro de habitação egípcio, Ahmed el-Maghrabi, e o seu primo, o ex-ministro de transportes Mohamed Mansour, são acionistas da empresa que é dona da Palm Hills, a segunda maior empreiteira do Egito. O irmão de Mansour é presidente da Palm Hills.

Em abril, um tribunal egípcio considerou ilegal um empreendimento residencial luxuoso de 960 mil quilômetros quadrados, construído em terreno que pertencia ao governo.

O condomínio Palm Hill é bem charmoso. Mas o terreno foi vendido pelo Estado em 2006, quando Maghrabi – que agora está preso e aguarda julgamento – era ministro.

Ele é acusado de ter transferido impropriamente o terreno, através de uma empresa estrangeira que o desvalorizou para a venda.

Anos depois, em outubro de 2009, o empreendimento Palm Hills foi avaliado em £4,1 bilhões de libras – mais de dez bilhões de reais.

O HSBC também foi consultor do grupo Talaat Moustafa (TGM), dirigido por um ex membro do parlamento Egípcio, preso em 2009 por assassinato.

O TMG, que detém o hotel de luxo Four Seasons na cidade de Sharm el-Sheikh, é a maior empreiteira do Egito.

O grupo também é dono de projeto de 33,6 milhões de libras (cerca de 84 milhões de reais) que hoje está no centro das alegações de corrupção do ex governo Mubarak.

Em 2007, o HSBC foi coordenador e fiador de uma venda de ações do TMG, ajudando-o a arrecadar £400 milhões de libras (cerca de 1 bilhão de reais).

No mesmo ano, o HSBC agiu como consultor financeiro e coordenador de um negócio que arrecadou £52 milhões de libras (cerca de 130 milhões de reais) para o banco estatal Egyptian Arab Land Bank.

Em um comunicado, o HSBC afirmou: “Cada uma dessas transações … foi submetida a uma criteriosa avaliação para seguir padrões internacionais de regulação. Isso é a norma na política do HSBC em cada transação da qual participa. Nenhuma dessas empresas estavam sob sanções do governo Egípcio, da ONU, dos Estados Unidos ou da União Européia na época. O Egito não estava sob sanções”.

Engi M El Haddad, diretor da respeitada ONG anti-corrupção egípcia Afro-Egyptian Human Rights Organisation, disse: “Como o HSBC era comprovadamente o banco de muitas das figuras egípcias que foram denunciadas, e como muitos dos negócios eram extremamente suspeitos, isso é com certeza motivo para preocupação”.

Enquanto presidente do HSBC, Lord Green, hoje ministro do comércio britânico, buscou aprofundar ligações com figuras do alto escalão do regime egípcio. Em 1998, ele foi co-diretor do Conselho Egípcio-Britânico de Negócios, um grupo de alto nível que tratava diretamente com os então primeiros-ministros Tony Blair e Kamal Ganzouri.

O ex-ministro de investimento egípcio, Mahmoud Mohieldin, responsável pelas privatizações por seis anos, até 2010, foi diretor do HSBC no Egito antes de entrar no governo – assim como Rachid Mohamed Rachid, que foi ministro do comércio.

Leia a reportagem original, em inglês.

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