AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

Parlamentar distorce informações ao acusar PT de desempregar 14 milhões

Para Pauderney Avelino, do DEM, todas as pessoas sem trabalho atualmente foram resultado dos governos Lula e Dilma

Dilma Rousseff participa de ato político em Salvador

Dilma Rousseff participa de ato político em Salvador. Foto: Roberto Stuckert Filho

“Nós queremos dar emprego aos quase 14 milhões de desempregados que o governo do PT colocou na rua.” – Pauderney Avelino (DEM-AM), deputado federal, em discurso no plenário da Câmara no dia 26 de abril.

Deputado federal pelo DEM de Amazonas, Pauderney Avelino (DEM) afirmou, em discurso durante discussão da reforma trabalhista na Câmara, que o governo do PT seria responsável por colocar na rua “quase 14 milhões de desempregados”. Procurada pelo Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, a assessoria do deputado afirmou que o dado apontado pelo deputado está disponível em diversas agências de notícias e que a fonte primária e oficial seria o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, referente ao primeiro trimestre de 2017, estimou em 14,17 milhões o número de pessoas desocupadas no Brasil. O número é similar ao apontado pelo deputado, que falou em “quase 14 milhões”. Segundo a metodologia do IBGE, são classificadas como desocupadas as pessoas não ocupadas que tomaram alguma providência efetiva para conseguir um trabalho no período da pesquisa. O número equivale a 13,7% da População Economicamente Ativa brasileira.

Entretanto, não é correto afirmar que o “governo do PT colocou na rua” este contingente. O impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) ocorreu em agosto de 2016. No trimestre em que aconteceu a destituição, que vai de julho a setembro de 2016, a população desocupada no Brasil era menor: 12,02 milhões de pessoas. Em termos porcentuais, o número representava 11,8% da população. O número aumentou cerca de 1% a cada trimestre desde esse período, chegando às mais de 14 milhões de pessoas no trimestre mais recente, que se encerrou em março de 2017.

Além disso, é importante destacar que o número de desempregados que surgiram no governo do PT também não corresponde a 12 milhões de pessoas. Isso porque, quando o partido assumiu, já existiam cidadãos desocupados no país. Como o desemprego registrado no Brasil nunca foi nulo, não é correto afirmar que o governo petista é responsável por todos os desempregados registrados nas pesquisas feitas ao final do governo Dilma.

Por conta de diferenças de metodologia, não é possível comparar os números do final do governo PT com os dados do IBGE de 2003, quando Lula assumiu, ou de 2011, quando Dilma iniciou seu primeiro mandato. A Pnad, pesquisa usada atualmente para indicar o índice de desemprego no país, só assumiu seu formato atual em 2012. Até então, a pesquisa do IBGE que avaliava desocupação era a Pesquisa Mensal do Emprego (PME), realizada em apenas seis capitais brasileiras. A PME, que foi realizada até fevereiro de 2016, só coletava dados em seis regiões metropolitanas. De acordo com a assessora de imprensa do órgão, Adriana Saraiva, o IBGE era muito cobrado pelas lacunas que essa pesquisa trazia. Os dados das seis capitais selecionadas na pesquisa não refletiam o cenário geral do país, já que ela não abarcava informações sobre o desemprego rural, além de fenômenos regionais.

De acordo com estatísticas da PME, a taxa de desocupação em janeiro de 2003, quando Lula assumiu, era de 11,2%. No final de seu primeiro mandato, em 2006, o índice estava em 8,4%. No segundo mandato, o índice começa em 9,3% em 2007 e se encerra em 5,3% em dezembro de 2010.

Já o mandato de Dilma se inicia em janeiro de 2011, com uma taxa de 6%, e acaba com uma taxa de 4,3%, em dezembro de 2014. O segundo mandato da petista tem início em janeiro de 2015, com índice de 5,3%. Em fevereiro de 2016, seis meses antes do impeachment, a PME é suspensa. O índice registrado no último mês da pesquisa foi de 8,2%.

O deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM), em reunião na Câmara

O deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM), em reunião na Câmara. Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Portanto, é incorreto afirmar que o governo do PT é responsável por “colocar na rua” um total de “quase 14 milhões de desempregados”. A afirmação foi classificada como distorcida, pois os dados foram usados na frase para produzir uma falsa interpretação da realidade.

Entenda mais sobre a metodologia e sobre os selos de classificação adotados pelo Truco no site do projeto. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org.

Atualização (08/05, às 14h05): Texto corrigido para deixar mais claro que os 13,7% de desempregados referem-se à População Economicamente Ativa.

Tags: , , , , , , , ,

Comentários

Opte por Disqus ou Facebook

  • Carlocarlus

    E é de quem, bobinhos?

  • Fabio Agnes

    Só faltou a matéria escrever “santificado seja o vosso Nome PT”.

  • André

    Meu! O desemprego por responsabilidade do governo Dilma não termina quando a Dilma é afastada! As ações desastrosa da Dilma se arrastarão por anos!
    Tão sabendo hein!

  • Robson Moraes

    Já que vocês gostam de checar ..chequem estes números do governo Dilma:
    1,8 milhão de empresas fecharam em 2015—somente este dado representa quantos empregos?
    Outros números:
    3 Trilhões de dívida publica
    260 bilhões em pagamento de juros da divida pública
    -3,80% de retração do PIB
    10,67 IPCA ( dez/15)
    ..tenho mais números..mas acho que vocês irão achar alguma justificativa tosca pára eles também.

Uma pena, duas medidas

| por | 17 de julho de 2017

Enquanto as mulheres com filhos pequenos lutam para obter a prisão domiciliar, direito previsto por lei, presos da Lava Jato gozam desse benefício sem amparo da legislação penal

A faculdade estatizada no Mato Grosso

| por | 30 de junho de 2017

Instituição criada por Gilmar Mendes e sua família em Diamantino foi incorporada pelo Estado no governo de Silval Barbosa, amigo do ministro do STF; Ministério Público investiga a legalidade do negócio de R$ 7,7 milhões. Executivo reconhece que não tem recursos para manter a unidade como determina a lei