Apoie!

Seja aliada da Pública

Seja aliada

Agência de Jornalismo Investigativo

Presos esta semana, Jacob Barata Filho e João Augusto Morais Monteiro – presidente da Rio Ônibus – tiveram suas contas bancárias em paraísos fiscais vazadas no Panama Papers

7 de julho de 2017

No ano passado, tornaram-se públicas algumas informações sobre contas em paraísos fiscais dos empresários de ônibus do Rio de Janeiro. Ainda assim, à época, alguns negócios passaram despercebidos. Os documentos que revelam as informações a seguir foram obtidos pela Pública a partir dos arquivos reunidos na investigação jornalística Panamá Papers, por meio de uma parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e o jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

Durante a apuração para o especial sobre transporte público por ônibus no Rio de Janeiro, que será lançada no final de julho, a Pública obteve dados inéditos de offshores de João Augusto Morais Monteiro, presidente do conselho superior da Rio Ônibus, e Jacob Barata Filho. Ambos foram presos esta semana, em mais uma etapa da Operação Lava Jato, no Rio de Janeiro.

À direita, com a faixa, Jacob Barata Filho recebe homenagem do presidente da Confederação Nacional de Transporte em 2015. (Imagem: Agência CNT de Notícias)

Jacob Barata Filho e João Augusto Morais são sócios na Âncora Matias, que opera linhas de transporte público por ônibus na zona norte e tem capital social declarado de mais de R$ 7 milhões.

A família Morais Monteiro utilizou os serviços da Mossack Fonseca para gerenciar contas em paraísos fiscais entre 2007 e 2014. A empresa Donaldson Group S.A. foi criada no Panamá, em nome de João Augusto; Rosalina Loureiro, sua esposa; e Paulo Roberto Loureiro, seu filho.

A prática é legal, desde que seja declarada às autoridades brasileiras. A Receita Federal não informa se isso ocorreu em casos pontuais.

Nascido em 1930 na região de Vila Real, em Portugal, João Augusto dividiu o comando de associações patronais com outros grandes empresários de renome do setor nas últimas décadas, como Jacob Barata e José Carlos Reis Lavouras. O Ministério Público Federal afirma que Jacob Barata Filho e João Augusto movimentaram, desde 2010 até 2016, mais de R$ 23 milhões no caixa da Fetranspor, utilizados para repassar propinas a políticos. Para os promotores, a prisão é “imprescindível para elucidar os motivos do recebimento de créditos tão expressivos, bem como o destino desse dinheiro”.

Quanto à família Barata, já havia sido noticiada a existência de três firmas no Panamá: Rumba Portfolio, Salsa Investments e Garanis Holdings. Consultando os arquivos do Panama Papers, a Pública encontrou uma quarta offshore. Entre 2007 e 2012, Jacob Barata Filho e Ana Carolina Barata Reis recorreram aos serviços da Mossack Fonseca para criar a empresa Belvue Inc.

Segundo registros do HSBC vazados no Swissleaks, a família Barata possui também conta na Suíça desde 1990. Ali, os dados indicam um saldo de US$ 17,6 milhões entre 2006 e 2007.

Outro empresário que utilizou contas em paraísos fiscais é Generoso Ferreira das Neves, sócio de Jacob Barata na Braso Lisboa, operadora de ônibus públicos da cidade. Ausente até agora da Lava Jato, seu nome consta nos dois maiores casos de vazamentos de offshores recentes: o Swissleaks e o Panama Papers. Segundo os registros, pelo menos desde o final dos anos 1980 o grupo faz movimentações em paraísos fiscais.

De acordo com documentos do Swissleaks, entre 2006 e 2007 Generoso Ferreira e sua família mantiveram US$ 3,3 milhões em uma conta conjunta na Suíça. Já o Panama Papers revela que em 2007 a família Martins das Neves abriu a empresa Wintec Assets Corp, no Panamá.

Documento da conta bancária da Donaldson Group no banco Credit Suisse de Luxemburgo com as assinaturas de João Augusto, Rosalina Loureiro e Paulo Roberto

A Pública teve acesso aos documentos dessa empresa. Neles, constatamos que a equipe contratada por Generoso para gerenciar suas empresas no Panama Papers foi praticamente a mesma utilizada anteriormente pela família Barata. Ambos contaram com a ajuda dos mesmos laranjas para ocultar a real propriedade das offshores: Leticia Montoya, Francis Perez e Katia Solano.

De acordo com a assessoria de Jacob Barata Filho, “todos os investimentos que Jacob Barata Filho possui fora do Brasil estão devidamente declarados em seu Imposto de Renda e junto ao Banco Central do Brasil.”

Seja aliada da Pública

Faça parte do nosso novo programa de apoio recorrente e promova jornalismo investigativo de qualidade. Doações a partir de R$ 10,00/mês.

Comentários de nossos aliados

 Ver comentários

Esta é a área de comentários dos nossos aliados, um espaço de debate para boas discussões sobre as reportagens da Pública. Veja nossa política de comentários.

Carregando…
Você precisa ser um aliado para comentar.
Fechar
Só aliados podem denunciar comentários.
Fechar

Explore também

Polo Naval no Amazonas ameaça comunidades ribeirinhas

12 de agosto de 2013 | por

Dezenove comunidades ribeirinhas da zona rural de Manaus (AM) temem ser desalojadas e sofrem com falta de informações sobre o projeto; governo estadual não respondeu às recomendações do MPF de suspender os estudos e ouvir os moradores

Sem políticas sociais, defensores seguem em risco de morte

24 de abril de 2019 | por

Conflitos por terra e ambiente estão por trás de 348 dos 416 casos incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos; para vítimas e especialistas, programa tem de se articular com políticas sociais e Judiciário

O maior mistério da Olimpíada

30 de maio de 2016 | por

Seis vigas de aço pesando 110 toneladas simplesmente desapareceram em meio às obras para o Porto Maravilha. Nosso repórter foi atrás dessa história e da fracassada investigação policial

Mais recentes

Podcast: Pequena África

20 de maio de 2019 | por e

Cultura negra é só samba? No segundo episódio de hoje do podcast Histórias Que Ninguém Te Conta você conhece os personagens da Zona portuária carioca que mantêm viva a herança cultural africana

Mais terras públicas para o mercado, menos áreas coletivas

17 de maio de 2019 | por

Retrocesso na reforma agrária soma-se ao avanço de titulação em assentamentos ambientalmente diferenciados; registro de títulos individuais explode a partir de 2017, em especial na Amazônia

Não há registro de entrada na Câmara para assessor de Bolsonaro investigado pela Justiça

16 de maio de 2019 | por , , e

Além de Nelson Alves Rabello, que teve sigilo bancário quebrado, Pública revela mais cinco assessores sem crachá de funcionários na Câmara; “Wal do Açaí” é uma delas. Agora são 11 os assessores do então deputado federal sem registro de entrada no Congresso

Login para aliados

Participe e seja aliado.

Fechar