Apoie!

Seja aliada da Pública

Seja aliada

Agência de Jornalismo Investigativo

Documento revela os altos investimentos do governo Líbio, ao no valor de cerca de $ 56 bilhões de dólares, que eram feitos através do banco HSBC.

No mês passado, o centro britânico Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, denunciou como o banco HSBC agiu em favor de autoridades egípcias que hoje são acusados de corrupção.

Agora, um documento de 20 páginas que foi vazado para a ONG Global Witness revela uma análise detalhada do portfólio de investimentos da Autoridade Líbia de Investimentos do governo Líbio, ao no valor de cerca de $ 56 bilhões de dólares.

O relatório detalha a posição dos investimentos do fundo soberano no final de junho de 2010. E revela que a Autoridade Financeira Líbia colocou mais de 70% da sua verba de $ 408 milhões de dólares ao HSBC.

Divididos em dez contas, o HSBC administrava cerca de $ 293 milhões de dólares em nome do regime de Muammar Gaddafi. Dessas dez contas, que gerenciavam fundos em dólares, libras esterlinas, euros e dólares canadenses, três  estavam situadas em  Luxemburgo – o centro europeu de investimentos mais poderoso, famoso pela falta de transparência.

Além disso, um investimento estruturado gerenciado pelo HSBC valia cerca de $ 274 milhões de dólares para a ALI.

O envolvimento do HSBC com o governo líbio não era ilegal, já que na época o país não estava sofrendo nenhuma sanção da comunidade internacional.

Apenas recentemente os bens e investimentos do país foram congelados.

Blair e Bush

Pelo contrário: as portas foram abertas para o governo de Gadaffi pelo então primeiro-ministro britânico, Tony Blair e pelo então presidente americano George Bush que encorajaram bancos, fundo hedge e empresas petrolíferas a buscar contratos no país rico em petróleo.

De acordo com os documentos vazados, isso incluía os fundos de investimento Goldman Sachs, Societe General e o fundo hedge sediado em Londres Millennium Global, bem como o HSBC.

No ano passado, o HSBC foi investigado pelo senado americano por seu envolvimento em administrar verbas ilegais para o Gabão e Angola. Carl Levin, presidente de um subcomitê de Investigações do Senado,  sugeriu que, apesar do HSBC afirmar que havia “endurecido seus critérios” e mantinha “níveis altíssimos de escrutínio”, o banco, sediado no Reino Unido “facilita a evasão fiscal”.

Depois disso, uma investigação do centro britânico Bureau mostrou que o banco levantou mais de £450 milhões de libras (mais de 1.1 bilhão de reais) para as maiores empreiteiras egípicas que hoje enfrentam escândalos de corrupção na justiça.

O Bureau concluiu que o HSBC era o banco de investimento mais ativo no Egito e tinha entre seus diretores dois membros que em 2004 se tornaram ministros de estado a cargo de venda e privatização de terras no governo de Mubarak.

O HSBC garante que segue à risca os protocolos anti-corrupção. Mas a história publicada pelo Bureau argumenta que os bancos de investimento devem ser mais diligentes antes de aconselhar ou levantar fundos  para qualquer empresa. Isso é necessário para que os bancos tenham certeza de que os bens de uma empresa que estão gerenciando não foram obtidos como resultado de um ministro de governo que abusou da sua posição.

Essa preocupação é ainda maior porque o homem que tinha a responsabilidade de aceitar o dinheiro líbio e aconselhar as controversas empresas egípicas era Lorde Stephen Green.

Em janeiro passado, Lorde Green foi nomeado ministro de comércio e investimento do atual primeiro ministro britânico, David Cameron. Qual é a responsabilidade de Green?  Ampliar os interesses comerciais britânicos no exterior. Green, cujas ligações com Mubarak e o seu cículo de confiança enquanto trabalhava HSBC permanecem passíveis de debate, não quis falar ao Bureau sobre essa investigação.

Tudo isso certamente não pega bem para o governo de Cameron no Reino Unido, que pretensamente promove a transparência e o combate à corrupção.

Leia aqui o artigo original em inglês

Seja aliada da Pública

Faça parte do nosso novo programa de apoio recorrente e promova jornalismo investigativo de qualidade. Doações a partir de R$ 10,00/mês.

Comentários de nossos aliados

 Ver comentários

Esta é a área de comentários dos nossos aliados, um espaço de debate para boas discussões sobre as reportagens da Pública. Veja nossa política de comentários.

Carregando…
Você precisa ser um aliado para comentar.
Fechar
Só aliados podem denunciar comentários.
Fechar

Explore também

Guia de segurança na internet

2 de julho de 2013 | por e

A Pública reuniu as principais dicas de como você pode proteger sua privacidade online. Veja o infográfico e siga os passos para escapar da vigilância na internet.

Venezuela sem fake news

13 de junho de 2017 | por

Esqueça muito do que você leu por aí: não há catástrofe humanitária nem Maduro está para cair; mas há manifestantes quase todos os dias nas ruas, e eles não são “terroristas”, como dizem os apoiadores do governo

Vídeo: Para além da estatística

29 de outubro de 2015 | por

Assista ao vídeo produzido pelos alunos da série de workshops Direitos em Rede, realizada pela Pública no Grajaú ao longo do ano

Mais recentes

“Tenho acesso direto aos assessores de Mourão”, diz presidente do Clube Militar

25 de maio de 2019 | por

Às vésperas da manifestação pró-governo, general Eduardo Barbosa defende a ditadura militar, a economia liberal de Paulo Guedes e até Flávio Bolsonaro, investigado no caso Queiroz: “Causa estranheza ao se ver tanta relevância no caso”

Manifestações podem definir futuro de Bolsonaro no Congresso

24 de maio de 2019 | por

A Pública conversou com parlamentares sobre a crise entre governo e Congresso; ceticismo predomina, mas o resultado das ruas no dia 26 terá peso decisivo no futuro dessas relações

Dois anos do massacre de Pau D’Arco: mandantes ainda impunes e ameaça de despejo

24 de maio de 2019 | por

Em entrevista à Pública, a advogada Andréia Silvério, da CPT de Marabá, conta que os sobreviventes da chacina que vitimou dez trabalhadores ocupantes da fazenda Santa Lúcia em Pau D’Arco (PA) não receberam nenhum apoio do Estado, e que novos conflitos são iminentes

Login para aliados

Participe e seja aliado.

Fechar