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Reportagem

Para EUA, assembleia de Brasília é “reduto de canalhas”

Cinco anos antes do mensalão do DEM, telegrama fazia um perfil de diversos parlamentares brasilienses envolvidos em escândalos

Reportagem
27 de junho de 2011
20:00
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Um telegrama de agosto de 2004 descreve a cassação do mandato do deputado distrital Carlos Xavier (PMDB), o primeiro a perder o mandato na história da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Escrito por John Danilovich, embaixador americano no Brasil até 2005, o telegrama, intutulado “um malandro a menos na galeria” é irônco e pessimista. O diplomata considera a sentença um feito, “dada a notoriedade da Assembleia em ser um refúgio de canalhas”.

Deputado distrital por três mandatos, Carlos Xavier já havia sido acusado de subornar duas adolescentes a não depor contra o seu irmão em um caso de estupro em 1998. Em 2001, foi investigado pelo envolvimento em um esquema de grilagem de terras públicas que chegaram a valorizarem-se 50 vezes. No entanto, o que culminou em sua cassação foi o assassinato de um menor. Segundo o telegrama, o jovem trabalhou na campanha de Xavier de 2002 e havia mantido um caso sexual com a esposa do político.

Para Danilovich, era difícil saber se a medida era um primeiro impulso contra a impunidade ou se “meramente serviu para desenhar uma linha: que assassinos, pelo menos, não serão tolerados na Assembleia Distrital”.

Além dos casos de corrupção, Danilovich observa a baixa qualidade do trabalho da Assembleia. “Só nos primeiros três meses de 2004, o governador Roriz vetou 40 das matérias da assembleia por serem claramente inconstitucionais”, relata o embaixador.

Segundo ele, a casa passou meses discutindo a substituição do peixe Pirá-Brasília como animal símbolo do DF devido à descoberta da pratica de hermafroditismo na espécie. “Eu não tenho intenção de ficar aqui. Este lugar é uma não-instituição”, teria dito Érika Kokay, atualmente deputada federal do PT então no seu primeiro mandato de dois na Assembleia Distrital.

Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública.

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