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Agência de Jornalismo Investigativo

A. H, professora de 29 anos

17 de janeiro de 2012

“Eu tinha 12 anos quando aconteceu. Morava em uma cidade pequena e tinha uma turma de amigos. Entre eles havia dois irmãos riquinhos que eram a sensação das meninas. Acho que um tinha 17 anos e o outro 19.

Uma noite estávamos em uma pizzaria e eu bebi. Todos bebiam apesar da pouca idade. Me lembro até hoje da roupa que eu estava usando: calça jeans e uma blusa de moletom. Era uma noite fria. Um dos irmãos, o mais novo, me chamou para ver alguma coisa que estava acontecendo do outro lado da rua. Eu fui. Estava um pouco tonta, então nada fazia muito sentido.

Quando chegamos lá, ele me levou para um canto escuro de um posto de gasolina que já estava fechado e me agarrou. Eu tentei sair mas ele me segurou. Pegou as minhas mãos com força e tentou enfiar dentro da calça dele. Eu tirava mas estava fraca por causa da bebida. Ele mordia meu pescoço com força, eu empurrava, ele pegava novamente minhas mãos e ao mesmo tempo me agarrava, mexia no meu corpo. Não sei quanto tempo isto durou até que consegui empurrá-lo e sair correndo.

Voltei chorando e me enfiei no banheiro. Contei para as minhas amigas que não acreditaram em mim e ainda disseram que se eu não queria isso, não deveria ter ido com ele. No dia seguinte, meu pescoço tinha muitos hematomas e doía muito. O rapaz ria da minha cara toda vez que nos encontrávamos por acaso. Os outros meninos me apontavam dizendo que eu havia provocado a situação, que a culpa era minha e que eu estava dizendo aquelas coisas porque, na verdade, era apaixonada por ele e ele não quis nada comigo.

Nunca mais esqueci aquela noite. A sensação de ter sido invadida e além de tudo discriminada e culpada pelo que aconteceu”.

 

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