Agência de Jornalismo Investigativo

Alvo de denúncias, presidente da Câmara pode decidir sobre processo de impeachment e tenta preservar o seu mandato

18 de outubro de 2015

A semana que passou foi de movimentação intensa nos bastidores. Enquanto a oposição combinou com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um novo roteiro para iniciar um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a situação tentou negociar o contrário, usando como moeda de troca a possibilidade de barrar a cassação do peemedebista, alvo de processo no Conselho de Ética da Casa legislativa.

Nesta semana, o protagonismo novamente será de quem estiver disposto a conversas particulares com Cunha. O parlamentar, denunciado pelo Ministério Público da Suíça por lavagem de dinheiro e corrupção ativa, acusado de ser beneficiário final de contas secretas no país europeu, ainda é cortejado pelos dois lados no Congresso Nacional. Sem agenda esperada, o noticiário político nacional aguarda os próximos capítulos da trama.

Em termos do que é passível de previsão, o Senado deve recapitular votações que ficaram pendentes na semana passada. A pauta da Casa está trancada com o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 17/2015, que institui o Regime Diferenciado de Contratações Públicas. A proposta tem que ser votada até esta quarta-feira (21). Em regime de urgência, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 101/2015 também tranca a pauta. A proposição versa sobre terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista.

Na Câmara, está marcada para terça-feira (20) reunião deliberativa para votar parecer do deputado Laudivio Carvalho (PMDB-MG) sobre revisão do Estatuto do Desarmamento. Uma comissão especial da Câmara deverá apreciar o texto substitutivo do Projeto de Lei (PL) 3.722/2012, que reduz a idade mínima para a compra de armas de 25 para 21 anos. Além disso, o projeto amplia o direito ao porte para outras categorias, incluindo a classe dos próprios deputados, senadores, agentes de trânsito, aposentados das polícias e das Forças Armadas e servidores do Poder Judiciário.

Cancelada na quinta-feira (15), a votação da comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição 215/2000 ficou para esta semana. Pela proposta polêmica, a competência de oficializar terras indígenas e unidades de conservação de territórios quilombolas é transferida do governo federal para o Congresso Nacional.

Sobre o Truco no Congresso

O Truco no Congresso é um projeto realizado pelas equipes da Agência Pública e do Congresso em Foco. Para entender o sistema de classificação das checagens, acesse o site especial do projeto.

Atualização: Em fevereiro de 2017, o Truco entrou em uma nova fase. As cartas usadas para classificar as frases nas checagens do Truco no Congresso foram substituídas por selos, com significados muitas vezes diferentes. Optamos por não alterar o material mais antigo.

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