Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Artigo

| De olho | Projeto de Serra sobre pré-sal movimenta Senado

Iniciativa defende participação mínima da Petrobras na exploração do pré-sal; Câmara pode analisar PEC 215, que transfere ao Congresso a demarcação de territórios indígenas

Artigo
25 de outubro de 2015
18:00
Este artigo tem mais de 10 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O senador José Serra (PSDB-SP)

No olho do furacão da Operação Lava Jato, questões que abrangem os interesses da Petrobras, palco de todo o esquema de corrupção desmantelado pela Polícia Federal, irão protagonizar discussões do Senado nesta semana. Na terça-feira (27), a Casa legislativa deverá apreciar o Projeto de Lei do Senado 131/2015, que estabelece a participação mínima da estatal no consórcio de exploração do pré-sal.

Autor da lei, o senador José Serra (PSDB-SP) tem sofrido fortes críticas da categoria petroleira, que o tem chamado de “entreguista”, em razão da proposição que prevê a adoção do regime de partilha em substituição ao regime de concessão em consórcios para exploração dos campos de pré-sal.

O regime de concessão, deixado de lado em 2010, não garante a participação mínima de 30% para a União, como acontece com o de partilha. No modelo proposto por Serra, a empresa concessionária passa a ser proprietária do petróleo produzido e a União fica com apenas tributos incidentes sobre a renda, royalties, participações especiais e pagamento pela ocupação ou retenção da área explorada.

O senador José Serra (PSDB-SP)
José Serra (PSDB-SP), autor do projeto do pré-sal. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Lei antiterrorismo

Outra votação que poderá movimentar o plenário nesta semana será o Projeto de Lei da Câmara 101/2015, que tipifica o crime de terrorismo. Também na pauta desta terça, a proposta, relatada pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), tramita em regime de urgência na Casa.

O projeto é duramente criticado por lideranças políticas ligadas aos direitos humanos e movimentos sociais, que veem a matéria como uma forma de criminalizar manifestações populares. O senador tucano já adiantou que não manterá o mesmo texto da Câmara. Na semana passada, ele disse que pretende “aproximar a nossa legislação de um padrão que seja internacionalmente aceito”.

A bancada de Cunha

Já na Câmara, enquanto a situação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está a cada dia mais incerta, as pautas plenárias parecem ser coadjuvantes. No entanto, é justamente neste momento que votações de interesse de bancadas conservadoras, costumeiramente aliadas ao peemedebista, vêm à tona.

Nos bastidores, interpreta-se que Cunha procura formar um dissenso entre os parlamentares ao colocar tais pautas em votação: quem as defende, está com Cunha; quem as critica, quer sua saída. O palco da estratégia de Cunha será, novamente, o corredor das comissões da Casa, onde a “bancada de Cunha” atuará para adequar as proposições aos seus interesses.

Ainda nesta semana, uma das comissões especiais deve votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que transfere ao Congresso a competência de demarcar e homologar territórios indígenas e de populações tradicionais. Outra comissão ficará com a votação do projeto de lei 3722/2013, que modifica e revoga trechos do Estatuto do Desarmamento.

Já para o plenário, Cunha anunciou que colocará em votação PEC 70/2011, que versa sobre o rito de tramitação de medidas provisórias que abarcam temas estranhos ao objeto da matéria, os chamados jabutis.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 229 Quem está falando de política com a Gen Z? – com Lau Schultz

Criadora de conteúdo, Lau Schultz, fala sobre desafios para comunicar sobre política com o eleitorado jovem brasileiro

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas

Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas