Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Artigo

| De olho | Recesso empurra para agosto votação da cassação de Cunha

Deputados e senadores retomam os trabalhos em duas semanas; o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que aguardará sessão com “garantia de quórum elevado” para a deliberação do processo contra Cunha

Artigo
17 de julho de 2016
19:09
Este artigo tem mais de 10 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A partir desta semana as Casas do Legislativo estarão no chamado “recesso branco” – quando nenhuma votação é marcada pelos presidentes da Câmara ou Senado –, o que libera os parlamentares no período entre 17 e 31 de julho. Apesar de não haver sessão deliberativa, o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcaram reunião com o presidente interino Michel Temer para a próxima terça-feira (19) no Palácio do Jaburu.

O intuito dos parlamentares é criar uma pauta conjunta entre ambas as casas legislativas. Renan comentou que a vitória de Rodrigo Maia “é uma demonstração de que a boa política está viva e recoloca a possibilidade de Câmara e Senado fazerem um esforço conjunto em torno de uma pauta mínima suprapartidária e de interesse nacional”.

Um dos tópicos que deve nortear a discussão da próxima terça-feira entre os presidentes é a proposta de Emenda à Constituição (PEC 36/2016), de autoria dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que traz dispositivos para reforçar a fidelidade partidária de políticos eleitos, estabelecer uma cláusula de barreira para os partidos políticos e extinguir a possibilidade de coligações nas eleições legislativas.

Cassação de Cunha

O novo presidente da Câmara adiantou que pretende pautar o processo de cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no plenário assim que o parlamento voltar do recesso. Rodrigo Maia disse ainda que vai esperar uma sessão na qual se tenha a “garantia de quórum elevado”. Ele explicou que qualquer votação com quórum baixo poderia interferir no resultado a favor ou contra.

Ao enfatizar a necessidade de escolher a “semana certa” para a deliberação do processo contra o peemedebista, Maia lembrou que a volta dos trabalhos legislativos coincidirá com períodos de convenções partidárias para eleições municipais e com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o que pode afetar a presença dos parlamentares na Casa.

“Tudo vai caminhar dentro das regras do regimento, sem manobras contra nem a favor. A votação da cassação dele, para ser legítima e justa, precisa ter quórum elevado”, disse Rodrigo Maia.

Também irá a plenário a decisão sobre a criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que vai investigar o uso de dinheiro público pela União Nacional dos Estudantes (UNE).

Prioridades da pauta

Rodrigo Maia avaliou como prioridades da pauta legislativa o teto de gastos públicos; a renegociação da dívida dos estados; a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 159/2015) dos Precatórios; o projeto que libera a Petrobras de participar de todas as explorações do pré-sal e a reforma da Previdência.

“Sobre a Previdência, precisamos construir um modelo que não seja deficitário”, adiantou o presidente.

Senado

Ao longo do primeiro semestre de 2016, o Senado aprovou 138 matérias, entre Propostas de Emenda à Constituição, projetos de lei e medidas provisórias. Entre elas estão a medida provisória (MP) que permite o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia de crédito consignado (MPV 719/2016) e a Proposta de Emenda à Constituição que institui novo regime especial de pagamento de precatórios (PEC 159/2015).

Também integram a lista de propostas aprovadas pelo Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 30/2016) que fixa limite máximo para as despesas das assembleias legislativas dos estados e dos tribunais de contas; e a MP que trata de medidas tributárias referentes à realização, no Brasil, dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos (MPV 718/2016).

“Essas votações foram feitas, não podemos esquecer, em meio a uma severa crise econômica e política, mas que, ao contrário do que poderia se imaginar, não paralisou as atividades do Senado Federal. O Senado tem sido o esteio de temperança, sobriedade e estabilidade no momento atual de nossa República”, assinalou Calheiros.

Renan também anunciou sessão do Congresso Nacional para 3 de agosto. A ideia é votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e vetos presidenciais. Apesar do Regimento Interno do Legislativo alertar que o recesso parlamentar só pode ser iniciado após a votação da LOA, Renan e Maia entraram em acordo para que o recesso branco fosse mantido.

Obras

É comum que as administrações do Senado e Câmara utilizem esse período em que os parlamentares ficam afastados dos trabalhos nas Casas para realizar algumas obras de revitalização. Já na última sexta-feira (15), um dos restaurantes da Câmara teve o chão praticamente todo arrancado. A ideia é aproveitar o pouco movimento para adequar e modernizar espaços.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 230 O que é o Partido Digital Bolsonarista? – com Marcos Nobre

Professor e pesquisador, Marcos Nobre, fala sobre as mudanças estruturais na forma de fazer política no Brasil

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas