Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Vídeo

Gregório Duvivier e Bell Puã debatem sobre o que quer a juventude

Programação faz parte da comemoração de 10 anos da Agência Pública

Vídeo
Assistir vídeo
22 de fevereiro de 2021
17:32
Este artigo tem mais de 5 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O segundo dia do festival Pública +10 começou com uma conversa entre o ator, roteirista e escritor, Gregório Duvivier, e a poeta, cantora e compositora, Bell Puã sobre a juventude. O debate faz parte da comemoração de aniversário da Agência Pública, primeira agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos do país. 

O evento teve início no primeiro sábado de março, em formato online de acordo com as recomendações sanitárias, e continua no próximo sábado (20/3)  com mais dois debates para discutir o presente e o futuro do Brasil. 

“A juventude acredita em quê?” Essa foi a pergunta norteadora do debate entre Duvivier e Puã, mas os convidados, mediados pela jornalista Fabiana Morais, decidiram começar por responder o contrário: “eu gosto de pensar no que a juventude não acredita para pensar no que ela acredita”, disse a poeta, que faz parte do projeto Reload. “A juventude não acredita muito em si mesma”, completou.

Ao que o âncora do programa Greg News concordou: “O jovem de hoje acha que o mundo vai acabar antes dele”. No entanto, mais do que as outras gerações, os jovens tendem a acreditar mais na ciência e no aquecimento global, diz Duvivier.

“A juventude acredita em quê?” foi o tema da conversa mediada por Fabiana Moraes com participação de Bell Puã e Gregorio Duvivier

Desconfiança na imprensa tradicional

Para os debatedores, a nova geração tem grande desconfiança na imprensa tradicional. “A grande mídia no Brasil não tem o melhor dos históricos de apoio a regimes ditatoriais e sempre servindo a grandes interesses”, explica Bell Puã. “O que se perdeu foi a criatividade, o diálogo com a população”, diz ela, criticando o velho e tradicional formato do jornalismo. 

Para Duvivier o auge da descrença na grande mídia para as gerações atuais aconteceu durante os protestos de junho de 2013. “A gente viu acontecer um processo bárbaro de criminalização de manifestações”, lembra ele, citando também as relações da imprensa com políticos corruptos, em especial a rede Globo e o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. 

O apresentador acha que outros eventos políticos também ajudaram na  descredibilização da imprensa, como o impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro. “Essa desconfiança do jovem com a imprensa é muito merecida”, justifica Duvivier.

Para o escritor, a imprensa não lembra de seus leitores jovens. “O jornalista muitas vezes não presta atenção em quem chegou agora. O jornal é muitas vezes um bonde andando, que é difícil de pegar. Você dificilmente para para explicar uma coisa pela primeira vez no jornal”, criticou.

Em uma perspectiva mais otimista, ele lembrou do surgimento de novos veículos jornalísticos na última década, “que prezam não pela imparcialidade, mas pela seriedade, pela apuração, pela checagem”. Entre eles, Duvivier citou a Pública, a Ponte Jornalismo e a Agência Lupa, de checagem de fatos. 

Humor e poesia como estratégia 

Os debatedores também conversaram sobre como trazer essa juventude descrente para perto do debate progressista. “O humor é chave”, defendeu Duvivier. “Tanto o humor quanto a poesia, eles puxam o tapete das certezas do espectador. Você tem acesso a um olhar fresco sobre a realidade. Um olhar não viciado.” 

“A esquerda, talvez por ter ficado tanto tempo no poder, ficou meio engessada”, criticou Gregório.”Para ganhar a juventude você tem que ser menos iconoclasta e irreverente, tem que ter uma dose de anarquismo e nada pode ser muito sagrado e eu acho que a esquerda passou a sacralizar algumas coisas, tornando alguns temas tabus.”

Enquanto a esquerda falhou em atrair os jovens, outros atores como a direita e as igrejas conseguiram conquistá-los mais. “Se a gente pensa na esquerda, na imprensa, no Estado e em Deus. Em quem a pessoa com pouca perspectiva vai acreditar?”, questionou Bell Puã.

“O doutor só fala pro doutor”, criticou a poeta, e citou o rap como um caminho. “É uma linguagem incrível que chega na pessoa que está vendendo fruta na feira e chega no doutor.”

Além do humor e da poesia, as redes sociais apareceram como uma ferramenta para chegar no jovem e simplificar a linguagem. No entanto, os entrevistados defenderam que, fora de um contexto de pandemia e isolamento social, essa não é a estratégia ideal. “Onde a comunicação acontece melhor é no analógico, no face a face”, defendeu Gregório, citando o teatro como uma alternativa. 

Além do distanciamento promovido pelas redes, o escritor ainda lembrou da “gigantesca” exclusão digital no Brasil, mencionando pacotes de dados que restringem o uso da internet às grandes plataformas, como Whatsapp, Instagram e Facebook, e limita o acesso a portais 

O debate terminou com tom de esperança, falando da representatividade da juventude na política, com lideranças políticas jovens, mas também através de figuras mais velhas. “Tem pessoas velhas muito mais jovens que muito jovem por aí”, defendeu Gregório, citando pessoas como Lula, Guilherme Boulos, Eduardo Suplicy, Drauzio Varella, Luiza Erundina e outros. 

A íntegra do debate está disponível no canal de Youtube da Agência Pública.

Pública +10

Nomes como Ailton Krenak e Anielle Franco estão entre os convidados dos próximos debates do festival Pública +10, em comemoração aos dez anos de Agência Pública. As conversas continuam no dia 20 de março, onde os participantes irão debater sobre “Barbárie na Política” e “Negacionismo Científico”. Para conferir os horários, os participantes e fazer sua inscrição gratuita, acesse o link.

Mediadora:

O texto da cobertura foi feito pela repórter Ethel Rudnitzki.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 74 Datacenters, IA e o tal do apocalipse

Se a IA pode até não nos matar, os datacenters podem nos fazer pagar mais caro na conta de energia

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Recordar é votar: 13 investigados pela CPI da Covid disputam eleições neste ano

|

Apontados pelos senadores por diversos crimes durante a pandemia concorrem a cargos – de deputado estadual a presidente

Pessoas negras são alvo da maioria dos gastos com prisões em 25 estados e DF, diz estudo

|

Para advogada do Justa dado demonstra seletividade penal e políticas estaduais com lógica punitivista

Esposa de Ramagem usa verba de campanha para ex-assessora e irmã de Allan dos Santos

|

Candidata a deputada federal exilada nos EUA repassou R$80 mil a empresa de ex-assessora de Ramagem em agosto

Policiais candidatos fazem autopromoção no YouTube e podem lucrar com violência e machismo

|

Estudo estima monetização de 15 influenciadores; agente eleito não pode se apresentar como policial, diz governo de SP

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça

|

Contas no Instagram trocam de nome para enaltecer juiz e simular apoio popular — prática conhecida como ‘astroturfing’

Mãe que perdeu o filho para as bets pede proibição em encontro com Lula

|

Professora mineira foi ouvida pelo presidente após reportagem da Pública motivar projetos de lei e investigação no MPF

Câmeras, IA e repressão unem candidatos dos estados com polícias mais letais do país

|

Esquerda, direita e extrema direita propõem mais tecnologia e inteligência na segurança, mas ignoram violência policial

Ministra Cármen Lúcia dá o tom do dia no STF: “não garantimos o rigor que deveríamos”

|

Sessão do Supremo para avaliar se Alexandre de Moraes seria investigado acaba com pedido de vista e troca de farpas