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Brasil é o 4° país com maior crescimento de plantas de petróleo e gás nos próximos anos

Petrobras está entre as empresas com mais novas plantas de combustíveis fósseis, mostra relatório

Reportagem
18 de novembro de 2022
15:42
Este artigo tem mais de 3 anos

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Plataforma de petróleo da Petrobrás no Rio de Janeiro
Petrobras/Flickr

O Brasil é o quarto país com maior expansão de gás e petróleo projetada para os próximos três anos, atrás de Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos. Os dados fazem parte do relatório “Investir em desastres: decisões finais de investimento recentes e antecipadas para nova produção de petróleo e gás além do limite de 1,5°C”, publicado pela Oil Change International durante a COP 27. 

O relatório lista os principais países e empresas responsáveis pela expansão de petróleo e gás natural nos próximos anos, considerando tanto projetos aprovados em 2022 quanto os que estão em aprovação para o período entre 2023 e 2025. No ranking de 20 países com maior expansão fóssil aprovada em 2022, o Brasil fica em quinto lugar, atrás de Estados Unidos, Arábia Saudita, Irã e Canadá.

A expansão de combustível fóssil é incompatível com a meta do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global em até 1,5ºC em comparação com os níveis pré-industriais. Tais atividades geram poluição de CO2, que é um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa — como consequência, a temperatura média da terra é aquecida e as mudanças climáticas se intensificam.

De acordo com o relatório, muitos dos novos desenvolvimentos analisados sofrem resistências de comunidades e ainda podem ser evitados se os governos intervirem para rejeitar e revogar as novas licenças. Em nível global, a análise indica que a expansão aprovada em 2022 poderia gerar 11 bilhões de toneladas a mais de poluição de carbono, o equivalente à emissão de 75 novas usinas de carvão. 

A Petrobras se encontra em quinto lugar no ranking de 20 empresas responsáveis pela expansão de gás e petróleo, atrás da Saudi Aramco, National Iranian Oil Company, TotalEnergies e CNOOC. São 306 decisões finais de investimentos apresentadas pela Petrobras, das quais 29 plantas são de gás e 277 de petróleo.

Nas expansões previstas para 2023 – 2025, a Petrobras está em sétimo lugar, com planos de construir  1846 novas plantas, sendo 224 de gás e 1622 de petróleo.

As expansões previstas para o período entre 2023 e 2025, se aprovadas, podem gerar ainda mais 59 bilhões de toneladas de emissão de carbono, o que equivale a 393 usinas de carvão. No total, seriam 70 bilhões de toneladas a mais de emissão de CO2. Esse valor corresponde a quase dois anos, nos níveis atuais, de emissões de carbono.

“Estamos indo para uma direção de investir e nos algemar em um combustível que vai ficar obsoleto muito em breve”, diz Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora executiva do Instituto Arayara, ao lembrar o imenso potencial para produção de energia eólica e solar brasileiro. 

Segundo Oliveira, espera-se que com a eleição de Lula seja criado um grupo multissetorial com participação da sociedade civil para desenhar a transição energética justa no Brasil e que a prática do fracking e a exploração de petróleo e gás próxima a territórios indígenas seja proibida. O presidente eleito participou da COP a convite do governo do Egito e prometeu um protagonismo inédito para o Brasil na pauta climática.

Oliveira ressalta que os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas) já mostraram o que precisa ser feito para conter as mudanças climáticas: “não construir nenhum novo poço de petróleo, nenhuma termelétrica fóssil nova, nenhuma mina de carvão nova… é a forma de se conter”.

David Tong, principal autor do estudo, conta que a conclusão mais surpreendente da sua análise foi que essas empresas, que falavam em reduzir a produção de combustíveis fósseis, continuam seus negócios como sempre. “Isso mostra a desonestidade das reivindicações dessas empresas, que tentam se apresentar como parte da transição, mas continuam com comportamentos perigosos e oligopolísticos”, explica Tong. “Elas continuam a impulsionar o petróleo, mesmo quando afirmam fazer parte de uma transição energética.”

Nesta sexta (18), a presidência egípcia da COP27 publicou um primeiro rascunho que servirá de base para as negociações entre os países. O texto não exige a redução gradual de todos os combustíveis fósseis, como Índia e União Europeia haviam solicitado, e repete a meta da COP 26, de “acelerar as medidas para a redução progressiva da energia a carvão ininterrupta e eliminar gradualmente e racionalizar os subsídios aos combustíveis fósseis ineficientes”.

Colaborou: Anna Beatriz Anjos

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