Buscar
Coluna

Documento confirma que governo Bolsonaro omitiu da COP a taxa de desmatamento na Amazônia

Dado da área total desmatada no período 2021-2022 é equivalente à da Jamaica

Coluna
30 de novembro de 2022
13:24
Este artigo tem mais de 3 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A data da nota técnica do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que comunica a taxa anual do desmatamento na Amazônia Legal – divulgada nesta quarta-feira (30) em seu site na internet — confirma que o governo de Jair Bolsonaro já tinha em mãos o número, mas o omitiu durante as reuniões da COP27, a conferência mundial do clima, realizada no Egito neste ano.

A nota do INPE, obtida pela Agência Pública, foi redigida no dia 3 de novembro, enquanto a COP27 começou no dia 6. Depois de redigidas pela área técnica do INPE, as notas anuais são passadas à direção do INPE, que as envia imediatamente ao seu órgão superior, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Tradicionalmente, o governo brasileiro divulgava publicamente a taxa antes ou durante as COPs, num gesto de transparência para a comunidade internacional. Isso mudou com a chegada de Bolsonaro à Presidência. Em 2021, na COP realizada em Glasgow, na Escócia, a taxa também já era conhecida pelo governo Bolsonaro, mas foi escondida na conferência.

Conforme a Pública antecipou com exclusividade no último dia 17, a taxa de 2022 indicou uma redução no desmatamento. O número – relativo ao período de 1 de agosto de 2021 a 31 de julho de 2022 – foi de 11.568 km² desmatados na Amazônia Legal, uma queda de 11,27% em relação ao número relativo a 2021, que foi de 13.038 km².

De qualquer forma, o número continua muito alto – o que pode explicar a decisão do governo de omitir a taxa durante a COP.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (30) sobre a taxa informada pelo INPE, o OC (Observatório do Clima), uma coalizão que reúne mais de 70 organizações ambientalistas, afirmou que “Bolsonaro encerra governo com alta de 60% no desmate na Amazônia” na comparação com os quatro anos anteriores, durante os governos de Dilma Rousseff (2011-2016) e de Michel Temer (2016-2018).

Segundo o OC, “é a maior alta percentual num mandato presidencial desde o início das medições por satélite, em 1988”. O OC salientou que o dado do INPE estava pronto desde antes do início da COP27, mas “o governo optou por escondê-lo por três semanas”. “É o segundo ano consecutivo em que o ministro do Meio Ambiente vai à conferência do clima com os dados e deixa para divulgá-los depois.”

A área total desmatada no período 2021-2022 é equivalente à da Jamaica, diz o OC. “Apesar da queda de 11% em relação a 2021, há 13 anos não era registrada uma taxa tão alta nos nove Estados da Amazônia Legal. A média anual sob Bolsonaro foi de 11.396 km², contra 7.145 mil km² no período anterior (2015-2018)”, diz a nota do OC.

Na nota divulgada pelo OC, o secretário-executivo da coalizão, Marcio Astrini, declarou que “o regime Bolsonaro foi uma máquina de destruir florestas. Pegou o país com uma taxa de 7.500 km² de desmatamento na Amazônia e o está entregando com 11.500 km². A única coisa a comemorar é o fato de que este governo chegou ao fim”.

De acordo com os dados divulgados pelo INPE, no período 2021-2022 o desmatamento recuou em todos os Estados que formam a Amazônia Legal, com exceção de um, o Amazonas. Houve uma verdadeira “explosão” no desmatamento no Amazonas, segundo a análise do OC, com a derrubada de 2,6 mil km², um aumento de 13% em relação ao ano anterior.

“Além da inação do Ibama, o aumento do corte raso no Amazonas é explicado pela expectativa de asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), rodovia que corta o maior bloco de florestas intactas da Amazônia. Em julho, o governo Bolsonaro concedeu licença prévia para a obra, atropelando pareceres de técnicos do próprio Ibama. A tendência atual no Amazonas, caso nada seja feito, é que se repita no eixo da BR-319 a tragédia ocorrida no entorno da BR-163 (Cuiabá-Santarém), no Pará, que se transformou no epicentro do desmatamento no começo do século, após o anúncio de sua pavimentação”, diz a nota do OC.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Aviso

Este é um conteúdo exclusivo da Agência Pública e não pode ser republicado.

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado

Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas

Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno

Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar

Imagem feita com auxílio de IA mostra o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) e o cartaz do Filme Dark Horse

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

|

A Hollywood-style film about Jair Bolsonaro is wrapped up in Brazil’s biggest bank fraud probe