Buscar
Nota

CNJ: Ano de 2024 já tem mais denúncias de violência contra mulheres no Judiciário que 2023

29 de abril de 2024
04:00
Este artigo tem mais de 1 ano

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já registrou, somente nos primeiros meses de 2024, um número maior de denúncias de violência contra mulheres praticadas por integrantes do Poder Judiciário que no ano inteiro de 2023. Os casos são de violência processual, ou seja, que teriam ocorrido no curso de processos, durante depoimentos, audiências ou julgamentos, e têm como suspeitos juízes, desembargadores, procuradores, promotores ou funcionários do sistema judiciário.

Até abril, segundo o CNJ, já são 20 casos, contra 13 registros do ano passado, quando um canal exclusivo para esse tipo de denúncia foi criado. Apenas no mês de janeiro, quando tribunais estão de recesso e funcionam em regime de plantão, foram oito queixas. Até o momento, mais da metade das denúncias feitas neste ano já gerou investigações internas, ainda em andamento, com abertura de pedidos de providência ou reclamações disciplinares.

O caso da mulher indagada se seria “sonsa” enquanto realizava uma denúncia de assédios sexual e moral contra o pastor Davi Passamani, no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), é uma das denúncias em apuração pelo CNJ. Passamani é investigado por assédio e importunação sexual contra frequentadoras de sua igreja. 

Na ocasião, o diálogo envolvendo os desembargadores Silvânio Divino de Alvarenga e Jeová Sardinha chegou a classificar questões de assédio, gênero e racismo como “modismo”. No documento que instaurou uma reclamação disciplinar, o corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, destacou a necessidade de apurar se as falas dos desembargadores violam a Constituição e a Lei Orgânica da Magistratura.

O protocolo que prevê o atendimento a vítimas e recebimento de denúncias de violência processual contra a mulher foi oficializado em julho de 2023. O canal que recebe as denúncias garante sigilo às vítimas e acolhimento, além da possibilidade de que elas sejam ouvidas por uma outra juíza, sem a exigência de provas pré-constituídas ou elementos que inviabilizem sua denúncia.

“Ainda não tem dados relevantes no Conselho e nos tribunais. Mas os canais [de denúncia] estão abertos, inclusive nas inspeções que ocorrem nos estados pela Corregedoria Nacional”, afirmou a juíza Renata Gil, ex-presidente da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), supervisora da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as mulheres no Poder Judiciário e conselheira do CNJ.

A Pública apurou que o episódio de Goiás foi tema de conversas em grupos internos de ministras de tribunais superiores, que ficaram extremamente incomodadas e inconformadas. O mesmo ocorreu entre integrantes do CNJ, sobretudo mulheres. “É preocupante ver que magistrados com esse tipo de pensamento estão julgando processos de mulheres vítimas de crimes tão brutais”, defendeu uma conselheira do CNJ que pediu para não ser identificada.

Atualmente, 1,2 milhão de processos envolvendo violência doméstica contra mulheres e feminicídios tramitam na Justiça brasileira, sendo 10 mil deles de feminicídios.

Edição:

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 206 Mulheres na ciência e as barreiras que ainda persistem – com Marcia Cristina Barbosa

Integrante da ABC, Márcia Cristina Barbosa, fala sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na produção científica

0:00

Notas mais recentes

STF analisa prisão de Vorcaro e socorro ao BRB é contestado pela oposição no DF


Sicário: o que significa palavra de 2 mil anos, apelido de comparsa de Vorcaro


PEC da Segurança Pública, Vorcaro no Senado e CPMI do INSS são destaques da semana


Irã: EUA e Israel atacam país por ordens de Donald Trump


Irmãos Brazão são condenados a 76 anos e 3 meses pelo assassinato de Marielle Franco


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Artigos mais recentes