Buscar
Nota

Frente ambientalista denuncia paralisação da Comissão de Meio Ambiente da Câmara

11 de abril de 2024
15:00
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

A Frente Parlamentar Ambientalista denunciou, em nota lançada nesta quinta-feira (11), o que chama de manobras que têm impedido o funcionamento adequado da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados. 

O primeiro ponto levantado pela bancada é a demora no início das atividades da CMADS, que em pleno abril, mais de um mês após a instalação da maioria das comissões da Casa, segue sem operar por falta de indicação de membros e da presidência pelo MDB. A situação se repete na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) – por acordo entre as lideranças partidárias, o MDB comandará as duas comissões.

Segundo a nota, o atraso na instalação da CMADS prejudica o andamento de propostas importantes para pauta ambiental e climática no Legislativo e “impede que o presidente da Câmara articule com o presidente da Comissão de Meio Ambiente as questões pertinentes à temática ambiental, transferindo essas decisões a esferas indevidas, que muitas vezes possuem interesses econômicos nas matérias e não temáticos”. 

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, explicou à Agência Pública que o não funcionamento da comissão faz com que também se “perca o local de debate dos projetos a partir da perspectiva do meio ambiente”. Ele cita como exemplo a regulamentação da reforma tributária, aprovada pelo Parlamento no ano passado. 

“Já era o momento de estarmos fazendo audiências públicas para discutir os aspectos que envolvem o tema da sustentabilidade na reforma tributária”, pontua. Na próxima quarta-feira (17), por exemplo, a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara promoverá uma audiência com essa finalidade.

A CMADS é ainda, de acordo com Tatto, um espaço importante de discussão em um momento de protagonismo do Brasil na agenda climática global. Até o fim do ano, o país preside o G20, grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo, e em 2025 sediará a 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, na cidade de Belém. 

“A inexistência da Comissão de Meio Ambiente na Câmara dos Deputados, no ano anterior à realização da COP30 no Brasil, compromete a capacidade brasileira de lidar com a importância da questão e limita fortemente o cumprimento das responsabilidades institucionais do Congresso Nacional acerca do tema”, aponta a nota.

A Pública questionou a liderança do MDB na Câmara sobre o atraso nas indicações da CMADS, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem. 

A segunda manobra criticada pela frente ambientalista é uma alteração regimental que permitiu, nos últimos anos, que deputados membros da CMADS ocupassem vagas em outras comissões, como a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR). Esse é o caso, por exemplo, de Roberta Roma (PL-BA), ao mesmo tempo titular da CMADS e suplente na CAPADR. 

Conforme a nota divulgada pelos ambientalistas, essa situação “desvirtua os objetivos temáticos” da CMADS e forma “parte da estratégia de um setor do agronegócio para controlar a tramitação de suas matérias, sem submetê-las a uma análise temática criteriosa da área ambiental propriamente dita”. 

O texto pede que os membros titulares da CMADS voltem a ser exclusivos e definidos “por critérios de afinidade temática, vocação e conhecimento técnico, político e institucional”. 

Tatto afirma que uma nova mudança no regimento teria que ser apreciada em plenário e, portanto, pautada pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). No momento, de acordo com o petista, não há sinalizações de que isso deva ocorrer.

Edição:

Notas mais recentes

Últimas pesquisas e fim da propaganda eleitoral marcam semana antes do primeiro turno


Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal


Nossa Senhora Aparecida: boato sobre padroeira domina redes e chega ao TSE


Deputadas de Minas pedem suspensão de decreto de Zema que beneficiou mineradora Cedro


Lula discursa na ONU e Conselho do Ministério Público avalia ações de Gonet no caso Master


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

|

Monitoramento mostra que debate nas redes ultrapassou boato inicial e passa de 12 milhões de interações em poucos dias
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

Os candidatos das Big Techs nas eleições 2026

|

Levantamento mostra quais políticos brasileiros têm atuado a favor dos interesses das grandes corporações de tecnologia
Antonio Cezar Correia Freire, conhecido como Cezinha de Madureira, é um jornalista, radialista e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal. Deputado federal por São Paulo desde 2019

Valéria Linhares nega relação com Cezinha de Madureira mas foi sócia de seu filho em rádio

|

Deputado do PL e advogada são investigados por tráfico de influência em tribunais superiores e ligados a André Mendonça

Quilombolas lutam por território ancestral contra imobiliária no interior de São Paulo

|

Descendentes de escravizados disputam título de terra contra empresa e denunciam ação da polícia

Lula proíbe bets e cita relato de mãe que perdeu o filho para apostas ao assinar Medida

|

Vânia Borges, que perdeu o filho para as apostas online, esteve com o presidente após matéria da Pública com seu relato

Análise da Abin aponta extrema-direita no Brasil como “facilitadora” de ofensiva de Trump

|

Desde novembro de 2025 análises sobre risco “crítico” de interferência vem sendo produzidos pela agência de inteligência
Garimpo na Terra Indígena Baú em 2026.

Indígenas Kayapó se colocam em risco para bloquear garimpo ilegal na Terra Indígena Baú

|

Dois meses após operação da PF, número de invasores quadruplicou, dizem órgãos; há suspeita de participação de facções