Buscar
Nota

País tem menos de 700 secretarias voltadas a mulheres, diz ministra sobre desafio da pasta

2 de agosto de 2024
16:42
Este artigo tem mais de 2 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Num universo de 5.565 municípios brasileiros, menos de 700 municípios possuem secretarias dedicadas exclusivamente a mulheres, segundo a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves. Esse cenário, segundo ela, prejudica a execução dos projetos elaborados em Brasília. “Podem botar bilhões no Ministério das Mulheres, mas nós não temos como executar se não tiver Secretaria das Mulheres no município, porque para quem é que eu vou repassar a verba?”, destacou Gonçalves durante café da manhã com jornalistas mulheres na manhã desta sexta-feira (2). 

Segundo Gonçalves, a meta é chegar em dezembro de 2026 com duas mil secretarias municipais voltadas para as mulheres, pouco mais de 35% do universo total. “Agora tem um novo processo eleitoral. Eu acho que é possível, já no início do ano que vem, nos encontros de prefeitos, nas visitas, começar a discutir sobre isso”, ressaltou. 

A ministra destacou que está articulando para que o tema seja debatido internamente nos partidos e incluído como pauta nas campanhas municipais. “Só assim que nós vamos resolver esse processo. É com muita disputa. Para mim, ter secretarias municipais de Mulheres significa estar dentro dos espaços de poder”, defendeu.  

Segundo Cida Gonçalves, quando cobrados em relação à criação das secretarias das Mulheres, os prefeitos justificam que não têm condições de criar uma nova estrutura. “Aí eu não tenho como executar o recurso”, observou a ministra. De acordo com ela, os gestores municipais costumam delegar os projetos da pasta para as secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos. “Só que qual é o problema? Geralmente não é prioridade”, lamentou. 

Ministra da Mulheres, Cida Gonçalves, recebeu jornalistas mulheres para tratar de assuntos da pasta nesta sexta-feira (2).

“População precisa voltar a se indignar com violência contra mulher”

Com baixo orçamento para executar políticas públicas, a ministra das Mulheres aposta em uma mobilização nacional pelo feminicídio zero para reduzir os índices de violência contra mulheres, que aumentaram durante sua gestão, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024. 

O Ministério das Mulheres foi, proporcionalmente, o mais afetado pelo contingenciamento do governo federal, perdendo 17,5% do orçamento. “Nós pedimos para não mexer no Ministério das Mulheres”, contou. “Para as mulheres, nós não vamos cortar. Se for cortar, nós vamos cortar no gerenciamento administrativo. Nós vamos diminuir viagens, nós vamos diminuir uma série de coisas, mas nós não queremos que isso afete as mulheres e os projetos”, explicou Cida Gonçalves. 

A ministra defende que o movimento pelo feminicídio zero seja semelhante ao que ocorreu na década de 1990, no combate à fome. “Se a gente conseguir chegar no dia 31 de dezembro de 2023 com a maioria da sociedade dizendo que violência contra as mulheres é crime, eu acho que eu cumpri um fator estratégico e fundamental. Porque as pessoas voltando a se indignar com isso, eu acho que a gente já cumpriu um papel”, ressaltou.

Gonçalves destacou que a mudança cultural também precisa passar pelas lideranças do país, “inclusive, pelo presidente da República”. A ministra criticou um comentário machista, em tom de piada, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em relação ao aumento da violência contra a mulher após jogos de futebol. “Piadinha, nem do presidente da República”, finalizou.

Edição:

Notas mais recentes

Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições


Aposta online: 12 dos 17 parlamentares da Bancada das Bets seguem mais 4 anos no Congresso


Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas


Morta por PMs, juíza Patrícia Acioli “humilhava policiais”, disse Flávio Bolsonaro em 2011


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

|

Os dez candidatos mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com anúncios na Meta; os da esquerda, R$ 2,6 milhões
Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado
Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas
Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar