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Agência de Jornalismo Investigativo

O ex-presidente FHC manteve dois encontros com o cônsul-geral de São Paulo, segundo documentos revelados pelo WikiLeaks.

23 de março de 2011
15:02

“Ele [FHC] afirmou que Lula não está interessado em reforma alguma, mas apenas em manter sua popularidade”, diz a mensagem. De acordo com o ex-presidente, faltava vontade política ao governo de Lula em implementar reformas ou mudanças fundamentais de natureza controversa.

O tema em questão era a CPMF. Segundo o relato, FHC disse ao cônsul Thomas J. White que seria “impossível eliminar a CPMF, apesar do sentimento popular e do lobby da comunidade de negócios porque o governo tornou-se dependente da receita gerada por ela”, relata o telegrama de 16 de agosto de 2007 que transcreve o encontro de dois dias antes.

Ele teria dito que achava difícil o governo passar tal medida no Congresso uma vez que a prorrogação dependeria de 60% de votação em ambas as casas para ser aprovada. A posição de Fernando Henrique diante da questão era que alíquota caísse de 0,38% para 0,2% e que uma parte da receita da CPMF deveria ser destinada aos estados e municípios. “Estas receitas foram estimadas em aproximadamente 15 bilhões de dólares em 2006”, calcula FHC na conversa.

Criada em 1997, a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi prorrogada no governo FHC por duas vezes, em 1999 e 2002. Durante o governo Lula houve mais uma prorrogação. Em 2007 a oposição votou toda contra a proposta do governo somando 27 votos contra. Na época, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse à imprensa que o esforço do PSDB havia sido orientado pelo próprio Fernando Henrique.

O telegrama conclui: FHC, que completou 76 anos em junho, mantém-se ativo não só no seu partido, mas também na política nacional e no cenário internacional. Sua descrição de suas viagens programadas para os EUA, Europa e África são mais ambiciosas do que seria esperado de um estadista que se retirou para a vida acadêmica. Embora nem todos no PSDB apreciem que ele dê declarações com a frequencia que ele dá, especialmente por ele ser bastante crítico a líderes e membros do partido, poucos deles se atreveriam a ignorá-lo”.

Não era a vez de Aécio

Quase dois anos depois, Fernando Henrique encontrou-se mais uma vez com Thomas White e foi categórico ao dizer que Serra seria o candidato à presidência. “Agora não é a hora dele [Aécio] ser presidente”, cita o telegrama que ainda diz que FHC acredita que o mineiro ainda será presidente.

No telegrama de 12 de maio de 2009, Fernando Henrique julgou Aécio um excelente vice-presidente enquanto elogiava Serra ostensivamente. “Serra não tem medo de gente, é persistente e tem grande senso de propósito”, listou o tucano sobre o colega a quem considerava um servidor público exemplar e alguém que “entrou na política para ajudar as pessoas boas” e com “grande capacidade de entender o povo”. Ainda de acordo com Fernando Henrique, Serra possuía a mesma origem humilde que Lula e era um produto do sistema público de educação.

 

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