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Lembo teria cogitado visitar a Bolívia para atrapalhar reeleição de Lula

Antes da nacionalização do gás, o então governador de São Paulo foi convidado por Evo Morales por ter prestado “pequenos favores” a imigrantes bolivianos

Reportagem
8 de julho de 2011
15:00
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Pouco antes de decretar a nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos, no dia 1o de maio de 2006, o presidente Evo Morales convidou o então governador de São Paulo, Cláudio Lembo, para uma visita oficial a La Paz.

Lembo, que atualmente comanda a Secretaria de Negócios Jurídicos do prefeito Gilberto Kassab, estaria se preparando para aceitar a gentileza do presidente aimará, mas teria pensado duas vezes após ler as notícias sobre estatização e tomar conhecimento das consequências que um fictício corte no suprimento de gás teria sobre a economia paulista.

Ainda assim, teria cogitado fazer uma visita de apenas 24 horas à Bolívia no dia 26 de maio para, “prejudicar” a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na época, o petista concorria à reeleição contra Geraldo Alckmin, predecessor e aliado de Cláudio Lembo no governo de São Paulo.

A história é contada por um funcionário do Consulado dos Estados Unidos em telegrama enviado a Washington no dia 11 de maio de 2006, apenas mais um entre as dezenas de comunicados produzidos pela diplomacia norte-americana sobre o reação dos brasileiros à nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos.

Segundo o documento, o convite oficial de Evo Morales veio em agradecimento a vários “pequenos favores” prestados por Cláudio Lembo à comunidade boliviana em São Paulo. “Isso inclui ter arranjado um transplante de rim para uma criança boliviana e ter trabalhado junto à Prefeitura para abrir uma praça onde imigrantes pudessem realizar feiras de rua e outros eventos.”

“Retalho de política externa”

“Ele está tentado a ir para a Bolívia apenas porque, como tem ideias conservadoras, pode semear a confusão entre esquerdistas e populistas e, assim, complicar a candidatura de Lula”, diz o documento, que frisa: o ex-governador foi presidente da Arena, partido que apoiou o regime militar durante a ditadura. “Lembo reconhece, porém, que é improvável que esse retalho de política externa afete o desempenho de Lula nas pesquisas.”

Os diplomatas norte-americanos aproveitaram para perguntar o que Lembo pensava sobre a nacionalização do gás na Bolívia. Ele afirmou que a medida de Evo Morales não teria qualquer impacto sobre as eleições brasileiras, seja a nível estadual ou nacional. E continuou, dizendo acreditar que o governo nacionalizou os hidrocarbonetos apenas para “aplacar” a comunidade indígena boliviana.

Economicamente falando, os funcionários do Consulado também não notaram grandes preocupações no governador. “Lembo pensa que, embora São Paulo dependa bastante do gás boliviano, um corte no fornecimento acarretaria em ‘sério, mas não dramático’ impacto para o Estado, que também tem acesso à energia hidrelétrica.”

Procurado pela Pública, Cláudio Lembo não quis se pronunciar.

Os documentos são parte de 2.500 relatórios diplomáticos referentes ao Brasil ainda inéditos, que foram analisados por 15 jornalistas independentes e estão sendo publicados nesta semana pela agência Pública. LEIA MAIS

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