Agência de Jornalismo Investigativo

Em telegrama, Crimmins expressa preocupação com as repetidas visitas de americanos de alta patente para o Brasil em curto intervalo de tempo

8 de abril de 2013

“Acho que a programação futura está realmente exagerada. Nós não estamos apenas barateando o valor de tais visitas, como também estamos apresentando um caráter militar muito forte para nosso relacionamento”.

Essa era a opinião de John Crimmins, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, em telegrama de 26 de dezembro de 1973 ao Departamento de Estado, que estava mandando muitos militares de alta patente para o Brasil. Gastando munição diplomática à toa.

A agenda de 1974 para o Brasil previa a visita do general Brown (George Scratchley Brown, então chefe das Forças Aéreas) e do general Rosson (William Bradford Rosson, chefe na época do Comando Sul dos Estados Unidos). Também se sondava a vinda do general Abrams (Creighton Abrams, Chefe do Estado Maior do Exército dos Estados Unidos e comandante das operações militares no Vietnã), e do general Cushman (então Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Robert Everton Cushman).

No telegrama, Crimmins argumenta que os oficiais da Marinha brasileira “não são tão importantes no esquema militar das coisas aqui” e lembra que Cushman já havia visitado o país meses antes. “Admito que ele foi convidado a nos visitar, mas certamente os convites já foram recusados educadamente antes, e não tenho nenhuma objeção em remarcar a visita de Cushman para 1975”, escreve o embaixador.

Além disso, o Departamento de Estado estaria apressando as coisas, já que a “nova equipe militar da administração de Geisel não assume até meados de março e, para maximizar a utilidade das visitas, nós deveríamos dar à equipe um modesto tempo para colocar seus pés coletivos no chão”, afirma Crimmins no telegrama.

Mais recentes

Os eleitos

22 de janeiro de 2019 | por

Pesquisador do Iser e pastor da igreja batista explica em entrevista à Pública as razões religiosas e políticas para a aproximação do governo Bolsonaro com Israel

A tropa de choque de Bolsonaro no Congresso

21 de janeiro de 2019 | por e

Representantes da velha política e estreantes, acusados e réus em processos, maçons e ex-policiais se misturam na nova bancada do PSL

Governo liberou registros de agrotóxicos altamente tóxicos

18 de janeiro de 2019 | por e

Entre eles está o Sulfoxaflor, liberado nos últimos dias do ano passado, que já foi acusado de exterminar as abelhas nos EUA

Explore também

O que vem depois do desastre?

23 de março de 2016 | por

A Pública retoma três tragédias socioambientais e conta o que aconteceu depois que a poeira baixou. Impunidade e acordos lenientes são o resultado mais comum

Preso ancião indígena que enfrentou tropa de choque com rezas

3 de setembro de 2018 | por

Repórter vai a Caarapó, no Mato Grosso do Sul, e colhe depoimentos e imagens que mostram as circunstâncias absurdas da prisão de Ambrósio, 70 anos, e a violência dos jagunços contra os Guarani-Kaiowá

Existe “ideologia de gênero”?

30 de agosto de 2016 | por

Em entrevista à Pública, a doutora em Educação Jimena Furlani, que desenvolveu extensa pesquisa sobre o assunto, explica os equívocos do conceito