Agência de Jornalismo Investigativo

“Uma das juventudes mais cooptadas [pelo terrorismo] está sendo a nossa. Já temos indícios e relatos de vários jovens brasileiros que estão sendo cooptados pelo Estado Islâmico.” – Alberto Fraga (DEM-DF), deputado federal, em entrevista à Rádio Câmara

7 de agosto de 2015
Exagerado, distorcido ou discutível
Exagerado, distorcido ou discutível

Não há dados que comprovem a frase do parlamentar. A Polícia Federal e o Ministério da Justiça disseram não poder se pronunciar sobre o número de brasileiros cooptados pelo Estado Islâmico. Isso porque não existem dados públicos sobre o assunto.

A denúncia de que jovens estavam sendo cooptados pelo grupo terrorista surgiu em uma reportagem do Estadão, publicada em março. A matéria cita relatórios secretos em que órgãos de inteligência teriam detectado algumas essas tentativas. O texto diz que dez brasileiros teriam aderido à organização. Uma audiência foi convocada na Câmara para debater o assunto em maio, mas a discussão acabou se concentrando no projeto que tipifica o crime de terrorismo.

No final do ano passado, outra reportagem, do Fantástico, alertou para o tema. Em um longo depoimento, uma mãe contou que seu filho, de 21 anos, se juntou ao Estado Islâmico. A família, contudo, vive na Bélgica há 24 anos. O rapaz, que também tem cidadania belga, teria sido cooptado na Europa.

O deputado Alberto Fraga não revelou a fonte da sua afirmação ao ser procurado pelo Truco no Congresso. “Basta entrar no Google para ver que a propaganda do Estado Islâmico é livre. Estou falando que o nosso jovem é muito procurado em virtude de algumas células que já foram identificadas em Foz do Iguaçu e algumas cidades da região do Paraná. E em cima de informações que eu não posso revelar de onde são”, disse. “As informações que a gente tem são sigilosas, não podem ser reveladas.” Ele afirmou, porém, não ter lido dados comparativos entre o número de jovens brasileiros cooptados e de outros países.

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), presidente da CPI da Lei Rouanet
O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), presidente da CPI da Lei Rouanet. Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Sobre o Truco no Congresso

O Truco no Congresso é um projeto realizado pelas equipes da Agência Pública e do Congresso em Foco. Para entender o sistema de classificação das checagens, acesse o site especial do projeto.

Atualização: Em fevereiro de 2017, o Truco entrou em uma nova fase. As cartas usadas para classificar as frases nas checagens do Truco no Congresso foram substituídas por selos, com significados muitas vezes diferentes. Optamos por não alterar o material mais antigo.

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