Nova iniciativa de jornalismo incubada pela Agência Pública traz um olhar mais detalhado sobre a desigualdade entre mulheres e homens no esporte

Nova iniciativa de jornalismo incubada pela Agência Pública traz um olhar mais detalhado sobre a desigualdade entre mulheres e homens no esporte

10 de agosto de 2016
15:17
Este texto foi publicado há mais de 3 anos.

Quando a Casa Pública foi fundada em março deste ano em Botafogo, no Rio de Janeiro, a ideia era que o lindo casarão centenário se tornasse um espaço de referência, de discussão e de fomento na nova fase que o jornalismo atravessa no Brasil. Um centro dinâmico, em constante ebulição, onde se criassem novas linguagens, novas experiências e plataformas, um laboratório de invenções para reunir jornalistas que acreditam, tanto como nós da Agência Pública, que está nas nossas mãos reinventar o ofício diante de uma crise de modelo que veio para ficar.

Quatro meses depois, já entramos na segunda fase, bastante esperada: a incubação de novas iniciativas de jornalismo independente. Passamos os primeiros meses conversando com grupos promissores do Rio de Janeiro, que estivessem em busca do que a Pública pode oferecer: consultoria e acompanhamento de perto na fase inicial, desde o lançamento à estruturação da nova empreitada. E é com orgulho que – rufem os tambores – apresentamos a Gênero e Número.

[relacionados]

Essa web revista produzida só por mulheres jornalistas nasce com uma grande ambição: qualificar e melhorar o debate de gênero no país através de uma ferramenta excepcional, o jornalismo de dados. Com alguns anos de experiência na área, as fundadoras Giulliana Bianconi, Maria Lutterbach e Natalia Mazotte avaliam que, além do tema em si ser incipiente na cobertura noticiosa, há poucos dados e repórteres especializados em “entrevistá-los” para revelarem o que está escondido. É essa a aposta do Gênero e Número, como explicam no editorial de lançamento da primeira edição, dedicada às mulheres no esporte – não à toa, durante a primeira Olimpíada em solo brasileiro. “Acreditamos que os dados trazem consistência e permitem sair do jornalismo declaratório. Vamos buscar dados e transformar em narrativas”, conta Giulliana.

A revista nasce com uma proposta inovadora. A cada mês, vai tratar de um tema relevante para a discussão sobre desigualdade de gênero naquele momento. Todas as bases de dados da Gênero e Número ficarão disponíveis para consulta. Assim, cada uma das reportagens pode virar outras reportagens, textos, pesquisas. Isso porque a Gênero e Número acredita, como a Pública, que as boas informações devem ser compartilhadas e espalhadas. Também por isso, todo o conteúdo será disponibilizado em creative commons.

Durante os primeiros seis meses, a Gênero e Número ficará baseada na Casa Pública, centro cultural de jornalismo mantido pela Agência Pública no Rio de Janeiro. A organização vai receber também o apoio e consultoria institucional e editorial da Pública. Elas, por sua vez, vão nos brindar (e ao público) com seu profissionalismo, criatividade e empenho em transformar essa numa das grandes referências do jornalismo de dados brasileiro.

Na primeira edição da revista – que já já entra no ar no site www.generonumero.media – o leitor vai poder navegar no mais completo infográfico interativo já produzido no Brasil sobre as melhadas olímpicas femininas (desde 1900!), entender o que os nossos ovários têm a ver (ou não) com as Olimpíadas, e acompanhar o lento e ainda questionável avanço da participação feminina no mega evento. Como explicam as idelizadoras e repórteres, “é sobre padrões e assimetrias de gênero ainda tão arraigados nas quadras, piscinas, pistas e bastidores do esporte que o Gênero e Número trata em sua estreia, com suporte de dados levantados em uma rigorosa apuração jornalística. Convidamos você a entender como alguns dados ajudam a explicar que o esporte, assim como as Olimpíadas, foram criados por e para os homens”.

Bem-vindas, e longa vida à Gênero e Número!

Teaser – Gênero e Número from Agência Pública on Vimeo.

Seja aliada da Pública

Que tal participar da luta contra as fake news sobre coronavírus? Apoie a Pública. A sua contribuição se transforma em jornalismo sério e corajoso, com impactos reais.

Mais recentes

Tortura em presídio de Uberlândia explode com visitas suspensas por causa da pandemia, afirmam presos

7 de agosto de 2020 | por e

Familiares e ex-detentos denunciam uso de bombas de gás, agressão física, cortes de água e energia e falta de atendimento médico no Presídio Professor Jacy de Assis

Microbolsas Mineração: mais tempo para inscrever sua pauta!

7 de agosto de 2020 | por

O prazo de inscrição nas Microbolsas Mineração foi prorrogado até o dia 16 de agosto para que repórteres de todo o país enviem suas pautas sobre mineração

BRT do Rio: com a palavra, o interventor

6 de agosto de 2020 | por

Em entrevista, o engenheiro Luiz Alfredo Salomão, que ficou à frente da intervenção do BRT durante seis meses, relata como e por que as tentativas de organizar o transporte carioca acabam num “balde de água fria”