Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Checagem

Pesquisa falsa coloca Bolsonaro com 52% e Haddad, com 48%

Texto diz que números vêm de levantamento interno encomendado pelo banco BTG Pactual, mas instituição não produz esse tipo de análise

Checagem
23 de outubro de 2018
17:40
Este artigo tem mais de 7 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O presidenciável Jair Bolsonaro, durante o debate da TV Bandeirantes, em 9 de agosto
Kelly Fuzaro/Band
O presidenciável Jair Bolsonaro, durante o debate da TV Bandeirantes, em 9 de agosto
O presidenciável Jair Bolsonaro, durante o debate da TV Bandeirantes, em 9 de agosto

“Tracking BTG que acabou de sair para o mercado financeiro: Bolsonaro, 52%; Haddad, 48%. P.S.: Votos válidos.” – Corrente sobre a disputa presidencial que circula pelo WhatsApp.

Falso

Circula no WhatsApp uma mensagem que atribui ao banco BTG Pactual um tracking da eleição presidencial “que acabou de sair”. Trackings são pesquisas de opinião feitas para monitoramento interno de empresas e campanhas políticas. A mensagem diz que a pesquisa do banco, voltada para o mercado financeiro, mostra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) com 52% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) teria 48%.

O banco BTG Pactual não realiza trackings exclusivos para o mercado financeiro, apenas pesquisas oficiais de intenção de voto para presidente. Na última, divulgada em 22 de outubro de 2018, Haddad tinha apenas 40% dos votos válidos, contra 60% de Bolsonaro. Assim, o Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – classificou a corrente como falsa.

Corrente cita pesquisa falsa do BTG Pactual
Corrente cita pesquisa falsa do BTG Pactual

Procurado pela reportagem, o BTG Pactual afirmou que não realiza trackings para o mercado financeiro, apenas pesquisas presidenciais encomendadas ao Instituto FSB Pesquisa e devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No total, foram oito pesquisas, todas encomendadas ao FSB Pesquisa, desde 27 de agosto. Depois do primeiro turno, realizado no dia 7 de outubro, foram apenas duas pesquisas divulgadas, sempre às segundas-feiras.

A mais recente foi realizada nos dias 20 e 21 de outubro e divulgada em 22 de outubro, sob o registro BR-03689/2018 no TSE. Na simulação de intenção de voto estimulada, Haddad aparece com 40% dos votos válidos e Bolsonaro tem 60%. O instituto entrevistou, por telefone, 2.000 eleitores com idade a partir de 16 anos nas 27 unidades da federação. A margem de erro no total da amostra é de 2 pontos porcentuais, com intervalo de confiança de 95%.

Em nenhum dos dois levantamentos do FSB Pesquisa feitos após o primeiro turno Haddad aparece com a porcentagem de votos válidos indicada na mensagem. Na simulação anterior, feita em 13 e 14 de outubro e divulgada no dia 15 de outubro, e registrada no TSE com o número BR-07950/2018, Haddad tinha 41% dos votos válidos e Bolsonaro tinha 59%.

A mensagem do WhatsApp traz ainda alguns elementos comuns em notícias falsas. Entre eles estão a urgência em pedir para que a corrente seja enviada para mais pessoas (“Temos que espalhar ao máximo” e “Compartilhem sem dó!”) e a falta de dados mais específicos sobre a data de realização da suposta pesquisa (“acabou de sair”).

Kelly Fuzaro/Band
Reprodução

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 230 O que é o Partido Digital Bolsonarista? – com Marcos Nobre

Professor e pesquisador, Marcos Nobre, fala sobre as mudanças estruturais na forma de fazer política no Brasil

0:00

Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

Leia também

Encontro do candidato a presidência da República, Fernando Haddad (PT), com coletivos culturais periféricos, no Conjunto Promorar Raposo Tavares

Corrente falsa usa até homônimo para inflar processos contra Haddad

|

Imagem que circula pelo WhatsApp diz que candidato do PT responde a 22 ações, mas ele é réu em apenas dois dos processos listados

O que é falso ou verdadeiro em corrente contra Bolsonaro

|

Mensagem que circula no WhatsApp faz dez acusações contra o candidato, mas cinco são inverídicas e apenas três, verdadeiras

Notas mais recentes

Horário eleitoral gratuito começa nesta sexta-feira com apenas 4 candidatos a presidente


Governos de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de celulares


Quem é Fernando Cerimedo, aliado de Bolsonaro preso por ataque a tiros à ex-companheira


MPF move ação contra Renan e MBL por xingar indígenas do Pará no Instagram


Corrida eleitoral: Campanha começa com Lula em Minas Gerais, Flavio desmarca Juiz de Fora


Leia também

Corrente falsa usa até homônimo para inflar processos contra Haddad


O que é falso ou verdadeiro em corrente contra Bolsonaro


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Eleitores gerados por IA fazem campanha no TikTok e põem em xeque regra do TSE

|

Vídeos criados com IA em que eleitores declaram seus votos para presidente têm 7,4 milhões de views no TikTok

O método: como a extrema-direita ataca professores para engajar eleitores

|

Gravações clandestinas e ataques online evidenciam como docentes são explorados politicamente desde 2022

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso