Até o dia 6 de janeiro, as iniciativas jornalísticas locais Monitor de Vítimas e La Hora de Venezuela contabilizaram 77 mortos no ataque dos Estados Unidos (EUA) a Caracas, Miranda e La Guaíra, na madrugada do dia 3, que terminou com a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Entre as vítimas, há 32 cubanos que “cumpriam missões em representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior [cubanos], a pedido dos órgãos homólogos” da Venezuela, segundo comunicado assinado pelas autoridades de Havana em 4 de janeiro.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, decretou dois dias de luto. Após esse pronunciamento, o Ministério do Interior e Justiça da Venezuela publicou um comunicado para prestar homenagem aos combatentes cubanos, sem mencionar as baixas das Forças Armadas Nacionais.
Dois dias após a incursão militar dos EUA, as autoridades venezuelanas ainda não haviam divulgado o total de vítimas militares ou civis. Tampouco publicaram, nas contas oficiais, notas ou decretos de luto. Já o Exército da Venezuela publicou os obituários de 23 militares mortos.
De acordo com levantamento realizado pelo Monitor de Vítimas, ao menos 42 das 77 vítimas eram militares venezuelanos. Outras três pessoas eram civis.
Uma delas é Rosa Helena González, de quase 80 anos, que morreu na madrugada de 3 de janeiro durante o bombardeio em Catia La Mar. Um míssil atingiu o edifício do complexo Rómulo Gallegos, onde ela morava.
“De madrugada, ouvimos as explosões e as moradias estremeceram. Uma montanha nos separa da Meseta de Mamo [onde está localizada a Infantaria da Marinha que também foi bombardeada] e, por isso, decidimos evacuar o edifício. A maioria já havia saído quando o míssil que atingiu o prédio explodiu”, contou o morador Jonathan Mayora ao La Hora de Venezuela.
Rosa Helena viveu mais da metade da vida no bloco 12 do complexo Rómulo Gallegos, na Prolongación Soublette de Catia La Mar, a paróquia mais populosa do litoral central venezuelano. Seus vizinhos lembram dela como uma mulher trabalhadora e colaboradora com a comunidade.
“A dona Rosa não tinha saído. Nós fomos ajudá-la. Ela estava machucada, mas disse para ajudarmos a tirá-la de lá, que iria melhorar. Não foi assim. Levamos ela direto para o hospitalzinho [o hospital Dr. Alfredo Machado, localizado na mesma área], mas ela não resistiu e morreu ali”, acrescenta a testemunha, que também perdeu sua casa na explosão.
A família de Rosa Helena relatou que, na certidão de óbito, a causa da morte indica que ela sofreu um infarto do miocárdio.
Morte em El Volcán
A outra civil morta é a colombiana Yohanna Rodríguez Sierra, de 45 anos.
Yohanna trabalhava em uma casa a menos de um quilômetro das antenas de transmissão que servem ao setor militar, emissoras de televisão e empresas de telecomunicações em El Volcán, no estado de Miranda.
Ela vivia com sua filha, Ana Corina Morales, de 22 anos, que também ficou ferida.
“Yohanna, muito querida por nós, decidiu sair para ver o que estava acontecendo em El Volcán”, contou um familiar dos proprietários da residência El Topito, que se comunica internamente com o setor onde estão localizadas as torres repetidoras.
“A filha pediu que ela não saísse de casa, mas Yohanna insistiu em ir porque queria tirar fotos do que estava acontecendo”, acrescentou.
Em El Volcán há pelo menos seis pequenas casas, onde vivem os supervisores das antenas. Na madrugada do ataque, havia apenas um trabalhador de plantão, porque o restante ainda não tinha voltado das folgas pelo Ano Novo.
Yohanna chegou ao local quando o segundo míssil caiu e foi atingida no peito por objetos que causaram sua morte, disse sua filha aos familiares dos donos da casa onde ela trabalhava com a mãe.
A filha de Yohanna teve ferimentos leves. Ela foi atendida no Hospital Dr. Domingo Luciani, em El Llanito, e depois recebeu alta.
Outros 26 militares são identificados
Também foram divulgadas as identidades de 26 militares venezuelanos que morreram no bombardeio em Fuerte Tiuna e em outras instalações militares, como o Forte Guaicaipuro:
- Sargento Eliannys Camacho;
- Sargento Yorlianny Michel Delgado Suárez;
- Capitão Moisés Sequera;
- Eduardo Soto Libre (patente desconhecida);
- José Salvador Rodríguez Ramírez (patente desconhecida);
- Primeiro-sargento Pedro Miguel González Escala;
- Primeiro-sargento Jesús Martínez Morantes;
- Primeiro-sargento Bayan Núñez León;
- Primeiro-sargento Adrián Alejandro Robles;
- Primeiro-sargento Pedro Carrillo Paiva;
- Primeiro-sargento César Augusto García Palma;
- Primeiro-sargento Yoicar José Brito Prepo;
- Segundo-sargento Ángel Eduardo Vivas Montilva;
- Segundo-sargento Crisbel Adriana Gómez Gómez;
- Segundo-sargento José Vera Rangel;
- Segundo-sargento Ramón Martínez Ramón;
- Segundo-sargento Fabián Enrique Estevez
- Sargento-mor de segunda classe Nervis José Toro Peroza;
- Sargento-mor de terceira classe Andrés Eloy Marín Valladares;
- Soldados Yechezkel Lafore Monges;
- Soldado José Rafael Suárez Rodrígues;
- Aluno Víctor Hernández Palma;
- Aluno Pablo García García;
- Aluno Yoel García García;
- Aluno Carlos Mata Muñoz;
- Aluno Pedro Garrido Cabello.
Com esses casos, foi identificado um total de 42 militares venezuelanos mortos nos ataques.
As identidades dos demais militares que morreram no ataque foram divulgadas em 4 de janeiro. As vítimas abaixo eram parte da Guarda de Honra do 6º Batalhão de Segurança Presidencial:
- Jeampier Josue Parra;
- Franyerson Javier Hurtado Ortuño;
- José Ángel Ilarraza González;
- Jerry Antonio Aguilera Velásquez;
- Franco Abrahan Contreras Tochon;
- Isaac Enrique Tovar Lamont;
- Tenente Yendis Cristofer Gregorio Barreto;
- Segundo-cabo Luis Enrry López Sánchez.
Do Esquadrão Bravo, também vinculado ao Batalhão de Segurança Presidencial, morreram:
- Lerwis Geovanny Rivero Chirinos;
- Richard Rodríguez Bellorín.
Do 3º Batalhão de Custódia:
- Sargento Anaís Katherine Molina Goenaga;
- Sargento Alejandra Del Valle Oliveros Velasquez;
- Guarda Carlos Julio Quiñónez Perozo.
Entre alunos da Academia Militar estão:
- Jhonatan Alexander Cordero Moreno;
- Saúl Abrahan Pereira Martínez.
Por fim, foram identificados:
- Primeira-tenente da Aviação Militar Deimar Elizabeth Páez Torres, que estava no Teleporto da Rede Tettra;
- Lenin Osorio Ramírez, civil e filho de Soraida Ramírez, presidenta do Instituto Autônomo Conselho Nacional de Direitos Humanos de Meninos, Meninas e Adolescentes (Idenna).
A aliança jornalística apurou que havia 25 corpos no Hospital Militar. É possível que alguns correspondam aos 42 militares já mencionados ou aos 32 cubanos.
Cuba revela nomes das vítimas
O jornal cubano Granma publicou, no dia 6 de janeiro, nomes, patentes e fotografias dos 12 funcionários do Ministério do Interior e 20 membros das Forças Armadas Revolucionárias do país que morreram na captura de Maduro e Flores.
Entre os cubanos, há militares vinculados ao Ministério do Interior:
- Coronel Humberto Alfonso Roca Sánchez, de 67 anos;
- Coronel Lázaro Evangelio Rodríguez Rodríguez, de 62 anos;
- Tenente-coronel Orlando Osoria López, de 45 anos;
- Major Rodney Izquierdo Valdés, de 51 anos;
- Major Ismael Terrero, de 47 anos;
- Major Rubiel Díaz Cabrera, de 53 anos;
- Major Hernán González Perera, de 43 anos;
- Capitão Bismar Mora Aponta, de 50 anos;
- Capitão Yoel Pérez Tabares, de 48 anos;
- Capitão Addriel Adrián Socartas Tamayo, de 32 anos;
- Primeiro-tenente Yorlenis Revé Cuza, de 36 anos;
- Primeiro-tenente Alejandro Rodríguez Royo, de 35 anos.
Entre os cubanos pertencentes às forças armadas do país, estavam:
- Erdwin Rosabal Avalos;
- Daniel Torralba Díaz;
- Yandrys González Vega;
- Yordanys Marionis Núñez;
- Yunior Estévez Samon;
- Yasmani Domínguez Cardero;
- Fernando Antonio Báez Hidalgo;
- Yoandys Rojas Pérez;
- Giorki Verdecia García;
- Adrián Pérez Beades;
- Suriel Godales Alarcón;
- Adelkis Ayala Almenares;
- Alexander Noda Gutiérrez;
- Ervis Martínez Herrera;
- Juan Carlos Guerrero Cisneros;
- Juan David Vargas Vaillant;
- Rafael Enrique Moreno Font;
- Luis Alberto Hidalgo Canals;
- Luis Manuel Jardines Castro;
- Sandy Amita López.
Entre os mortos da lista acima, há nove soldados, cinco primeiros-tenentes, três tenentes, um capitão, um primeiro suboficial e um suboficial-maior. Eles tinham entre 26 e 59 anos de idade.
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