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Um Carnaval sem ódio para todas nós

Prisões de membros do “gabinete do ódio” prometem esclarecer um capítulo tenebroso de nossa história

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10 de fevereiro de 2024
06:00
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A ação da PF no cerne do bolsonarismo pegou os bloquinhos de pré-Carnaval na rua e muita gente graúda de surpresa. 

Uma semana depois da operação de busca e apreensão na casa de Carlos Bolsonaro e na do próprio ex-presidente em Angra, no Rio de Janeiro, a PF voltou à casa de praia de Jair Bolsonaro e apreendeu o celular de outro pilar do “gabinete do ódio”, o assessor Tércio Arnaud Thomaz, que estava na residência. 

Também pediu o passaporte do ex-presidente – que alegou estar sem o documento e se comprometeu a entregá-lo depois – e comunicou a Bolsonaro que ele está impedido de se comunicar com os outros alvos da operação: os generais Augusto Heleno e Braga Netto, além de assessores. 

Três deles foram presos: o coronel Marcelo Câmara (que já era investigado pela fraude nos cartões de vacina de membros da família Bolsonaro e pelo escândalo das jóias), o major Rafael Martins e o ex-assessor de relações internacionais Filipe Martins, “estrategista” do “gabinete do ódio”, que aproximou Jair Bolsonaro de Steve Bannon, junto com Eduardo Bolsonaro (que até agora parece ter escapado). Também foi preso o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, flagrado com uma arma ilegal em casa durante a operação. 

Filipe Martins teria apresentado a minuta do golpe ao ex-ministro Anderson Torres (também na lista). De acordo com a PF, o próprio Jair Bolsonaro teria pedido alterações na minuta, o que comprovaria seu envolvimento direto na tentativa de golpe.

Todos são investigados sob suspeita de participar de organização criminosa que teria atuado na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito “para obter vantagem de natureza política com a manutenção do então presidente da República no poder”. 

Agora é cuidar para que as investigações – baseadas também na delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid – prossigam até que um dos capítulos mais grotescos de nossa história seja extensamente conhecido por todos nós. 

Mais um motivo para que este Carnaval seja mais uma celebração festiva da democracia, especialmente para mulheres, negros, indígenas, pessoas LGBTQI+, jornalistas, cientistas, professores, alvos preferenciais do ódio e das fake news movidas pela cúpula palaciana dos tempos de Jair. Neste ano, nem a presença persistente da Covid, domada pelas vacinas, nos assusta tanto. Viva a luz!

Está lindo ver o samba nos pés e o suor nas fantasias nas ruas das cidades – muitas cidades – de norte a sul, finalmente públicas, alegremente democratas. 

Que este seja um Carnaval com muita liberdade – e sem ódio – para todos – e TODAS – nós.

PS. Saio de férias a partir dessa coluna e retorno em 10 de março. 

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