Buscar
Nota

8/1: Bolsonaristas debatem dia do preso político e abrem espaço para suspeitos de crimes

18 de maio de 2024
16:00
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Parlamentares bolsonaristas participaram, nesta quarta-feira (15), de uma audiência sobre o projeto de lei que cria o “Dia Nacional do Preso Político”, proposto para o dia 9 de janeiro, em referência à data da prisão de golpistas que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Além da defesa dos presos e de críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), a sessão serviu para que investigados da extrema direita ficassem em evidência.

A proposta é de autoria do deputado Coronel Meira (PL-PE). Na justificativa do projeto, ele afirma que os presos do 8 de janeiro foram “conduzidos sob perfídia para um campo de concentração improvisado” na Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília, e que o dia seguinte aos acontecimentos marca “exatamente a exacerbação do poder institucional sobre a liberdade e os direitos humanos”.

Por lei, antes da criação de uma data comemorativa nacional é necessário que haja consultas públicas. Durante a audiência, realizada na Comissão de Segurança Pública da Câmara, parlamentares e advogados se revezaram em discursos críticos à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator das ações que envolvem os ataques aos Três Poderes. 

O deputado Zé Trovão (PL-SC) questionou a classificação da ação como tentativa de golpe de Estado. “A Globo e as outras emissoras que chamam o 8 de janeiro de ‘golpe’. Golpe sem uma arma? Golpe sem fuzil? Golpe com bandeira do Brasil e Bíblia debaixo dos braços? É um plano arquitetado”, classificou. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, acusa os participantes do ato de crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Até o momento, o STF condenou 216 pessoas com base nas ações movidas pela PGR.

A articulação pelo PL do dia do preso político envolve familiares dos presos e seus advogados, que têm como porta-voz a Associação dos Familiares e Vítimas de 8 de Janeiro (Asfav). A Agência Pública mostrou que a entidade trabalha para reverter as condenações no STF e tenta emplacar, com apoio de deputados e senadores bolsonaristas, a narrativa de que os presos seriam “vítimas” do Estado, posição externada também em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos

Na ocasião, a Asfav recolheu assinaturas para protocolar também o PL “Clériston da Cunha”, que busca anistia aos golpistas e faz referência a “Clezão”, preso pelo 8 de janeiro que morreu no presídio da Papuda antes de ter um pedido de soltura avaliado pelo ministro Alexandre de Moraes. Por lei, são necessárias assinaturas de 1% do eleitorado – atualmente, 1,5 milhão de pessoas –, distribuído por pelo menos cinco estados (com no mínimo 0,3% dos eleitores de cada um deles). 

O líder do PL na Casa, Altineu Côrtes, afirmou que projetos como o do dia do preso político e o da anistia aguardam “momento certo”, o que pode ficar para depois das eleições municipais em outubro, já que a Câmara tem se dedicado a propostas relacionadas aos desastres causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Palanque

A audiência na Câmara serviu à defesa de bolsonaristas investigados por outros crimes, como o blogueiro Oswaldo Eustáquio, atualmente foragido e com mandados de prisão em aberto por apoiar um pedido de golpe militar e o fechamento do Congresso. Na ocasião, a carta da filha dele, Mariana Eustáquio, de 16 anos, em que ela acusa o “Estado brasileiro” de separar sua família “forçosamente” foi lida e emocionou alguns dos presentes.

Outro lembrado na audiência foi o ex-vereador carioca Gabriel Monteiro, preso em novembro de 2022. O pai dele, deputado federal Roberto Monteiro Pai (PL-RJ), saiu em sua defesa e criticou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin, que, segundo o portal Metrópoles, negou o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-vereador. 

“O garoto [Gabriel] enfrentou muitos sistemas, ele acordou muita gente que estava dormindo. E, de repente, criam nele uma acusação. Agora, se justifica ficar um ano e sete meses [preso] e agora mais um habeas corpus é derrubado? Por que ele é perigoso?”, questionou o deputado. Monteiro é acusado de estuprar uma estudante de 23 anos.

Edição:

Notas mais recentes

PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras


Prevenção sem repressão: Fóruns populares levam pauta de segurança pública a candidatos


Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

André Mendonça mobiliza orações e se torna ícone do 7 de setembro bolsonarista

|

Crise no STF se torna “guerra santa” entre evangélicos e coloca o ministro como “mártir” em oposição a Moraes

Contando com memória curta do eleitor, candidatos antes cassados voltam às urnas em 2026

|

Políticos cassados no passado tentam reconquistar votos beneficiados por leis, decisões da Justiça ou até pelo tempo

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições

Resgates de pessoas em condição de escravidão caem no Brasil, mas disparam em SP, diz CPT

|

Em 6 meses de 2026, o estado teve mais pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão que em todo o ano passado

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA

Como a caça conservadora ao voto feminino alimenta a violência contra a mulher

|

Fragilidade, hormônios e até intelecto: movimento tenta reduzir papel da mulher em ação violenta que começa no discurso

Com auxílio-reclusão restrito, famílias de encarcerados gastam R$ 4 bi por ano em visitas

|

Enquanto uma visita a presídio chega a custar mais de mil reais, Lei Antifacção diminui o acesso a benefício

Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun

|

Órgão agora cobra análise de 20 comunidades ignoradas e quer suspender licença retomada na Justiça em fevereiro de 2026