Buscar
Nota

Ministério Público de SP investiga contrato contra a dengue da gestão Ricardo Nunes

24 de abril de 2024
12:00
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) começou a investigar denúncias de irregularidades na licitação de compra de armadilhas contra a dengue pela gestão do prefeito Ricardo Nunes. 

A investigação partiu da revelação da Agência Pública que o dono da empresa que venceu a licitação, Marco Bertussi, é dirigente de uma associação de controle de pragas presidida por Nunes. A Pública revelou também que as três empresas que concorreram na licitação têm ligação direta ou indireta com Bertussi. A Biovec e a TN Santos são dele e do empresário Christiano Di Maio. Já a terceira empresa, a Biolive, é ligada a Di Maio.

Segundo o promotor Paulo Destro, da Promotoria do Patrimônio Público e Social, foi agendada uma oitiva de Bertussi no dia 17 de abril, mas ele não compareceu. “A Promotoria está tentando localizar o sr. Marco Bertussi para prestar depoimento na sede do MP-SP”, informou.

A promotoria também enviou ofícios pedindo informações para Ricardo Nunes, o secretário de Saúde Luiz Carlos Zamarco, a Coordenação de Vigilância em Saúde, o Departamento da Divisão de Licitações, Compras e Serviços da Secretaria de Saúde, a Associação Brasileira das Empresas de Tratamento Fitossanitário e Quarentenário (Abrafit) – a associação de Nunes e Bertussi –, e a Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Uma investigação já havia sido aberta pelo Ministério Público em janeiro para apurar indícios de superfaturamento na licitação. Cada armadilha foi vendida por R$ 400, apesar de poder custar apenas R$ 10.

Além disso, o mandato coletivo Bancada Feminista da Câmara Municipal de São Paulo, do PSOL, e a vereadora Luna Zarattini, do PT, entraram com ações populares na Justiça pedindo a suspensão do contrato de compra de armadilhas contra a dengue pela prefeitura de São Paulo. Pedem também que o dinheiro já empenhado seja devolvido ao município.

A legislação manda que sejam apresentadas pelo menos três propostas de preços para que uma licitação ocorra. A proposta da Biolive, porém, foi bem diferente das outras duas – contendo apenas os preços dos produtos, sem uma apresentação da empresa ou dos equipamentos que seriam fornecidos. A reportagem não encontrou registro de que a empresa já tenha prestado serviços para a prefeitura de Salvador ou o governo da Bahia, onde está sediada, como os que ofereceu à prefeitura de São Paulo.

O MP-SP também havia sido acionado para investigar a conexão entre o prefeito e o vencedor da licitação. Representações foram apresentadas no início do mês pela deputada federal Luciene Cavalcante e o deputado estadual Carlos Giannazi, ambos do PSOL, e pela coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Débora Lima.

“É preciso que a Justiça intervenha em mais este absurdo da gestão Ricardo Nunes, que, diante de uma emergência de saúde pública, é suspeita de salvar o bolso de amigos ao invés de salvar vidas”, disse Silvia Ferraro, covereadora do mandato coletivo Bancada Feminista na Câmara de São Paulo.

Na época da publicação da primeira reportagem, a prefeitura negou irregularidades. Nunes disse que “qualquer empresa desse setor [controle de pragas] pode ter algum relacionamento comigo, mas não comercial”. O prefeito era dono de uma empresa da área antes de entrar para a política. O empreendimento hoje pertence a seu filho e à nora. A resposta completa está aqui.

Já a Biovec, de Bertussi, disse em nota que “todas as contratações realizadas pela empresa seguiram rigorosamente suas políticas de compliance e as legislações vigentes”.

*Atualização às 13:47 de 24/04/2024: A nota foi atualizada com a informação de que o Ministério Público de São Paulo começou a investigar as denúncias reveladas pela Pública.

Edição:

Notas mais recentes

Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas


Morta por PMs, juíza Patrícia Acioli “humilhava policiais”, disse Flávio Bolsonaro em 2011


iFood passa R$ 3 milhões para pesquisa científica após acordo para encerrar inquéritos


Últimas pesquisas e fim da propaganda eleitoral marcam semana antes do primeiro turno


Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas
Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar
Imagem feita com auxílio de IA mostra o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) e o cartaz do Filme Dark Horse

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

|

A Hollywood-style film about Jair Bolsonaro is wrapped up in Brazil’s biggest bank fraud probe

Quase mil anúncios sobre Lula e Flávio na Meta foram pagos em dólar

|

Impulsionados por US$120 mil, conteúdos circularam sem rótulo de conteúdo político

Processos sobre desinformação e propaganda digital triplicam nas eleições de 2026

|

Até agora são mais de 9,5 mil processos na Justiça Eleitoral no 1º turno, contra 3,4 mil durante mesmo período em 2022

A “bancada” anti-indígena que vai às urnas neste domingo

|

Levantamento mostra que 370 parlamentares fizeram propostas negativas para indígenas; 270 deles disputam reeleição
O ex-senador Eduardo Suplicy é detido em reintegração de posse próximo a Cohab Educandário

Levantamento aponta um caso de violência política a cada 37 horas durante campanha de 2026

|

Monitoramento exclusivo da Pública por 17 dias chegou a 11 casos cujos agressores são, na maioria, agentes de segurança

Dos clubes de tiro ao poder: segmento de armas injeta mais de R$ 1,2 milhão nas eleições

|

Empresários do setor doaram para 96 candidatos – PL, Republicanos e Novo lideram recebimento de recursos