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Áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 mi a Vorcaro vaza e abala direita brasileira

13 de maio de 2026
20:22
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Na tarde desta quarta-feira, 13 de maio, o site The Intercept Brasil publicou uma reportagem que detalha o conteúdo de um áudio enviado pelo senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No centro da mensagem, um pedido de R$ 134 milhões (cerca de 24 milhões de dólares) para custear a produção de um filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A notícia expôs uma proximidade até então não confirmada, que revela a relação entre o filho 01 do ex-presidente e o homem forte do Banco Master. Vorcaro, figura central de um escândalo financeiro que culminou na liquidação de sua instituição pelo Banco Central em novembro de 2025, está preso, e seu celular, apreendido pela Polícia Federal (PF), tornou-se, nos últimos meses, um baú de segredos políticos.

O áudio, cuja autenticidade foi confirmada por fontes ligadas à investigação e, horas depois, pelo próprio senador, integra o material bruto extraído do aparelho de Vorcaro. Mais cedo, em coletiva, questionado pelo repórter Thalys Alcântara, do The Intercept, Flávio, desconcertado com a pergunta, negou. “É mentira”.

Segundo a jornalista Vera Magalhães, do jornal O Globo, o arquivo já se encontra nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, além da Procuradoria-Geral da República e da defesa do ex-banqueiro.

Flávio para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”

Os registros obtidos exclusivamente pelo Intercept Brasil indicam uma série de negociações entre ambos. Em mensagens de WhatsApp trocadas nos dias 15 e 16 de novembro de 2025, a conversa começou com Vorcaro iniciando o contato:

Daniel Vorcaro (15 de novembro, 15:46): “Fala irmao Tava trânsito voo o tem”

Flávio Bolsonaro (15 de novembro, 15:47): “Fala mermao Pode atender?”

No dia seguinte, 16 de novembro — um dia antes de Vorcaro ser preso tentando fugir do país —, a conversa continuou:

Daniel Vorcaro (16 de novembro, 10:37): “Fala irmaozao to na igreja terminando te chamo”

Flávio Bolsonaro (16 de novembro, 15:38): [Imagem de Visualização Única]

Flávio Bolsonaro (16 de novembro, 15:43):[Imagem de Visualização Única]

Flávio Bolsonaro (16 de novembro, 15:46): “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

Daniel Vorcaro (16 de novembro, 15:52): [Imagem de Visualização Única]

Flávio Bolsonaro (16 de novembro, 15:53): “Amém!”

Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que resultou em um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

Aliados já se afastam e direita se divide

A reação no núcleo duro do bolsonarismo foi imediata e de desorientação. O QG da campanha de Flávio, pego de surpresa, passou as primeiras horas em reuniões emergenciais, tentando formular uma resposta que contivesse os danos. Em nota, o senador negou qualquer ilegalidade, mas admitiu o contato, o que não havia feito pela manhã ,quando questionado pelo Intercept. Flávio argumentou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

O contato, segundo o texto, teria sido retomado devido a um atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias à conclusão do filme, que ainda será lançado. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro nem qualquer vantagem”, defendeu-se o senador.

No entanto, o argumento do patrocínio privado encontrou resistência mesmo entre os aliados de primeira hora. O comentarista Rodrigo Constantino, conhecido por seu alinhamento com a família Bolsonaro, expressou perplexidade nas redes sociais: “Eu realmente espero que esse áudio seja falso. Se for verdade, acabou.” Diante da confirmação, Constantino elevou o tom: “Reputação ilibada!!!! Essa vai ser a linha de defesa dessa gente?!? Passar pano na maior cara de pau?!?’.

A deputada estadual Janaina Paschoal foi mais pragmática em sua análise do cenário. “A Centro-Direita precisa agir rapidamente para, literalmente, se recompor! Ou será tarde demais! Tem que cortar na carne!”. O ex-vereador Fernando Holiday tentou minimizar o impacto, questionando a dificuldade de obter financiamento privado e ironizando a necessidade de “consultar a Mãe Dinah” para prever os crimes de Vorcaro, mas sua voz soou isolada em meio ao coro de críticas.

Até mesmo o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à presidência, gravou um vídeo criticando a postura de Flávio. “É imperdoável, é um tapa na cara”, disse. Também o pré-candidato Ronaldo Caiado declarou que Flávio “precisa responder sobre o filme e relações com o dono do Master”.

O episódio ocorre em um momento delicado para a oposição. As pesquisas de intenção de voto mais recentes indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem recuperando terreno em relação a Flávio Bolsonaro, com os dois candidatos tecnicamente empatados em simulações de segundo turno. Para o Centrão, grupo político que orbita o poder independentemente de quem o ocupe, a avaliação inicial é de que o áudio causa um “estrago” considerável na pré-campanha do senador.A sombra do Banco Master projeta-se além de Flávio Bolsonaro. A Operação Compliance Zero, da PF, investiga fraudes bilionárias e já teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e possível candidato a vice na chapa de Flávio nas próximas eleições. Ciro é suspeito de receber uma “mesada” de Vorcaro, como explicou matéria da Pública nesta semana.

Edição:

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