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Quem é quem na rede de Daniel Vorcaro: sicário, bicheiro, hackers e até agentes da PF

18 de maio de 2026
14:31

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A Operação Compliance Zero, em andamento pela Polícia Federal (PF), vem revelando detalhes de uma organização criminosa criada para atender aos interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso. 

As investigações já revelaram que o ex-dono do Master mantinha uma rede de proteção e intimidação composta por ao menos dois núcleos principais, conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”. Vorcaro e os membros da rede se comunicavam por meio de grupos no WhatsApp.

Na sexta fase da operação, realizada na semana passada, mais informações vieram à tona, revelando a suposta participação de policiais federais da ativa e aposentados, bem como de operadores do jogo do bicho e de hackers.

O núcleo central dessa estrutura conta com a participação direta da família Vorcaro. Sobretudo, de Henrique Moura Vorcaro, o pai de Daniel, identificado na investigação como o principal operador financeiro da rede.

Na semana passada, o pai de Vorcaro foi preso preventivamente em Minas Gerais. Ele seria o responsável por financiar atividades ilícitas, cuidando do fluxo de caixa.

Para executar o trabalho sujo, Daniel Vorcaro contava com os serviços de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo codinome “Sicário”.

Mourão, segundo a PF, recebia mensalmente cerca de R$ 1 milhão para chefiar a milícia privada do banqueiro, como a Agência Pública já reportou. Preso na terceira fase da operação, em março de 2026, ele tentou o suicídio nas dependências da PF e faleceu dias depois.

“A turma” de Daniel Vorcaro

A estrutura operacional a serviço de Vorcaro dividia-se em dois braços complementares. O núcleo denominado “A Turma” era designado para atuar em possíveis ameaças presenciais, coerções e levantamentos clandestinos. Este grupo contava com a expertise de agentes de segurança pública, incluindo Marilson Roseno da Silva e Sebastião Monteiro Júnior, ambos policiais federais aposentados. 

Essa rede infiltrou-se também na própria corporação, contando com os serviços de Anderson Wander da Silva Lima, lotado na Superintendência Regional da PF do Rio de Janeiro. As investigações apontaram, ainda, o envolvimento da delegada da PF Valéria Vieira Pereira da Silva e do agente Francisco José Pereira da Silva, ambos afastados preventivamente de suas funções por suspeita de vazamento de informações sigilosas.

O braço armado da organização também mantinha ligações com a contravenção carioca. Manoel Mendes Rodrigues, identificado como empresário do jogo do bicho no Rio de Janeiro, liderava uma ramificação local do grupo. Essa conexão com operadores ilegais garantia capilaridade e poder de intimidação à rede de Vorcaro, que, segundo consta na investigação, não hesitava em recorrer, se preciso, a métodos violentos contra desafetos, incluindo o planejamento de agressões físicas contra jornalistas, como Lauro Jardim, do O Globo, e funcionários do ex-banqueiro, como um ex-chefe de cozinha de Vorcaro.

“Os meninos” de Daniel Vorcaro

O segundo núcleo, conhecido como “Os Meninos”, era especializado em espionagem e invasão digital. Capitaneado por David Henrique Alves, o grupo recrutava operadores com perfil hacker para executar ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento ilegal. Os investigadores constataram acessos indevidos a sistemas restritos do Ministério Público Federal, da própria PF e até mesmo de agências internacionais como a Interpol e o FBI.

A equipe tecnológica contava com a atuação direta de Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier, ambos vinculados funcionalmente a David Alves. Katherine Venâncio Telles também foi identificada por sua participação no transporte de equipamentos eletrônicos utilizados em atividades ilícitas. O poderio digital do grupo permitia, por exemplo, que Daniel Vorcaro se antecipasse às ações das autoridades, contando com blindagem e informações prévias sobre os escândalos envolvendo o Banco Master.

Sedlmaier, que estava foragido após a decretação de sua prisão pelo ministro André Mendonça, do STF, foi capturado no último sábado, 16 de maio, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em ação conjunta da PF, da Interpol e da polícia local.

Infográfico sobre a rede ligada a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro. A imagem divide os envolvidos em dois grupos: “A Turma”, associada a ameaças, coerção e ações presenciais, com nomes como Henrique Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão e policiais federais; e “Os meninos”, descrito como núcleo hacker responsável por ataques cibernéticos e espionagem, com integrantes como David Henrique Alves e Victor Sedlmaier.

Banco Central, núcleo político e filme Black Horse

Além da PF, a rede de Vorcaro também conseguiu infiltrar-se no Banco Central. Diretores da instituição, como Paulo Souza (diretor de supervisão bancária) e Bellini Santana, ambos funcionários há 28 anos, foram identificados como recebedores de pagamentos do ex-banqueiro.

A investigação desvendou ainda um núcleo político de alto escalão, que continua sob investigação. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de uma das fases da operação, e há suspeitas de corrupção na política por meio do recebimento de “mesadas” variando entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, que envolveriam a chamada “Emenda Master”, detalhada pela Pública em reportagem.

Um dos desdobramentos mais recentes do caso ainda envolve a relação entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil indicam que Flávio solicitou R$ 134 milhões a Vorcaro para a conclusão de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Edição:
Reprodução redes sociais
Polícia Militar de MG
Reprodução redes sociais

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