AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

Lei é eficaz para matar mulheres, diz especialista

O ginecologista e obstetra Jefferson Drezett, que há mais de 10 anos coordena um serviço de abortamento legal no país explica porque o aborto pode ser considerado um problema de saúde pública

Por que o aborto pode ser considerado um problema de saúde pública?

A gente não classifica um problema como sendo de saúde pública se ele não tiver ao menos dois indicadores: primeiro, não pode ser algo que aconteça de forma rara e excepcional, tem que acontecer em uma quantidade de vezes significativa. E tem que causar impacto real para a saúde das pessoas. Nós temos esses dois critérios preenchidos na questão do aborto. A gente tem a última estimativa de cerca de 220 milhões de gestações acontecendo no mundo a cada ano e tem uma parcela disso que não é planejada que varia entre 30 a 35% deste total. Significa que  gente deve ter 45 milhões de gestações não planejadas e muitas vezes não desejadas. Isso termina em um número grande de abortamentos induzidos. A gente calcula em torno de 20 milhões de abortamentos sendo praticados em condições inseguras no mundo. O aborto inseguro também não é uma arbitrariedade, é uma convenção da OMS para quando se interrompe uma gestação sem prática, habilidade, conhecimento e/ou em ambiente sem condições de higiene. O aborto inseguro tem uma forte associação com a morte de mulheres. E aí segundo dados formais da OMS a gente tem quase 70 mil mulheres morrendo por ano em decorrência de aborto inseguro, não é pouca gente.

Essas mortes acontecem em países onde o aborto não é legalizado?

Aí que está o nó: estas 70 mil mulheres não estão democraticamente distribuidas pelo mundo. 95% dos abortos praticados em condições inseguras acontecem em países em desenvolvimento e por coicidência a maioria deles têm leis restritivas em relação ao abortamento. Isso falando de mortes de mulheres. Se falarmos em danos permanentes, sequelas, “não morreu mas quase”, esse número aumenta significativamente. Por isso estamos falando de uma situação que tem toda a necessidade de ser tratada como saúde pública. É claro que você consegue diminuir o número de gestações indesejadas quando melhora a educação, o acesso a bens, à saude, à escola, à educação reprodutiva. Mas mesmo que a gente oferecesse metodos contraceptivos para todas as mulheres sexualmente ativas no mundo, segundo a OMS, se todas usassem direitinho, mesmo assim nós teriamos entre oito e 10 milhões de gestações por falhas dos próprios métodos. Uma coisa que precisa ser entendida é que as mulheres não engravidam porque não são responsáveis ou simplesmente não usam metodos contraceptivos. Dizer isso é pura ignorância. Primeiro porque as mulheres não têm acesso a planejamento reprodutivo nesse país e isso é um fato. Mas se a gente considerar as mulheres usando os métodos rotineiramente, com suas pequenas falhas, o número de gestações não planejadas sobe para 26 milhões. Estes métodos são fundamentais para as mulheres, mas sozinhos eles não garantem que não exista uma gestação indesejada ou até forçada. Isso vai variar de país para país, da educação, acesso a saúde, educação sexual. Temos um problema de saúde pública? Sim.

No Brasil quais são estes números?

Os números que nós temos são aproximados, porque a clandestinidade não nos permite precisão, mas a gente calcula os números de aborto induzido de forma científica. Hoje a gente tem aproximadamente 250 mil internações para tratamento de complicação de abortamento por ano no país. É o segundo procedimento mais comum da ginecologia em internações. Aí a gente calcula quantos abortos de fato devem ter ocorrido para que para que estas complicações tenham acontecido neste número. Este é o cálculo utilizado por vários países e pesquisadores. No caso do Brasil, a gente não deve ter menos de 800 mil abortos induzidos, provocados a cada ano. Também não ultrapassa um milhão. A média fica em um milhão de mulheres se submetendo a procedimentos clandestinos. Veja que aborto clandestino e inseguro não são sinônimos. O que determina a insegurança do aborto não é ele ser clandestino; é não ter prática, técnica ou ser realizado em ambiente inseguro. A diferença entre as chances de morrer em um aborto inseguro é de mil vezes maior. E aí qual é diferença já que no Brasil o aborto é proibido por lei? Depende ae a mulher tem dinheiro para pagar por um aborto seguro, mas muito caro,  ou se ela é pobre e vai procurar por métodos inseguros. Acaba se criando uma desigualdade social, uma perversidade, porque uma mulher que tem um nível socioeconômico bom tem acesso a clínicas clandestinas, que não são legalizadas, mas são seguras. Esse aborto seguro pode custar mais de dois mil dólares, enquanto um aborto inseguro pode custar 50 reais. A criminalização do aborto impõe à mulher pobre a busca pelo aborto inseguro e clandestino e para as mulheres ricas a busca pelo aborto clandestino e seguro.

Cinquenta reais é o preço do remédio comprado no câmbio negro?

O aborto com remédio não é tão inseguro quanto se pensa. O mais grave é aquele que manipula o útero, com sondas, agulhas de tricô, venenos, elementos cáusticos cuja dose do veneno que mata o feto é muito próxima da dose que mata a mãe.

Claro que em São Paulo os números são muito menores do que nas regiões Norte e Nordeste do país onde a taxa de aborto em idade fertil é muito maior. No Brasil alguma coisa entre dia sim, dia não, morre uma mulher por complicação de um aborto, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Pode haver muitas outras mortes que não foram computadas como tal. Isso deve dar umas 180 mulheres por ano e há quem ache esse número aceitável. Mas a gente acha que uma mulher jovem morrendo em uma situação como essa, que poderia ser totalmente evitada, não é aceitavel. O aborto como questão de saúde pública é uma classificação internacional assumida pela Federação Internacional de Ginecologia e Obstetricia, pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetricia, pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, pelo Grupo de Estudos de Aborto. Mas se o Ministério da Saúde não entende assim por questões políticas isso é uma tragédia.

Então hoje o que a gente tem do Ministério da Saúde é uma “não posição” a respeito do assunto?

É um evitar absoluto. É público, não estou denunciando nada que ninguém não conheça. No governo da presidente Dilma Roussef há uma proibição de tratar do tema do aborto. O executivo foge totalmente do assunto. E quando toma qualquer atitude que esbarre de relance na descriminalização do aborto, a bancada evangélica se coloca dizendo ‘a senhora se comprometeu conosco a não legalizar’. Agora, qual foi este compromisso, que usou as mulheres como moeda de troca eu não sei.

Jefferson Drezett / Reprodução

Jefferson Drezett / Reprodução

A pílula do dia seguinte é considerada abortiva pelos religiosos…

A questão da pílula do dia seguinte eu não sei mais como explicar porque é tão absurdo que chega a estupidez, ao patético. Não existe uma evidência cientifica que coloque a pílula do dia seguinte sob suspeita de ter um efeito abortivo periférico eventual, é uma medicação que não tem nenhuma evidência científica em relação ao aborto.

E a saúde pública está em boa parte nas mãos de instituições religiosas…

Sim. Mas a saúde pública é feita com dinheiro público. Uma Santa Casa não tem o direito de não distribuir uma pílula do dia seguinte ou não fazer uma laqueadura. Eles não abrem mão do recurso público mas querem colocar limitações aos direitos que as mulheres têm em um país laico em função de uma doutrina ideológica ou religiosa. Mas também tem outro dado interessante. Existe uma pesquisa de 2006, que conversou com as secretarias municipais de saúde de quase 800 municipios, uma parte com mais de 100 mil habitantes e uma parte com menos de 100 mil habitantes, sobre o serviço de abortamento legal. Foi perguntado para as secretarias se elas tinham serviços para atender vítimas de violência sexual e a resposta foi de que quase 90% dos municípios com mais ou menos de 100 mil habitantes diziam que sim, contavam com o serviço, tinham profissionais e serviços especializados. A pesquisa foi extensa, se aprofundou e perguntou se estavam cumprindo os ítens como prevenção do HIV, a pílula do dia seguinte e o resultado foi que mais da metade destes serviços que se dizem preparados não fazem a concepção de emergência e quando você pergunta por que, existem justificativas como falta do remédio. O Ministério da Saúde ofereceu os insumos para todos e, se não cumpriu, é responsabilidade do municipio comprar ou pedir. Mais da metade das mulheres que procuravam o serviço depois de um estupro não tiveram acesso a anti-concepção de emergência. Quer dizer, a gente tem uma cultura de violência contra a mulher, absurda, intolerável, injustificável, quando elas nos procuram, a gente é incompetente para protegê-las da gravidez, e quando estão grávidas, a gente é mais incompetente ainda para interromper, mesmo sendo algo previsto pela lei. E aí vem a segunda parte interessante. Quando você pergunta para as secretarias se elas tem o serviço de aborto legal, que faz parte do atendimento, de cara 30% já diz que não faz. Mas é obrigação fazer! 6% se recusam a falar sobre o assunto. Apenas 1,9% já tinha feito um aborto. É bonito dizer que tem, mas os serviços não cumprem as normas. Você diz que vai atender e quando a mulher chega com demandas gravissimas e você não atende isso é muito cruel. É imperdoável, é abandono. Mas qual é o percentual de ginecologistas que você acha que são contra o aborto, favoráveis ao estatuto do nascituro, contra o aborto em qualquer caso? 0,2%. 60% dos ginecologistas deseja no mínimo a ampliação das condições ou a descriminalização total. Se você considerar os que não acham que deveria ser crime, isso dá  80%.

De novo a conta não fecha, né? O que acontece então?

Existe uma questão chamada objeção de consciência. Isso é previsto pelo código de ética profissional e também pela legislação brasileira. Ninguém está obrigado a fazer uma coisa senão por força de lei. E o ginecologista não está obrigado a realizar um procedimento contra sua consciência. Essa liberdade de consciência e de não querer fazer alguma coisa que fere o princípio pessoal é individual, não pode ser coletiva e não é institucional. Uma instituição não pode alegar objeção de consciência. Uma Santa Casa não pode alegar objeção de consciência. Um professor titular de uma universidade importante não teria o direito de impor sua objeção de consciência a seus alunos. Mas isso acontece. Cabe a instituição ter médicos sem essa objeção para realizar esse trabalho.

E a raiz de todo esse embate está nos grupos religiosos?

Acho que tem um peso grande, mas não só. Em qual país o aborto é um consenso? Não é um tema que permite consenso porque existe um feto. A minha convicção não é igual a sua ou a de outra pessoa. Eu não tenho nojo do feto, eu sou obstetra, Cuido de crianças! Mas se eu tenho uma visão diferente de você, e nenhum de nós abre mão da própria visão, por que prevalece a sua? As mulheres terminam fazendo o aborto da mesma forma. Quantos fetos daquele um milhão que a gente perde por ano são poupados pela lei? Algum? Nenhum. E perdemos centenas de mulheres por conta disso. Dizem que quando a gente legalizar o aborto vai virar uma chacina. Mas não existe nenhuma experiência em nenhuma parte do mundo em que o aborto foi descriminalizado e houve uma explosão de abortos. Um dos últimos países que descriminalizou, o Nepal, em um prazo de quatro anos, teve uma queda de complicações relativas ao aborto vertiginosa. E você não tem um número de abortos aumentado. O lugar no mundo onde a mulher menos precisa fazer um aborto é na Holanda, o mesmo país onde o aborto é mais acessivel. A não permissão não reduz o número de abortos. Apenas torna-os clandestinos e traz toda essa tragédia da qual estamos falando. É uma legislação altamente eficaz para matar mulheres, porque obriga a clandestinidade e quem não tem dinheiro morre. E 70 mil mulheres mortas estão aí para mostrar que isso é verdade. A ideia de que a proibição resolve o problema é suficiente para uma parte da população brasileira. Que continuemos perdendo um milhão de fetos por ano. Que continuem morrendo tantas mulheres por ano.

Funciona assim com as mulheres desconhecidas né?

Sim. Uma pesquisa feita pela Unicamp em 2006 trabalhou com um número grande de ginecologistas e perguntou quantos eram favoráveis à descriminalização do aborto. Aproximadamente 15 ou 16% responderam sim. Aí perguntaram quais já tiveram em sua clinica particular uma paciente conhecida que teve uma gravidez indesejada e o procurou e o que ele fez. Se você juntasse médicos que ajudaram, orientaram fizeram o aborto ou encaminharam para um colega fazer, isso subia para 30%. A pesquisa foi além e perguntou se teve alguém da família deles já haviam passado por uma gravidez indesejada e pedido ajuda. O número de profissionais que ajudaram sobe para quase 50%. E a pergunta final era: “O senhor já teve uma parceira ou a senhora mesma já tiveram uma gravidez indesejada?” Quase 2000 profissionais responderam que sim. “E o que o senhor ou a senhora fez? Sobe para 90% o número de interrupções de gestações. Eu prefiro não entender isso como um falso moralismo. Quando eu entendo o motivo eu ajudo mais, e entendo melhor quando é minha filha. Mas nada como estar na própria pele. Em 30 anos de ginecologia, eu nunca ouvi uma mulher que tenha parado de usar o método anticoncepcional só pelo prazer de fazer um aborto. Para engravidar daquele canalha, ficar desesperada e ter o benefício, a satisfação de fazer um aborto. O aborto não é um bem a ser alcançado. As mulheres buscam no aborto soluções para situações extremas. A pergunta não deveria ser se você é contra ou a favor do aborto. Uma mulher que faz o aborto deve ser presa? Essa é a pergunta. E a maioria das pessoas vai responder que não. Então, por que ele é crime? Qual é o sentido?

E só criminaliza a mulher porque o pai da criança nem passa perto disso. 

Só para a mulher. O cara não existe, estas são gestações espontâneas. Se o aborto fosse um tema que atingisse os homens essa questão teria terminado há muito tempo. É mais uma vez depositar sobre a mulher toda a responsabilidade do processo reprodutivo. A maior parte dos homens coloca toda responsabilidade pela contracepção para as mulheres e quando elas engravidam de maneira indesejada, esses caras desaparecem. Muitas mulheres talvez não abortassem se não fossem abandonadas pelos parceiros. Não que isso seja a solução. Mas muita mulher aborta porque não tem parceiro, não tem apoio, vai ser descriminada e assim por diante. A sociedade não dá a essa mulher qualquer tipo de acolhimento. Não estou dizendo que esse acolhimento resolveria a gravidez indesejada mas muitas mulheres são impulsionadas a esse aborto por um ambiente totalmente hostil.

E em nenhum momento essa mulher é considerada.

O Estatuto do Nascituro trata a mulher como um detalhe. Deveria substituir a palavra mulher por chocadeira humana. Ou receptáculo de esperma humano. Se for aprovado, o Brasil será o país mais atrasado, conservador e limitado no mundo em direitos reprodutivos.

A Defensoria Pública de São Paulo está defendendo uma mulher que foi denunciada por uma médica quando chegou sangrando ao PS de um hospital público.

A médica também deveria estar respondendo criminalmente, ela não pode revelar sigilo. Eu não sou policial, juiz, sou médico. Enquanto médico eu tenho principios éticos e legais a seguir. Eles determinam que você não pode revelar fato que tenha conhecimento no exercício da profissão. A não ser em circunstâncias especiais, por exemplo, se o profissional estiver sendo processado por um paciente, mas ainda assim eu sou obrigado a lembrar ao juiz que estes dados merecem sigilo. Também por força de lei, um estupro em uma criança ou adolescente, eu tenho a obrigação de comunicar às autoridades mesmo que a família não queira. Não existe sigilo nesta circunstância. Mas na lei de contravenções penais existe o artigo 66 que é absolutamente claro: o médico não tem permissão de revelar uma condição de sigilo que possa estabelecer um processo contra a pessoa. E tem aqueles profissionais que acham que tem que fazer procedimentos sem anestesia que é para a mulher aprender a não fazer mais. Mas o que tem por trás de tudo isso? A falta de clareza de lidar com o aborto como questão de saúde pública. não  simplesmente para usar isso como argumento para discutir a descriminalização. É usar para discutir uma assistência humanizada, que não viole os direitos dessa paciente, e uma mudança no aprendizado sobre o abortamento. Na verdade o aborto termina como uma moeda de troca. A vida das mulheres, os direitos das mulheres e autonomia terminam como moeda de troca política. Você me apoia e a gente ferra com todas as mulheres sem nenhuma dor de consciência. A gente faz um conchavo político e que se dane quantas mulheres vão morrer no próximo ano. Eu gostaria  que vocês nunca engravidassem sem querer, que nunca precisassem de um aborto, que fosse algo raro e excepcional. Mas que se acontecesse, não se tornassem criminosas por causa disso. Que tivessem a saúde protegida. Que o aborto fosse raro, legal e sempre seguro.

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Comentários

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  • OSVALDO ALVARENGA

    A mulher deveria ter direito ao aborto. O Estado não pode exercer tamanha tirania sobre as liberdades individuais de seus cidadãos. Para além da fé ou da filosofia, a saúde da mulher deveria nortear a política de estado para o aborto. Se o argumento humanitário não é suficiente, então que se valha do apelo financeiro: somente no SUS o contribuinte arca com gastos da ordem de R$ 45 milhões por ano para o tratamento de complicações decorrentes de abortos.

    Nas palavras de José Mujica, presidente do Uruguai, país que descriminalizou o procedimento em outubro de 2012, “o aborto é velho como o mundo, a mulher na sua solidão, inevitavelmente tem de enfrentar com este problema. Para nós, a legalização do aborto e os métodos de contracepção significam uma maneira de salvar vidas.”

    E estão salvando. O Uruguai, depois da descriminalização, registrou quedas vertiginosas tanto no número de mortes maternas quanto no número de abortos realizados. Segundo os dados do governo, entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada nenhuma morte materna em consequência de aborto e o número de interrupções de gravidez passou de 33 mil por ano para 4 mil. Isso porque, junto da descriminalização, o governo implementou políticas públicas de educação sexual e reprodutiva, planejamento familiar e uso de métodos contraceptivo, e também serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva.

    Estamos em ano de eleições, nosso políticos (todos de esquerda) deveriam se inspirar menos no vizinho bolivariano e prestar mais atenção ao vizinho do sul. Será que algum candidato majoritário vai ter a coragem de trazer seriamente a discussão sobre o aborto para o debate?

    • Renata Rodrigues

      Resposta: infelizmente não. Quando levantando, o assunto provocou reações conservadoras nos candidatos majoritários. É uma lástima.

    • Lucas Santana

      Como o aborto salvaria vidas? Pra mim a vida de um inocente que está se gerando ali. é muito mais importante que dá prostituta que engravidou desleixadamente. Aborto e pena de morte. Por ironia do destino juntas. Eu acho é bom que morra mesmo. Desgraça. Quando uma mulher abortar um filho de um jogador de futebol eu vou ser a favor. Até lá. O nome disso é hipocrisia.

      • Sthéfani Paiva

        “Mas mesmo que a gente oferecesse métodos contraceptivos para todas as mulheres sexualmente ativas no mundo, segundo a OMS, se todas usassem direitinho, mesmo assim nós teríamos entre oito e 10 milhões de gestações por falhas dos próprios métodos.”

        • kelly

          Mas isso não implica no fato de que todas essas falhas seriam consequentemente feito um aborto.

      • Cíntia Schwantes

        Lucas, a mulher que morreu na semana passada foi levada ao ponto de encontro pelo… MARIDO dela. Parece uma “prostituta que engravidou desleixadamente” para você? E se voce quer mesmo defender os inocentes que estão sendo gerados ali, tem que lutar pela proibição do DIU e da pílula anticoncepcional; afinal, eles impedem que um óvulo fecundado se fixe no endométrio (só pra esclarecer, significa que ele morre, viu?) Claro que isso vai gerar um problema enorme de superpopulação. Na China, mesmo com aborto legalizado e oferta de informações sobre contracepção, o governo oferece compensações financeiras para quem decide retardar o inicio da atividade sexual, para encurtar o periodo reprodutivo dos casais. Pra essa proposta eu dou força: abstinencia sexual completa até 30 anos. Você abraça essa?

        • chapollion

          Concordo com você cintia. O DIU devei ser criminalizado assim como a pílula do dia seguinte.
          O anticoncepcional não precisa, não é abortivo.

          • Cíntia Schwantes

            chapolin, ela é potencialmente abortiva. Ela inibe a ovulação, mas, pela mesma carga hormonal que inibe a ovulação, ela provoca um espessamento do endométrio (parede interna do útero) que impede o óvulo fecundado de se fixar. É por isso que ela é chamada “pílula contraceptiva oral combinada” e é por desencadear dois efeitos contraceptivos (um deles que é abortivo dentro da sua concepção, pois impede um óvulo fecundado de se fixar, causando a sua morte), que sua eficacia é tão grande (e mesmo assim por vezes ela falha). Então: vamos proibir a pílula anticoncepcional? Eu sugiro que as mulheres adotem o único método anticoncepcional que, não sendo abortivo, é seguro: a abstinência. Que as mulheres não façam sexo. Absolutamente. Nunca. Nem dentro do casamento (maridos podem cair fora, e aí?). Abstinência total.

          • Cíntia Schwantes

            sim, o anticoncepcional é potencialmente abortivo. É por isso que ele é chamado “contraceptivo oral combinado”. Se a função inibidora da ovulação falha, e um óvulo é fecundado, a pilula provoca também um espessamento da parede do endométrio (mucosa interna do útero) que impede a nidação do ovulo fecundado (exatamente como o DIU). Então, vamos proibir a pílula? O que é permitido? Camisinha (se o homem quiser usar), tabelinha e camisinha feminina? vc sabe o grau de eficiência de cada um desses métodos anticoncepcionais? Superpopulação com certeza não é problema.

        • kelly

          Por favor né, não concordo com o cara em termos, porém não significa que pilula Diu matam um bebé, então os homens tem que parar de bater punheta pq estão matando seus futuros filhos, por favor, aborto por estupro e pelo bebê que não tem cérebro já existe é legal, fora isso, jamais o aborto deve ser legalizado

  • Gc

    Se homem engravidasse, aborto seria sacramento!

  • Dirceu

    Já li muitos argumentos sobre a legalização do aborto. Até hoje nenhum deles me convenceu.

    Fazem alguns anos que eu fui ler um antigo diário de minha mãe, e nele eu descobri que não fui uma gravidez desejada, bem pelo contrário, ela não me queria. Sendo assim, se o aborto tivesse sido legalizado eu não estaria aqui hoje.

    Pois bem, ao longo do tempo minha mãe aprendeu a ser mãe, me criou muito bem e com muito carinho. Ela aprendeu a me amar.

    Legalizar um aborto é permitir a morte de uma vida. E se a mulher quiser matar ilegalmente, é diferente, pois nesse caso não seremos coniventes e nem fiadores dessa morte, será um crime praticado por ela.

    • Lucas Santana

      Só é a favor do aborto que já nasceu.

      • Socialista doMorumbi

        Só comenta m*rda na internet quem já nasceu também.

      • Cíntia Schwantes

        então vamos proibir o uso de pílula anticoncepcional, DIU, tabelinha. camisinha, pílula do dia seguinte; afinal, todos eles impedem gente de nascer. Só é a favor de pílula anticoncepcional quem já nasceu.

    • Socialista doMorumbi

      Sua mãe disse que só não te abortou porque era ILEGAL? Porque, meu bem, o fato de tornar o aborto legal não faz com que uma mulher decida fazê-lo, mesmo que a gravidez seja indesejada. Legalizar não é incentivar.

      • Dirceu

        Pelo relato do que eu li no diário dela, minha mãe não queria arcar com as responsabilidades que um filho poderia exigir dela, além de responsabilidades um filho exige dedicação, e qual menina ou menino menor de 20 anos vai querer assumir isso?? Nenhum. Sendo assim, o aborto vai ser um novo anticoncepcional, uma nova forma de corrigir o “erro”. Temos que reforçar a prevenção, construir políticas e órgãos responsáveis por instruir os adolescentes, ir na casa das famílias carentes, nos colégios, enfim, evitar que a concepção aconteça para que não seja necessário furtar a vida de um sujeitinho inocente que está por vir, ou arriscar a de uma garota frustrada que não quer arcar com essas responsabilidades. E muitas vezes quando os pais não querem arcar com responsabilidades ainda existem os avós como último recurso, e esses muitas vezes desejam cuidar dessas crianças. VAMOS LUTAR PELA VIDA.

        • Socialista doMorumbi

          Você não respondeu a pergunta. Sua mãe deixou de fazer o aborto única e exclusivamente pelo fato dele ser ilegal?

          Além disso, ao dar a entender que aborto seria um novo anticoncepcional, você mostra claramente que não leu a entrevista, especialmente o trecho a seguir:

          “Em 30 anos de ginecologia, eu nunca ouvi uma mulher que tenha parado de
          usar o método anticoncepcional só pelo prazer de fazer um aborto. Para
          engravidar daquele canalha, ficar desesperada e ter o benefício, a
          satisfação de fazer um aborto. O aborto não é um bem a ser alcançado. As
          mulheres buscam no aborto soluções para situações extremas.”

          A ilegalidade não impede ninguém de recorrer à interrupção da gravidez. E a legalização não significa, de forma alguma, que teremos a “festa do aborto”. Este tipo de argumento é extremamente raso e beira a ingenuidade.

        • Sthéfani Paiva

          Leia o texto novamente

          “Mas mesmo que a gente oferecesse métodos contraceptivos para todas as mulheres sexualmente ativas no mundo, segundo a OMS, se todas usassem direitinho, mesmo assim nós teríamos entre oito e 10 milhões de gestações por falhas dos próprios métodos.”

          • chapollion

            Sthéfani, sua bobinha…
            Por que você não vai LER as porcaria das fontes desse texto ao invés de ser um maldito papagaio!

            Não, você não faz isso, é mais fácil acreditar em um babaca que fala o que você gosta de ouvir, mesmo sendo mentira

    • Cíntia Schwantes

      Dirceu, que bom que a sua mãe deu a volta por cima. Mas considera que não é sempre o caso. E se ela tivesse te abandonado em um abrigo? 34% das crianças em abrigos não são adotadas. E se voce desse o azar de não ser adotado? Amor é algo que as crianças em abrigos não tem nem por 10 segundos. E se voce leu o texto, a legalização do aborto diminui a ocorrencia de abortos. Entre outros motivos, pq essa mulher vai ter apoio psicológico e não vai agir no puro desespero.

  • Lucas Santana

    Mas quando mulheres fazem isso (aborto clandestino) assumem o risco. Inocente é quem vai nascer. Portanto. Tudo segue a lei da troca equivalente. Existem dezenas de métodos anticonceptivos. Sendo ainda possível simplesmente entregar pra adoção. Não vejo porque o aborto de filhos feitos por livre e espontânea vontade. Se só é mulher pra usar seu órgão genital em conjunto com o de um macho. Não crie. Ainda bem que morre mesmo uma desgraça dessa. Só é a favor do aborto quem já nasceu. Mais uma coisa pra tornar o mundo ainda mais podre. Duvido que uma mulher abortaria um filho de um jogador de futebol. Xerecard em questão aqui né?
    KKKKKKKK. Vão lavar vasilhas.

    • Raquel

      Primeiro, o aborto legal só é permitido até a 12ª semana de gestação, onde o feto não possui um minimo resquicio de atividade mental, ou seja, tem a mesma atividade cerebral de um defunto. Após isso são permitidos em caso de bebes anacéfalos, vão nascer mortos igual e/ou que a gestação comprometa a vida da mãe. Talvez o aborto da agulha de tricô seja menos pior né? Ter que largar os estudos, muitas vezes se afastar da familia, criar o filho sem condições dps e sem apoio pq o pai não quis e foi embora tbm não é tão ruim né? Eu não consigo entender o que tem de tão mágico numa gravidez de uma menina de 13 anos. Parece que esse pessoal “antiaborto” simplesmente ignora o fato de milhões de mulheres morrerem em abortos clandestinos, ignoram as crianças abandonadas, passando fome, muitas dps jogadas no lixo, pq os pais não tinham condições pra criar um filho. Não consideram os orfanatos lotados de crianças sem família e como são tratadas lá. Não entendem que uma gravidez é algo que muda o corpo da mulher, muda mente e nem todas tem preparo psicológico pra enfrentá-la. Não entendem que ela não engravida necessariamente pq ignorou o anticoncepcional ou pq esqueceu. A coisas podem falhar! Não, mas é só uma mulher, problema é dela! Como se ela fizesse o filho sozinha. O dia que as pessoas sairem desse mundo rosa e começarem a pensar na REALIDADE, no que realmente acontece por aí, então vão entender que a questão do aborto é um problema de saúde publica que precisa ser resolvido urgente!
      Ps: eu prefiria morrer de aborto do que de fome depois.
      Eu queria ver Lucas, se uma mina que tu pegue engravide se tu ia criar direitinho, sem abandonar, sem largar os estudos e sem dar pra mãe criar tbm.

    • Socialista doMorumbi

      Você sabe ler? Consegue comprrender a mensagem que um texto passa? Porque uma pessoa que escreve as asneiras que você escreveu só pode ser analfabeta funcional (ou não leu nada do que foi discutido na entrevista).

    • Cíntia Schwantes

      Dados: 66% das crianças entregues para adoção encontram uma família (no Brasil), o que deixa 34% nos abrigos, sem o menor apoio emocional (criança precisa de um pouco mais do que roupa e comida, que é o que recebem nos abrigos). Então, definitivamente, voce é a favor do aborto de quem já nasceu – crinaças abandonadas em abrigos, ou pior ainda, na rua. E vou te contar um segredo que voce, sendo homem, deve ignorar completamente: uma gravidez dura NOVE meses. Nove meses durante os quais essa mulher vai ter que interromper estudos, pode perder o emprego, pode ser abandonada pela família, mais vezes do que não será abandonada pelo pai da criança (com o detalhe de que os homens, de um modo geral, resistem a usar camisinha), vai ser abordada na rua por pessoas desconhecidas que vão perguntar “menino ou menina?”, e vai ser vista como a megera que abandonou o filho. Mas se não quisesse passar por tudo isso (e considerando que o unico metodo contraceptivo 100% eficiente é a abstinencia), é facil: ela que não faça sexo. Nunca. Que tal todas as mulheres adotarem esse método? Voce abraça essa?

      • kelly

        Sim correto, porém, não podemos chegar a esse extremo, um aborto, mas enfim, Brasil tem que melhorar sua educação, sua saúde, o Chile é exemplo desde 1989 criminaliza o aborto, desde de então a mortalidade caiu 69% mas não foi só isso mesmo sabendo o caminho árduo que é o da educação e da saúde alem de praticas de prevenção, insistiram e conseguiram, hoje esta acima do Brasil, sem contar que ilegal ou legal sempre haverá morte, não podemos definir qual vida é melhor, é justo? Eu escolho o bebê.

        • Cíntia Schwantes

          Kelly, você pode escolher o bebê. Não faça aborto, leve todas as suas gestações a termo. Mas não imponha a sua escolha a outras pessoas. Elas tem historias de vida diferentes da sua e a imposição de um modelo unico de conduta não leva isso em consideração.

          • kelly

            Nunca vou deixar de expor minha opinião, se abortistas não gostam OK, basta respeitar. E uma vez que já se pode fazer o aborto em casos de estupro, e em casos de anencefalia, querem que tipo de aborto agora? Se no casos engravidar por não ter se previnido é isso? De verdade queria saber, ao menos entender algo que foge do. Meu parâmetro de conduta, sempre vou respeitar, sem que isso interfira nos princípios que eu acredito.

          • Cíntia Schwantes

            Kelly, existe uma pequena diferença entre expor a sua opinião e impo-la aos outros. Eu, por exemplo, sou vegetariana, e defendo minha escolha, mas não tento fazer com que todo o mundo deixe de comer carne porque essa é a minha escolha. Quanto ao caso da gravidez por não ter se prevenido, aconselho a você ler o texto do Drauzio Varela (que é médico) sobre o assunto. Uma das coisas que ele aponta é que mesmo mulheres bem informadas, como ginecologistas, podem acabar ficando gravidas sem desejar. O único método 100% seguro de prevenção à gravidez é não fazer sexo. Nunca. Jamais. De preferencia nem beijar na boca, por que uma coisa leva à outra e ai, pois é… Aparentemente, no fundo de toda a argumentação contra o aborto está uma reprovação implícita às mulheres que gostam de sexo. Senão vejamos: você escolhe o bebê. Qual é o trabalho que você faz em prol das crianças que não foram abortadas, mas foram abandonadas e vivem na rua?

          • kelly

            Agradeço sua explicação, embora sei o significado, no entanto não quero entrar no mérito da questão, esse trabalho em prol da crianças que não são abortadas são de responsabilidade diretamente do governo, e de todos nos indiretamente quando votam os, não sou rica e estou muuuuuito longe de ser, minha mãe teve quatro com dificuldades piores que a minha que tenho dois e nem por isso ela abortou pra se dar um conforto maior, pobreza não justifica o aborto, posso te dar milhares de exemplos, a questão não é ser a favor ou contra a lei, isso não resolve a questão, é uma falácia reduzir o problema a um antagonismo, a dimensão legal é apenas um aspecto e não o mais importante lutar simplesmente por uma questão legal que não vai a fundo, que acredito ser ética e não tanto jurídica, temos que lutar por leis que atacam a condição social do aborto, planejamento familiar, atenção a saúde data mulher, melhoria da pobreza, proteção a criancas com deficiência, meu filho mais velho é especial, e en, por isso o abandonei, nada justifica qualquer crueldade a nenhum,a criança nascida ou não nascida.

    • chapollion

      Lucas infelizmente não dá para discutir com protetores de assassinas.
      Mentem e distorcem tudo! o feto não é ser vivo, a criança faz parte do corpo da mulher…
      Eu sou a favor de abortar esses babacas que querem matar crianças!

      • Cíntia Schwantes

        o feto é um ser vivo. O que ele não tem, até a 12.a semana de gestação, é atividade neuronal. Entre outras coisas, isso significa que ele não sente dor, e nem tem o que é considerado o parâmetro de existência: consciência. Senão vejamos: você também é contra que se desliguem os aparelhos de quem teve morte cerebral, certo? afinal, são seres vivos. A única coisa que eles não tem é consciência. O que a lei prevê nesses casos, é que a família opta por manter o suporte de vida, ou desligar os aparelhos. E olha que legal: você é a favor da pena de morte… para quem não concorda com voce! Coerencia mandou lembranças.

  • chapollion

    Babaca…
    Usar de uma posição para defender sua ideia assassina!
    Você é um péssimo ginecologista e uma péssima pessoa!

    O aborto devia ser criminalizado e não legalizado. Mulher que aborta devia ir presa.

    • Janaina

      olha a que ponto chega a ignorância de um individuo. Babaca se um milhão de mulheres fosse presa por ano por causa do aborto, você, eu e todos nos, iriamos deixar nossas profissões e pegar cimento e tijolos e construir cadeias.

Acima de qualquer suspeita

| por | 30 de novembro de 2016

Alvo de sete acusações no CNJ e punido em um único processo, o desembargador Luiz Zveiter concorre pela segunda vez à presidência do TJ-RJ após mudança de regra do tribunal permitir a reeleição

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