Agência de Jornalismo Investigativo

Mais de 2 mil pessoas foram ao enterro de vítima de ataque da CIA; a região sofreu 4 ataques aéreos de aviões sem tripulantes em 48 horas

17 de outubro de 2011

A guerra por controle remoto dos Estados Unidos no Paquistão atingiu um novo marco no último sábado com o 300º ataque feito por um avião não-tripulado contra supostos militantes nas regiões tribais, de acordo com uma investigação do Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública.

Pouco antes de amanhecer, aviões não-tripulados da CIA atacaram um complexo residencial em Angor Adda, no Waziristão do Sul. Calcula-se que seis supostos militantes morreram no ataque, que feriu outras três pessoas.

Os mortos estariam ligados ao militante talibã Maulvi Nazir, visto como hostil aos EUA, embora mantenha um acordo de paz no Paquistão.

Foi o quarto ataque por controle remoto da CIA em  48 horas.

Na sexta-feira, mais de 2 mil pessoas compareceram ao funeral de Maulana Iftiqar, diretor de uma escola islâmica local – e suposto jihadista – morto em um ataque na quinta-feira passada.

Um político local afirmou aos presentes que “Os Estados Unidos deveriam perceber que esse ataques estão gerando uma enorme revolta, e ver as milhares de pessoas que vieram ao funeral de um verdadeiro mártir”

Trezentos ataques

O Bureau identificou até agora 300 ataques por aviões sem tripulantes desde 2004. Destes, 248 ocorreram durante a presidência de Obama, ou seja, um ataque a cada quatro dias.

De acordo com uma análise detalhada dos ataques, pelo menos 2.318 pessoas foram assassinadas pela CIA.

A maioria é supostamente de militantes. Mas entre 386 e 775 civis foram mortos, incluindo mais de 170 crianças. Além disso, pelo menos 1.100 pessoas foram feridas.

A CIA recentemente admitiu a morte de 2.050 pessoas em ataques conduzidos por aviões sem tripulação – segundo a CIA, apenas 50 eram civis.

Porém, o Bureau publicou uma extensa base de dados comprovando o contrario.

Os Estados Unidos afirmam não ter matado nenhum civil no Paquistão desde maio de 2010.

A base de dados coletada pelo Bureau consiste em um compilado de relatos publicados por fontes como a AP, Reuters, New York Times e a mídia paquistanesa.

Quando possível, os dados foram cruzados com documentos da inteligência e da diplomacia americana, com textos de acadêmicos, agentes da inteligência e políticos, além de pesquisa em campo no Waziristão.

Clique aqui para ler a investigação completa: A guerra por controle remoto da CIA  


Comentários

Mais recentes

Uma ativista perseguida no governo Macri

18 de Janeiro de 2018 | por

Líder da Tupac Amaru, importante organização social da Argentina, Milagro Sala está presa em condições ilegais por crimes que não cometeu segundo organizações internacionais de direitos humanos

“Licitação de Dória traz muitos pontos duvidosos”, diz especialista em transporte

17 de Janeiro de 2018 | por

Em entrevista à Pública, o geógrafo Oliver França Scarcelli examina criticamente o novo edital para a concessão do serviço de ônibus em São Paulo

Sorteio do Supremo é caixa preta

16 de Janeiro de 2018 | por

STF não detalha procedimentos que definem o sorteio de processos entre ministros; levantamento de dados da última década revela equilíbrio, mas não há como descartar possíveis manipulações

Explore também

Para onde vão os moradores da Vila Dique? Veja o vídeo

25 de Abril de 2012 | por

As remoções na Vila Dique em Porto Alegre começaram em 2009 mas até hoje há pessoas morando lá em condições precárias. Os que foram transferidos encontraram infraestrutura inacabada

A presidente Dilma Rousseff, durante entrevista para agências internacionais no Palácio da Alvorada

| De olho | Semana de expectativa para votação final do impeachment

21 de agosto de 2016 | por

Julgamento no Senado começa ouvindo testemunhas de acusação e de defesa e pode se estender pelo fim de semana; saiba o que mais está na pauta do Congresso