Indígenas sofriam com violência e expulsão mesmo décadas antes do alagamento do Rio Paraná

Indígenas sofriam com violência e expulsão mesmo décadas antes do alagamento do Rio Paraná

16 de março de 2015
12:34
Este texto foi publicado há mais de 7 anos.

De acordo com o relatório do CTI, que subsidiou os trabalhos da CNV, a pressão sobre os indígenas começou, no oeste do Paraná, no início do século XX. A ocupação das terras por não-índios era, até então, restrita à região central do estado, delimitada pelas áreas onde hoje estão os municípios de Santo Antônio da Platina, ao norte, e Francisco Beltrão, ao sul.

Mas, em 1902, a Cia. Mate Laranjeira começou a explorar a região a partir da retirada de madeira da vegetação nativa e produção de erva-mate – que seria exportada para a Argentina – usando, para isso, trabalho forçado dos indígenas. A partir da década de 1920, posseiros expandiram a ocupação para o oeste do Paraná. O governo do estado passou na década seguinte a conceder para empresas terras consideradas devolutas na região, de modo a continuar a consolidação das fronteiras com o Paraguai.

A colonização avançou sobre as terra dos índios na década de 1940, antecedidas por ofensivas de jagunços que tentavam, com armas, expulsar os Guarani das propriedades concedidas pelo governo – um processo que perdurou até pelo menos a década de 1960.

Leia mais: Os Ecos de Itaipu

“Naquele tempo nós tínhamos medo do branco”, contou Vitória Barros, de 75 anos, que hoje vive em Tekoha Nhemboete, à Pública. Ela era adolescente no início dos anos 1960, quando fugiu “pro mato”: “Eles vinham pra assustar, mesmo. Com arma, fazia tiro e nós corríamos. Naquele tempo tinha administrador, jagunço. E matavam mesmo”.

O decreto-lei de 1939 que criou o Parque Nacional do Iguaçu também aumentou a pressão fundiária da região. A área consistia em 185 mil hectares de terra próximos ao local onde ficaria, posteriormente, a represa de Itaipu. Os Guarani foram “violentamente expulsos da área”, como caracteriza o relatório do CTI, ao longo dos anos 1940. Os não indígenas, no entanto, permaneceriam até 1967, quando todo o espaço seria efetivamente desapropriado para dar lugar ao parque.

Essa matéria é resultado do concurso de microbolsas para reportagens investigativas sobre Energia promovido pela Agência Pública em parceria com o  Greenpeace.

Seja aliada da Pública

Todos precisam conhecer as injustiças que a Pública revela. Ajude nosso jornalismo a pautar o debate público.

Mais recentes

Redes sociais fecham parceria com TSE, mas não deixam claro como irão banir desinformação

26 de maio de 2022 | por

Plataformas prometem divulgar conteúdo oficial sobre as eleições e identificar postagens de políticos, mas há dúvidas se conteúdos falsos sobre processo de votação serão banidos

O presidente Jair Bolsonaro participou no domingo 8/8/2021 de um passeio de moto em Brasília em homenagem ao Dia dos Pais. A manifestação reuniu apoiadores do presidente, que se concentraram em frente ao Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes.

PSB e PT monitoram extremistas de direita durante eleições

25 de maio de 2022 | por

Grupos de inspiração paramilitar, CACs e neonazistas estão no radar dos partidos que apoiam a candidatura de Lula

Imagem mostra extensão da Serra do Curral, área de preservação de mata nativa em Minas Gerais

Zema coloca prima de chefe de mineradora em órgão que decide mineração na Serra do Curral

23 de maio de 2022 | por

Presidente anterior do Iepha foi exonerado após enviar ofício ao Ministério Público revelando possível ilegalidade no processo de licenciamento do empreendimento da Tamisa