Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Artigo

| De olho | Guerra do impeachment chega ao Senado 

Senado abrirá comissão para analisar o pedido de impeachment aprovado no domingo (17) pela Câmara, que não terá votações nesta semana

Artigo
18 de abril de 2016
12:01
Este artigo tem mais de 10 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Vencida pela oposição entre os deputados, a batalha do impeachment se dará agora entre os senadores. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pretende levar ainda nesta segunda-feira (18) o processo ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao todo foram 57 horas de sessões para discutir e votar o parecer da comissão do impeachment, aprovado por 367 deputados – 25 acima dos 342 votos exigidos. Outros 137 votaram contra. Houve ainda sete abstenções e duas ausências.

As dificuldades tendem a ser ainda maiores para a presidente Dilma Rousseff. Se na Câmara seus adversários precisavam reunir dois terços dos votos, no Senado é necessária apenas a maioria simples (41 dos 81 senadores) para que ela seja afastada do cargo por cerca de 180 dias, até o julgamento final. Após o ritmo alucinante desde a instalação da comissão do impeachment, a Câmara não realizará sessões reservadas a votação nesta semana.

Nesta terça-feira (19), os líderes partidários deverão indicar os 42 parlamentares que vão compor a comissão que analisará o assunto no Senado (21 titulares e 21 suplentes). Instalada, a comissão tem 48 horas para eleger o presidente e o relator. Devido ao feriado de 21 de abril, na quinta-feira, isso deverá ocorrer somente na segunda (25).

As vagas serão preenchidas conforme a proporcionalidade dos partidos ou dos blocos partidários. A tendência é que o colegiado seja presidido pelo senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) e que o relator saia do PP – Ana Amélia (RS) e Gladson Cameli (AC), investigado na Lava Jato, são os cotados. O partido fechou questão, na Câmara, para aprovar a abertura do processo de impeachment, embora seja a legenda com maior número de investigados na Operação Lava Jato.

A comissão terá dez dias para apresentar um relatório pela admissibilidade ou não do processo. Ainda há controvérsia no Senado se esse prazo será contado por dias úteis ou corridos. Só então o parecer será votado pelo colegiado e, então, encaminhado ao plenário, qualquer que seja o resultado.

Além de discutir o impeachment, os senadores poderão analisar propostas de emenda constitucional (PECs). Há cinco delas na pauta. O primeiro item em pauta é a PEC 143/2015, que estabelece a desvinculação de receitas dos entes federativos. A proposta permite aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios aplicar em outros lugares parte dos recursos hoje atrelados a áreas específicas, como saúde, educação, tecnologia e pesquisa, entre outras.

A PEC será votada em segundo turno, pois já passou pelo primeiro turno na quarta-feira da semana passada. Os senadores poderão votar também a PEC 45/2009, em primeiro turno. Ela incorpora à Constituição as atividades de controle interno da administração pública como ouvidoria, controladoria e auditoria.

Também estão na pauta as PECs 159/2015 e 110/2015. A primeira permite o financiamento da parcela que ultrapassar a média dos cinco anos anteriores do comprometimento percentual da receita corrente líquida com o pagamento de débitos decorrentes de condenações judiciais em precatórios. A segunda restringe a quantidade de cargos em comissão.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 233 A fábrica de radicais do Discord – com João Victor Ferreira

Cientista político explica como os discursos extremos rompem as fronteiras virtuais e incentivam uma sociedade violenta

0:00

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Ministra Cármen Lúcia dá o tom do dia no STF: “não garantimos o rigor que deveríamos”

|

Sessão do Supremo para avaliar se Alexandre de Moraes seria investigado acaba com pedido de vista e troca de farpas

Na urna com o ex: Rivais históricos se unem por espaço e poder nas eleições 2026

|

Antigos adversários superam críticas, ideologias e até acusações de crimes para disputar voto do eleitor em outubro

Espionado por Mendonça em 2020, professor vê “natureza golpista” em atuação de ministro

|

Luiz Eduardo Soares conta como foi monitorado por ordem do atual ministro do STF e critica instrumentalização da Corte

Deputado federal Mário Frias durante sessão na Câmara dos Deputados

Como Mário Frias chegou ao centro da máquina de propaganda da família Bolsonaro

|

Ex-ator foi colocado na política por Jair para juntar cultura e armas em estratégia olavista de guerra ideológica

Foto mostra modelo atual de urna eletrônica usada nas eleições brasileiras

Ministério Público Eleitoral impugna 15 candidatos em SP ligados a crimes, dois ao PCC

|

Órgão contesta 557 registros e utiliza nova regra do TSE para afastar crime organizado da política

Flávio Bolsonaro (PL) participou no sábado 29 de agosto de um ato de campanha à Presidência em Angra dos Reis (RJ) ao lado do candidato a deputado federal, o empresário Renato Araújo, também do PL

O amigo do Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis

|

Quem é Renato Araújo, candidato a deputado que cresce no círculo dos Bolsonaro assim como os problemas ao seu redor