Agência de Jornalismo Investigativo

Relatório realizado pela SembraMedia traz informações sobre 100 sites do Brasil, México, Argentina e Colômbia

20 de julho de 2017
18:04
Este texto foi publicado há mais de 4 anos.

Em março de 2016, a Agência Pública lançou o Mapa do Jornalismo Independente. Mapeamos mais de 80 iniciativas de jornalismo nascidas na rede Brasil afora. Perguntamos como essas organizações se financiam, quando foram fundadas e o que elas cobrem. Nesta quinta-feira (20), a SembraMedia, organização parceira que se dedica a apoiar empreendedores de mídia, lançou um relatório ainda mais amplo. Chamado “Ponto de Inflexão”, ele avalia o impacto gerado por organizações de jornalismo digital em quatro países da América Latina.

O estudo leva em consideração informações de 100 organizações: 25 do México, 25 da Colômbia, 25 da Argentina e 25 do Brasil (incluindo a Pública) e se aprofunda em questões como financiamento, impacto, vulnerabilidade, audiência e formação de equipes. Também é possível encontrar recomendações de como fortalecer uma organização de digital jornalismo.

Uma das grandes descobertas é que os jornalistas empreendedores não estão somente produzindo notícias, mas são agentes de mudanças: promovem melhoria das leis, defendem direitos humanos, expõem a corrupção e lutam contra o abuso de poder. Produzem jornalismo independente em países altamente polarizados do ponto de vista político.

O bom trabalho não vem sem retaliações; quase metade das organizações entrevistadas para o relatório reportaram ter sofrido ameaças ou ataques físicos por conta de seu trabalho. Mais de 20% admitiram ter evitado cobrir certos assuntos, pessoas e instituições por conta de intimidação. Outros enfrentam processos na justiça, ciber-ataques, auditorias intermináveis, perda de receitas publicitárias. No México, o jornalista Luis Cardona foi sequestrado por homens armados e ameaçado de morte por investigar os desaparecimentos de 15 jovens trabalhadores do tráfico de drogas. Cardona contou a história nesta animação.

É crescente o número de meios nativos da América Latina que desenvolveu negócios sustentáveis através do jornalismo partido do zero: mais de 70% começaram com menos de 10 mil dólares.

Verba publicitária ainda é chave

Para produzir o relatório, a SembraMedia separou as 100 organizações em quatro níveis. No nível mais alto estão organizações que têm mais de 20 milhões de acessos por mês e cuja principal fonte de receita é a publicidade. Já as organizações de nível intermediário contam com fontes de receita variadas, como consultoria, eventos, crowdfunding e publicidade.

A SembraMedia aponta mais de 15 formas de geração de receita – vale ler para ter ideias! Das organizações analisadas, mais de 65% informaram ter pelo menos três fontes de financiamento.

Segundo o relatório, os meios digitais independentes da América Latina estão cobrindo comunidades desatendidas, produzindo conteúdo original e escrevendo histórias sobre assuntos que antes eram tabus. “Desde o início, vimos o espaço onde se poderia publicar coisas que seriam difíceis de publicar na mídia tradicional dominante como nosso principal valor… Não estamos lutando por furos. Estamos interessados em aprofundar, mesmo que isso signifique que saímos depois dos outros. Um de nossos lemas é: ‘Não contamos primeiro, contamos melhor’”, diz Daniela Pastrana, diretora do Pie de Pagina, uma das organizações analisadas no México.

Para ter impacto, muitos dos meios independentes – assim como a Pública – trabalham para ter suas reportagens republicadas em veículos grandes ou internacionais. Essa prática, além de trazer credibilidade, provoca a pressão externa sobre governos. Dos sites pesquisados, 72% disseram que seu trabalho jornalístico original influenciou a cobertura de veículos de comunicação nacionais em seus países.

Outra descoberta do relatório é que 62% dos sites estudados tiveram mulheres envolvidas em sua criação. O número contrasta com a direção na imprensa tradicional no continente, ainda composta majoritariamente por homens. Dos 100, 57 contam com mulheres na direção.

Além dos números, a SembraMedia reúne histórias de diversos sites de jornalismo independente da América Latina. O relatório completo está disponível aqui.

Seja aliada da Pública

Todos precisam conhecer as injustiças que a Pública revela. Ajude nosso jornalismo a pautar o debate público.

Leia também

Perdeu o Festival 3i?

15 de novembro de 2017 | por

Saiba o que aconteceu no evento que expôs a ousadia, as polêmicas e as boas ideias que estão renovando o jornalismo brasileiro

Agência Pública é uma das organizadoras do Festival 3i, encontro de jornalismo inovador

17 de outubro de 2017 | por

Festival é realizado por 8 organizações nativas digitais e vai reunir empreendedores do jornalismo latinoamericano nos dias 11 e 12 de novembro no Rio de Janeiro

Caçadores, atiradores e colecionadores “perdem” três armas por dia no Brasil

23 de novembro de 2021 | por e

Os chamados CACs já tiveram 840 armas de fogo roubadas ou extraviadas apenas neste ano; Bolsonaro ampliou quantidade de armas e munição que esses atiradores podem comprar

Mais recentes

Google e Amazon anunciam em sites citados por CPI da Covid como propagadores de fake news

Google e Amazon anunciam em sites citados por CPI da Covid como propagadores de fake news

24 de novembro de 2021 | por

Dos dez sites citados pela CPI da pandemia como disseminadores de informações falsas sobre a covid-19, seis utilizaram anúncios monetizados

Caçadores, atiradores e colecionadores “perdem” três armas por dia no Brasil

23 de novembro de 2021 | por e

Os chamados CACs já tiveram 840 armas de fogo roubadas ou extraviadas apenas neste ano; Bolsonaro ampliou quantidade de armas e munição que esses atiradores podem comprar

4 anos em 15 meses

22 de novembro de 2021 | por

Medida do Ibama investigada na Operação Akuanduba, da PF, permitiu a madeireiras exportar 100 mil toneladas de madeira da Amazônia, o que inclui árvores ameaçadas de extinção