Buscar
Nota

Único réu absolvido pelo STF, general Theophilo seria peça chave do golpe para acusação

20 de novembro de 2025
11:00

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Embora apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos nomes centrais do plano de golpe de Estado, o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira foi absolvido por unanimidade pelo Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do núcleo 3 da trama golpista. O militar teria se comprometido “a executar as medidas necessárias para a consumação da ruptura institucional”, segundo descrição da denúncia da Procuradoria-geral da República (PGR).

Conhecido por ser nome de “prestígio no meio militar”, Estevam é filho do general-de-brigada Manoel Theophilo Gaspar de Oliveira Neto, que era da cúpula verde-oliva na Ditadura Militar, ou seja, um líder militar do regime. O filho foi promovido a general em 25 de novembro de 2019 e liderava o Comando de Operações Terrestres (COTER), tropa com maior contigente do Exército, destacou a PGR. 

Ele e outros nove réus faziam parte das Forças Especiais do Exército, grupo conhecido como “kids pretos”. Esses integrantes, segundo as investigações, foram responsáveis pelo planejamento operacional do golpe, com ações violentas que previam até os assassinatos do presidente Lula (PT) e do vice Geraldo Alckmin (PSB).

Por meio de diálogos encontrados no telefone do delator e ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, a PF descobriu que o general “teria consentido com a adesão ao golpe”, sendo o “responsável operacional pelo emprego da tropa caso a medida de intervenção [militar] se concretizasse”. 

A Agência Pública mostrou que o general Estevam Theophilo teria tentado, já no governo Lula, centralizar a elite do Exército sob seu comando – mas houve resistências internas.

A tropa comandada por ele era definida como “unidade cuja adesão seria fundamental” para o golpe, de acordo com as investigações. Além disso, o general e os demais “kids pretos” teriam atuado em reuniões para garantir mobilização, logística e financiamento às manifestações em frente aos quartéis. 

Falta de provas

Ainda que a delação de Mauro Cid e as investigações da PF apontassem para a participação de Theophilo na tentativa de intervenção militar, o relator, Alexandre de Moraes, votou por inocentar o réu. O ministro – que teve o voto acompanhado pelos demais membros da Corte – disse não haver provas suficientes para a condenação e destacou que os únicos indícios de participação na trama golpista resultam da delação de Mauro Cid. 

Inicialmente, contava-se também com a declaração do general Freire Gomes, outro “kid preto”, que corroborava com a denúncia da PGR de que Estevam teria se reunido com Jair Bolsonaro para discutir a assinatura de uma minuta de golpe e a participação militar na operação. Em juízo, porém, Gomes recuou no depoimento.

Edição:

Notas mais recentes

Às vésperas do 2° turno, governo tenta votar PEC da Segurança Pública no Senado


Locais de votação alterados e abstenção: estigma afasta eleitores da Maré das urnas


Fim da escala 6×1 vai a votação no Senado, mas aliados de Flávio tentam barrar


Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Sem educação, clima ou fome: O dito e não dito na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro

|

Discurso de guias que foram ao ar na TV mostra aposta em "medo" e "mulheres" e ignora temas como educação, fome e clima

Quando o patrão pede voto

|

Desde setembro, foram 24 denúncias diárias de assédio eleitoral no trabalho; 99% dos casos são apurados, diz MPT

Master: Em mensagens, Vorcaro declarou lado sem margem para dúvida: “apoiamos a direita”

|

Banqueiro preso no escândalo do Banco Master tinha entre contatos Flávio Bolsonaro e Nikolas, a quem disse ter ajudado

Clubes de tiro fazem anúncios proibidos de descontos em armas para apoiar Flávio Bolsonaro

|

Empresas não podem fazer campanha de candidatos; clubes fazem ofertas de rifles com número de urna de Bolsonaro

Meta bloqueia conteúdos políticos pró-Lula e contra Flávio acusando terrorismo e nudez

|

Ministério Público Federal abre investigação contra a empresa e X por violação à liberdade de expressão

Um jumento na filarmônica

|

Contrabaixista na Europa volta ao Recife e reencontra crianças de projeto social que o iniciou na música há 20 anos
Em foto, Eduardo Bolsonaro aparece cercado de apoiadores da extrema direita na festa de gala da Hispanic Heritage

Eduardo Bolsonaro vive noite de celebridade na festa da extrema direita nos EUA

|

Ao som de “La Bamba” e “Macarena”, festa teve clima de vitória de Flávio Bolsonaro e ingressos de R$ 15 mil a R$ 50 mil

A misoginia de diálogos de Vorcaro e CEO que expôs atrizes: “Mulher não pode fazer isso”

|

CEO da Globo demitido hoje fez comentários machistas sobre Deborah Secco e Sabrina Sato, e chamou prefeita de vaca
Líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN) durante entrevista

Chefe da campanha de Flávio Bolsonaro esteve no Senado mas não votou na 6×1

|

Rogério Marinho (PL-RN) fez uma reunião de 3h, se encontrou com aliados e saiu sem falar com a imprensa
Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Fred Kachar, do Grupo Globo

A linha direta de Vorcaro dentro do Grupo Globo: “Quer que peça pra corrigir?”

|

Vazamento de mensagens do ex-banqueiro a Fred Kachar expôs interferências editoriais e levou à demissão do executivo
Montagem feita por IA com imagens do presidente Lula e do candidato Flávio Bolsonaro

Meta barra mais conteúdos pró-Lula e progressistas que pró-Flávio, aponta levantamento

|

Levantamento documentou mais de mil casos de restrições e banimentos nas plataformas em outubro
Plenário do Senado Federal durante sessão que votou PEC do fim da Escala 6x1

Fim da escala 6×1 é a maior mudança na jornada do trabalhador brasileiro desde 1988

|

Com 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação, PEC aprovada garante dois dias de descanso a trabalhadores