Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Checagem

Brasil gasta um Plano Marshall com pagamento de juros

Despesa, citada por Jair Bolsonaro (PSL) em seu programa de governo, ficou em R$ 400,8 bilhões em 2017

Checagem
21 de agosto de 2018
15:50
Este artigo tem mais de 8 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O deputado Jair Bolsonaro (PSL), em discurso durante eleição do presidente da Câmara dos Deputados, em 2017: dado sobre juros citado em plano de governo está correto
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O deputado Jair Bolsonaro (PSL), em discurso durante eleição do presidente da Câmara dos Deputados, em 2017: dado sobre juros citado em plano de governo está correto
Jair Bolsonaro (PSL), em discurso durante eleição do presidente da Câmara dos Deputados, em 2017: dado sobre juros citado em plano de governo está correto

“O Brasil gasta anualmente um Plano Marshall (que reconstruiu a Europa após a Segunda Guerra Mundial) com o pagamento de juros.” – Jair Bolsonaro (PSL), em seu plano de governo “O Caminho da Prosperidade”, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Verdadeiro

No trecho de seu programa de governo em que discute a redução de despesas com juros, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o Brasil gasta com juros o equivalente às despesas que o governo dos Estados Unidos teve com o Plano Marshall. O candidato faz referência a um programa de auxílio empreendido pelo governo norte-americano que repassou bilhões de dólares, entre 1948 e 1952, para ajudar 16 países europeus a se recuperarem da Segunda Guerra Mundial. O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, que analisa o que dizem os candidatos a presidente e a governador em sete estados – descobriu que a relação está correta.

O Brasil gastou, em 2017, R$ 400,8 bilhões com juros. Já o custo do Plano Marshall, em valores corrigidos pela inflação, foi estimado em US$ 103 bilhões pelo governo norte-americano em 2014. O valor equivale a R$ 404,8 bilhões, se utilizada a cotação de 17 de agosto de 2018 – quando ficou em R$ 3,93, segundo o Banco Central.

Nos Estados Unidos, as despesas do Plano Marshall são com frequência comparadas às da guerra do Afeganistão. Em julho de 2014, o Gabinete do Inspetor Especial para a Reconstrução do Afeganistão, órgão americano criado para monitorar as ações de reestruturação daquele país após a guerra com os Estados Unidos, divulgou um boletim para o Congresso americano. Em um trecho do relatório, o custo do Plano Marshall é comparado ao gasto do governo norte-americano na reconstrução do Afeganistão. Os analistas atestam que, em valores corrigidos pela inflação, o governo norte-americano gastou US$ 103 bilhões no Plano Marshall e US$ 109 bilhões na reconstrução do Afeganistão.

Especialistas ouvidos pelo site de fact-checking americano Politifact destacam que a comparação tem alguns problemas. Charles Maier, historiador de Harvard que pesquisa os resultados da Segunda Guerra Mundial, diz que o custo do Plano Marshall em porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) americano era muito maior do que a despesa com o Afeganistão em relação ao PIB de 2014.

Durante os anos do Plano Marshall, o gasto total com o programa de reconstrução da Europa era equivalente a cerca de 4,3% do PIB americano. Já a despesa de recuperação do Afeganistão entre 2002 e 2014 correspondia a cerca de 0,75% do PIB anual registrado.

Em 2017, o Brasil reduziu o gasto com juros nominais – de pagamento da dívida pública de União, estados e municípios – para R$ 400,8 bilhões, segundo nota técnica do Banco Central, equivalentes a 6,11% do PIB. O auge dos pagamentos foi em 2015, quando a despesa chegou a R$ 501,8 bilhões, o que representava 8,37% do PIB.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 233 A fábrica de radicais do Discord – com João Victor Ferreira

Cientista político explica como os discursos extremos rompem as fronteiras virtuais e incentivam uma sociedade violenta

0:00

Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

Leia também

O desemprego continua alto no país, segundo o IBGE: havia 12,9 milhões de desocupados no trimestre de abril-maio-junho

5 frases dos candidatos a presidente sobre economia

|

Saiba quais foram os exageros e erros de Bolsonaro, Alckmin, Ciro, Marina e Lula ao falar de informalidade, estados quebrados, mercado exterior e salário mínimo

Agentes do Comando de Operações Táticas, da Polícia Federal: efetivo da corporação tem sido um dos temas abordados pelos candidatos

5 frases dos presidenciáveis sobre segurança pública

|

Veja os acertos, exageros e erros de Lula, Bolsonaro, Alckmin, Ciro e Marina em falas sobre intervenção no Rio, homicídios, polícia, drogas e violência contra a mulher

Notas mais recentes

Instituto de André Mendonça é alvo de representações para investigar irregularidades


Com despesas pagas pelos EUA, ida de procurador a evento sobre Irã é cancelada pela PGR


Semana tem presidenciáveis no 7 de setembro e STF na apuração sobre denúncias de ministros


PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Leia também

5 frases dos candidatos a presidente sobre economia


5 frases dos presidenciáveis sobre segurança pública


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Na urna com o ex: Rivais históricos se unem por espaço e poder nas eleições 2026

|

Antigos adversários superam críticas, ideologias e até acusações de crimes para disputar voto do eleitor em outubro

Espionado por Mendonça em 2020, professor vê “natureza golpista” em atuação de ministro

|

Luiz Eduardo Soares conta como foi monitorado por ordem do atual ministro do STF e critica instrumentalização da Corte
Deputado federal Mário Frias durante sessão na Câmara dos Deputados

Como Mário Frias chegou ao centro da máquina de propaganda da família Bolsonaro

|

Ex-ator foi colocado na política por Jair para juntar cultura e armas em estratégia olavista de guerra ideológica
Foto mostra modelo atual de urna eletrônica usada nas eleições brasileiras

Ministério Público Eleitoral impugna 15 candidatos em SP ligados a crimes, dois ao PCC

|

Órgão contesta 557 registros e utiliza nova regra do TSE para afastar crime organizado da política
Flávio Bolsonaro (PL) participou no sábado 29 de agosto de um ato de campanha à Presidência em Angra dos Reis (RJ) ao lado do candidato a deputado federal, o empresário Renato Araújo, também do PL

O amigo do Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis

|

Quem é Renato Araújo, candidato a deputado que cresce no círculo dos Bolsonaro assim como os problemas ao seu redor

Congresso travou regulação de câmeras corporais enquanto letalidade policial batia recorde

|

Câmeras corporais de policiais se tornaram campo de disputa política que vai muito além da responsabilização por abusos

Prevenção a violências contra crianças passa batida em propostas de presidenciáveis

|

Maior parte dos programas ignora prevenção a mortes ou violência sexual de crianças e sequer menciona primeira infância

Lula e Flávio, mais cautelosos que o usual, deixam público dar recados no 7 de setembro

|

Em SP, ato da direita levou menos gente às ruas que no ano passado; em BSB, Lula seguiu protocolo “seguro”